Fungo agressivo chega à América do Sul e ameaça bananas

Ivisson Costa

A banana-maçã tem desaparecido das prateleiras de supermercados e quitandas na Bahia. A variedade de banana de sabor adocicado, pequeno porte, textura macia e aveludas, tem se tornado cada vez mais rara.

Ao longo das últimas duas décadas, a versão mais antiga da fruta vem sendo dizimada por um fungo. Chamado de fusarium, ele é o responsável por provocar a Murcha da Bananeira, também conhecida como Mal do Panamá. A doença fez desaparecer todas as plantações comerciais da banana-maçã no Brasil.

A doença é provocada pela raça 1 do fusarium. Desde que foi identificado pela primeira vez, no fim do século XIX, na Oceania, ele já destruiu plantações de banana-maçã em várias partes do mundo. Quase 150 anos depois de identificado, os cientistas ainda tentam encontrar uma solução definitiva para combater o fungo, já que não existe opção de controle químico.

No Brasil, o fungo foi identificado pela primeira em 1930 e obrigou os exportadores de banana a trocarem as variedades tradicionais por outras mais resistentes. Foi nesta época que as bananas do tipo maçã, pertencentes ao grupo Gros Michel, mais vulnerável ao fungo, começaram a perder espaço no mercado e passaram a ser substituídas no campo pelas bananas do grupo Cavendish, como a nanica, nanicão e a banana d´água.

Na região de Bom Jesus da Lapa, no oeste da Bahia, que reúne alguns dos maiores produtores do Brasil, não foi diferente.

Aqui na nossa região não existe nem mais um pé de banana-maçã. Ninguém mais cultiva, há muito tempo”, afirma Ervínio Kogler, presidente da Associação de Produtores de Banana da Bahia.

A entidade reúne cerca de 955 produtores rurais no Projeto Formoso. Atualmente, dos 9 mil hectares de banana cultivados na região, cerca de 20% são de banana-nanica, e 80% de banana- prata.

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