
O investimento do governo baiano aumentou 121,2% no comparativo entre o primeiro bimestre de 2019 e igual perรญodo de 2015, de acordo com dados dos relatรณrios fiscais dos estados e do Tesouro Nacional. Apenas nove estados brasileiros ampliaram os investimentos em 2019 em comparaรงรฃo com o registrado hรก quatro anos. Os demais registraram queda.
Ao investir R$ 204,28 milhรตes nos meses de janeiro e fevereiro, a Bahia superou a ampla maioria dos estados e ficou atrรกs apenas de Sรฃo Paulo, com R$ 312,47 milhรตes. O estado mais rico do paรญs, no entanto, estรก entre os que registraram queda entre 26% e 50% nos investimentos em comparaรงรฃo com 2015.
Com nรบmeros em geral pouco significativos neste inรญcio de ano, os investimentos estados brasileiros, em conjunto, recuaram 64% com relaรงรฃo a 2015: de R$ 2,65 bilhรตes para R$ 934,2 milhรตes. Esta queda foi impulsionada pelo Rio de Janeiro, que viu os investimentos recuarem de R$ 867,17 milhรตes para apenas R$ 2,37 milhรตes agora, com a ressalva de que hรก quatro anos o governo carioca foi beneficiado pela ajuda federal com vistas aos preparativos para os Jogos Olรญmpicos de 2016. O levantamento toma por base os dados de 23 estados, jรก que Paranรก, Maranhรฃo, Rio Grande do Norte e Roraima ainda nรฃo divulgaram os nรบmeros do primeiro bimestre.
Em abril, a Bahia jรก havia sido destaque em relatรณrio do Tesouro Nacional como o Estado com maior porcentagem do orรงamento destinada a investimentos nos dois primeiros meses de 2019. De acordo com o Relatรณrio Resumido de Execuรงรฃo Orรงamentรกria (RREO) com foco nos Estados, divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), a Bahia destinou para investimentos, no primeiro bimestre, 4% do orรงamento.
De acordo com analistas ouvidos pelo jornal Valor Econรดmico, o recuo nos investimentos pela maior parte dos estados รฉ reflexo de fatores que vรชm atingindo todas as gestรตes estaduais nos รบltimos anos, como a queda nas transferรชncias da Uniรฃo, as restriรงรตes adotadas pelo governo federal para conceder aval a operaรงรตes de crรฉdito pelos estados e do alto comprometimento das receitas estaduais com as despesas correntes, sobretudo as de pessoal.
Equilรญbrio fiscal e desenvolvimento
O secretรกrio da Fazenda do Estado, Manoel Vitรณrio, ressalta que o governo baiano, embora esteja sujeito ร s mesmas condiรงรตes desfavorรกveis, mantรฉm o desempenho dos รบltimos anos, quando se firmou entre os lรญderes do paรญs em investimento. Vitรณrio ressalta que a รชnfase nos gastos em obras e serviรงos que atendem a demandas estratรฉgicas da sociedade tem marcado a atuaรงรฃo do Estado.
โA Bahia vem associando o equilรญbrio fiscal aos investimentos necessรกrios para favorecer a retomada da atividade econรดmicaโ, afirma o secretรกrio da Fazenda. Ele enfatiza que o governo baiano vai continuar buscando o controle dos gastos pรบblicos e o crescimento das receitas prรณprias para assegurar a capacidade de investimento. โO gasto com investimento qualifica a infraestrutura, amplia os serviรงos, atrai investidores privados, gera emprego e renda e estimula a economiaโ.
Vitรณrio lembra que, entre 2015 e 2018, o governo baiano destinou R$ 10,3 bilhรตes para investimentos. Trata-se de valor proporcionalmente maior que o alcanรงado por Sรฃo Paulo, lรญder nacional nos รบltimos quatro anos: o governo paulista, tendo investido R$ 31,9 bilhรตes no mesmo perรญodo, possui orรงamento cinco vezes maior que o baiano.
Alรฉm de permitir que o Estado dรช sequรชncia ร sua polรญtica de investimentos, explica o secretรกrio, o equilรญbrio fiscal permite que o setor pรบblico siga operando plenamente. Mesmo em perรญodos de crise, a Bahia vem mantendo as contas em dia, diferente de outras administraรงรตes estaduais que passaram a atrasar ou parcelar o pagamento dos salรกrios dos servidores e ter dificuldades para saldar compromissos.