
O surto de sarampo em Bangladesh já matou mais de 500 crianças e colocou o sistema de saúde do país sob forte pressão. Dados divulgados no sábado (24) pela Direção-Geral dos Serviços de Saúde apontam 512 mortes registradas desde 15 de março, em meio ao avanço acelerado da doença em várias regiões do país asiático, conforme apontou a TV Al Jazeera.
Segundo informações da agência Reuters e da emissora Al Jazeera, somente nas últimas 24 horas 13 crianças haviam morrido com sintomas relacionados ao sarampo. O país também contabilizou 62.507 casos suspeitos e 8.494 infecções confirmadas em laboratório até 23 de maio.
A maioria das vítimas tem entre seis meses e cinco anos. Médicos afirmam que muitas crianças chegaram aos hospitais em estado grave, com dificuldades respiratórias e infecções severas.
Hospitais de Bangladesh operando acima da capacidade
Com o aumento dos casos, hospitais da capital Daca abriram alas exclusivas para pacientes com sarampo. Mesmo assim, unidades de saúde enfrentam falta de leitos de terapia intensiva e superlotação.
O pediatra Ainul Islam Khan, do Hospital e Faculdade de Medicina Shaheed Suhrawardy, afirmou à AFP que grande parte das crianças internadas apresentava complicações avançadas.
“Embora o sarampo seja altamente contagioso, um bebê saudável e sem complicações pode sobreviver com medicação mínima”, declarou o médico. “Aqui, a maioria das crianças chegava ao hospital com dificuldades respiratórias e infecções nos olhos, garganta e pulmões.”
As áreas rurais e bairros urbanos mais pobres concentram parte significativa dos casos, segundo autoridades sanitárias.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia alertado, em abril, para o risco de um grande surto após a redução da cobertura vacinal no país.
De acordo com o UNICEF, falhas nos programas de imunização se intensificaram durante e após a crise política provocada pelos protestos estudantis de 2024, que culminaram na queda do governo anterior.
A chefe do UNICEF em Bangladesh, Rana Flowers, informou que uma campanha emergencial de vacinação já alcançou cerca de 18 milhões de crianças. Ainda assim, o impacto da imunização em massa deve levar meses para reduzir significativamente os casos, segundo o departamento de saúde do país.
O governo ampliou a vacinação contra sarampo e rubéola, reforçou a vigilância epidemiológica e intensificou a distribuição de vitamina A para reduzir complicações entre crianças infectadas.
Sarampo segue entre as doenças mais contagiosas do mundo
O sarampo é uma doença viral transmitida principalmente por tosse e espirros. A infecção pode provocar febre alta, erupções na pele e complicações graves, incluindo pneumonia, inflamação cerebral e morte.
Crianças desnutridas ou sem vacinação completa estão entre os grupos mais vulneráveis.
Apesar de existir vacina eficaz, o sarampo ainda figura entre as principais causas de morte infantil evitável no mundo. Especialistas alertam que duas doses da vacina são suficientes para prevenir a maioria dos casos graves.
Um relatório divulgado nesta semana pela Parceria Global para a Resistência a Antibióticos também apontou que lacunas na vacinação podem aumentar problemas relacionados à resistência antimicrobiana em Bangladesh.
Com informações da Reuters e Al Jazeera
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