Pouco mais de uma semana após a segunda fase da Operação USG, uma suposta foto do genro do prefeito Manoel Afonso (PSD) durante a final da Libertadores, no Estádio Monumental, em Lima, no Peru, ampliou o desgaste político em Formosa do Rio Preto, no oeste baiano. No jogo de ontem, o Flamengo bateu o Palmeiras, em uma carregada de pressão, que mobilizou o país.
A foto gerou reação negativa porque surgiu em um período de forte pressão sobre a gestão, quando se esperava foco e cautela, e não um momento de lazer — ainda mais em uma viagem considerada cara, para outro país.
O município vive sob as investigações da operação, segundo a Polícia Civil, apontam supostos desvios de R$ 12 milhões da saúde municipal, no maior município territorial do estado. A ação na última terça-feira (18) resultou na prisão de nove pessoas, incluindo um vereador aliado da gestão. As prisões ocorreram na cidade baiana e em outras duas no vizinho estado do Piauí. Somente este cenário já gerava forte turbulência política e ética quando a imagem do familiar do prefeito começou a circular nas redes neste domingo (30).
A foto, cuja autenticidade ainda não foi confirmada, mostra um homem identificado por moradores como esposo da chefe de gabinete — que também é filha do prefeito — na arquibancada durante a final, segurando uma bandeira do Flamengo. A publicação nas redes acompanhada da frase: “Seus sonhos são nossos sonhos… te amamos muito”, atribuída à esposa, gerou reação imediata entre os moradores.
Crise na Câmara de Vereadores
Além disso, o prefeito Neo, como Manoel Afonso é conhecido, enfrenta outro embate no município. A Câmara de Vereadores vive um impasse depois que um de seus oito aliados perdeu o cargo de presidente por decisão judicial. O juiz voltou atrás e reformou o ato após uma recomendação da ministra Cármen Lúcia, do STF. A reversão ocorreu um dia depois da operação, o que trouxe ainda mais atenção para o cenário político local.
A guerra de braço segue ampliada com a briga interna entre três vereadores buscando a presidência e tem tirado o resto de sono do prefeito.
Com uma arrecadação anual próxima de R$ 300 milhões e destaque nacional na produção de grãos, Formosa do Rio Preto enfrenta agora uma combinação de desgaste institucional, crise de imagem e pressão por transparência, enquanto novos desdobramentos da Operação USG são aguardados.
Se não bastasse, durante a tarde daquele terça da segunda fase da operação, o TCU negou um recurso do prefeito, o que pode deixá-lo inelegível.
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