
Amarelo, do tamanho de uma ervilha grande e com um gosto que ninguém esquece depois da primeira mordida — assim é o murici. Nativo do Cerrado, da Amazônia e de áreas do Norte e Nordeste do Brasil, esse fruto reúne um sabor único, que mistura acidez, doçura e, às vezes, um toque salgado, com uma quantidade de nutrientes que impressiona para um fruto tão discreto.
Quem já provou dificilmente esquece. E quem ainda não conhece tem um bom motivo para procurar: poucas frutas nativas entregam tanto benefício em porções tão pequenas.
De onde vem o murici
O nome tem origem tupi e quer dizer “árvore pequena” — uma referência ao porte da planta, que normalmente fica entre 5 e 16 metros, mas pode crescer como arbusto baixinho, de pouco mais de meio metro, quando nasce em áreas de dunas no litoral nordestino.
A árvore tem galhos finos e um tanto frágeis, que sustentam flores amarelas reunidas em cachos — geralmente abertas logo cedo pela manhã, acompanhando o ritmo das chuvas. Os frutos nascem verdes e duros, e só ganham a cor amarelo-alaranjada quando maduros, quando a polpa fica macia e o sabor se revela por completo. A colheita, na maior parte das vezes, ainda acontece de forma extrativista — direto da natureza, sem grandes cultivos.
Dependendo da região, o murici também é chamado de murici-da-praia, murici-do-brejo, murixi, muruci ou até “fruta de jacu”. Registros mostram que o fruto já era consumido por povos indígenas desde o século XVI — ou seja, faz parte da mesa brasileira há muito mais tempo do que se imagina.
No Cerrado e em regiões mais secas, o murici desponta como uma alternativa produtiva interessante — não só pelo sabor, mas pelo valor nutricional. É fonte de fibras, cálcio, fósforo, ferro e vitaminas C, B1 e B2, e também tem um histórico de uso popular como antifebril, desinflamante, antibacteriano e antifúngico.
O que tem dentro do murici
| Nutriente | Quantidade | % VD* |
|---|---|---|
| Valor calórico | 66 kcal | 3% |
| Carboidratos | 14,0 g | 5% |
| Proteína | 2,1 g | 3% |
| Gordura total | 0 g | 0% |
| Fibra | 2,2 g | 9% |
| Sódio | 0 g | 0% |
| Cálcio | 86,6 mg | 9% |
| Fósforo | 20 mg | 3% |
| Ferro | 1 mg | 7% |
| Vitamina C | 45 mg | 100% |
| Vitamina B2 | 0,4 mg | 25% |
*VD: valores diários com base em uma dieta de 2.000 kcal.
5 motivos para colocar o murici no seu prato
1. Ajuda a segurar resfriados e infecções
Só uma porção de murici já cobre praticamente toda a vitamina C que um adulto precisa no dia. Esse nutriente é peça-chave para o corpo se defender de vírus e bactérias, além de ajudar a cicatrizar feridas mais rápido. Adultos precisam de cerca de 75 mg por dia (mulheres) ou 90 mg (homens) — e o murici entrega boa parte disso de uma vez só.
2. Faz bem para a visão
O murici tem pigmentos naturais — luteína e zeaxantina, os mesmos que dão cor a vegetais como espinafre e milho — que se acumulam na retina e funcionam como uma espécie de filtro contra luzes nocivas, incluindo a luz azul das telas. Com o tempo, isso pode ajudar a prevenir problemas como catarata e degeneração macular.
3. Fortalece os ossos
Cálcio, magnésio e potássio trabalham juntos para manter os ossos fortes e resistentes. Não é detalhe menor: segundo o Ministério da Saúde, cerca de metade das mulheres e um quinto dos homens acima de 50 anos vão sofrer alguma fratura ligada à osteoporose ao longo da vida.
4. Cuida do coração
O potássio presente no murici ajuda o corpo a regular a pressão arterial e a equilibrar os líquidos internos, tirando um pouco da sobrecarga do coração. Segundo a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TBCA/USP), cada 100 g de polpa in natura tem cerca de 257 mg de potássio — e estudos associam esse mineral à prevenção da hipertensão.
5. Ajuda a manter a glicose sob controle
As fibras do murici tornam a digestão dos carboidratos mais lenta, evitando aqueles picos de açúcar no sangue logo depois da refeição. É um detalhe que pode fazer diferença tanto para quem já convive com diabetes quanto para quem quer se prevenir — especialmente dentro de uma dieta equilibrada.
Formas de aproveitar o murici
- Suco: bata a polpa com água, gelo e, se quiser, um fio de mel ou umas gotas de limão;
- Geleia, doce ou compota: perfeito no café da manhã, com pão ou torrada;
- Sorvete: a polpa congelada rende uma sobremesa gelada e cheia de sabor;
- Óleo de murici: pode entrar na cozinha como tempero ou base de molhos.
O murici tem propriedades interessantes, mas não substitui remédio nem consulta médica. Ele pode — e deve — entrar na alimentação como um aliado a mais, nunca como solução isolada para um problema de saúde. Dieta equilibrada, exercício e acompanhamento médico continuam sendo a base de tudo.
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