
O ex-presidente nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) Renato Rabelo morreu aos 83 anos, na manhã deste domingo (15), em São Paulo. Segundo o partido, ele enfrentava um câncer há três anos. A informação foi divulgada em nota oficial.
Natural de Ubaíra, no Vale do Jiquiriçá, na Bahia, Rabelo presidiu o PCdoB entre 2001 e 2015. Durante sua gestão, a legenda integrou a base de apoio dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.
O velório está previsto para a manhã de segunda-feira (16), no Palácio do Trabalhador, no bairro da Liberdade, na capital paulista. Em seguida, ocorrerá a cremação.
Militância e exílio durante a ditadura
José Renato Rabelo nasceu em 22 de fevereiro de 1942, em Ubaíra. Iniciou a militância política no movimento estudantil. Posteriormente, tornou-se vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), em meio ao regime militar.
Na década de 1970, integrou a direção da Ação Popular Marxista-Leninista (APML), organização que mais tarde se incorporou ao PCdoB.
Após a repressão que resultou na Chacina da Lapa, em 1976, deixou o país. Viveu na França até 1979, quando retornou ao Brasil com a anistia.
Presidência do PCdoB e articulação política
Em 2001, Renato Rabelo assumiu a presidência nacional do PCdoB. Permaneceu no cargo por 14 anos, até ser sucedido por Luciana Santos, em 2015.
Durante esse período, o partido ampliou sua presença institucional e participou da coalizão que sustentou os governos federais do PT. Rabelo também atuou na articulação de alianças no campo da esquerda.
Depois de deixar a presidência, passou a atuar na Fundação Maurício Grabois, entidade vinculada ao PCdoB. Posteriormente, foi anunciado presidente de honra da instituição.
Repercussão
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nas redes sociais, que Renato Rabelo dedicou a vida à militância política e à defesa da democracia.
“A democracia brasileira perdeu hoje um de seus maiores nomes”, declarou Lula. O presidente também relembrou a convivência política com o dirigente, citando as greves do ABC, o movimento Diretas Já e campanhas presidenciais.
A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) destacou o papel de Rabelo na formulação política do partido. Já o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) afirmou que ele contribuiu para a construção de alianças no campo progressista.
Trajetória ligada à redemocratização
Renato Rabelo atravessou diferentes fases da política brasileira. Atuou no movimento estudantil durante a ditadura, viveu no exílio e participou da reorganização partidária após a redemocratização.
Além disso, liderou o PCdoB em um período de inserção do partido na estrutura do governo federal. Sua atuação marcou a trajetória recente da legenda.
Com a morte de Rabelo, o PCdoB perde um de seus principais dirigentes históricos e uma das lideranças que participaram da reconstrução política após o regime militar.
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Com g1 São Paulo.
