Nova turbidez da água do Rio Preto causa mais preocupação a população e abre debate para preservação do meio ambiente

Imagens comparativas | Fotos: Redes sociais e Allan Lusttosa

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Imagens em vídeos postadas nas redes sociais e compartilhadas em aplicativos de mensagens desde a última quarta-feira (6), mostra uma avalanche de terras misturada a água das chuvas que caem no cerrado, em um trecho conhecido como Serra da Pintada, invadiu brejos e caiu no leito do Rio Preto. O local está próximo das grandes plantações, logo, nas áreas devastadas para produção, principalmente, de soja, algodão e milho.

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Rio Preto visto pelo olhar do fotógrafo formosense Alan Lustosa a partir do Porto Raso

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Nas imagens pode se observar que a força da água, misturada ao amarelado solo tipico do cerrado, leva tudo que encontra pela frente, devido ao desmatamento sem encontrar barreiras naturais que outrora fazia as chuvas abastecerem o aquífero. Ela descia em fúria e as vezes, aparentava um certo desespero. No vídeo, o narrador fala da quantidade de areia que desceu da serra. “sem mentira ‘alguma aqui aumentou um metro por ai… Isso aqui não se recupera mais não”.

Na confluência entre os rios Preto e Sapão na localidade de São Marcelo, cerca de 40 km da sede do município, a água dos dois rios correm lado a lado, enquanto o Rio Preto mostra-se muito barrenta a do Rio Sapão permanece cristalina. No entanto os dois rio tem o mesmo perfil no período da seca.

Confluência entre os rios Preto e Sapão na localidade de São Marcelo – Foto: Reprodução

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Os rios que cortam o município como o Sapão, do Santo, Sassafrás, do Ouro são conhecidos por suas águas cristalinas e despejam suas águas no Preto abastece a população de Formosa do Rio Preto, Santa Rita de Cássia e Mansidão e deságua no Rio Grande num lugar chamado Boqueirão.

No chamado período das águas, que deve durar até março, é comum a mudança da coloração, no entanto nos últimos três meses, esta é segunda vez que a turbidez, chamou a atenção da população. Normalmente causada por partículas sólidas em suspensão, como argila e matéria orgânica nessa época. Mas nas duas ocasiões, o que se observou foi uma quantidade enorme de barro, descendo pelo leito do rio e um leve odor podre. Nenhum órgão federal como Ibama e ou estadual, como Inema ou a Secretaria Estadual do Meio Ambiente foram vistos no município. No primeiro caso, o órgão municipal identificou uma área de desmoronamento de serra que pode ter levado barro e argila para o rio.

Agronegócio e Preservação

Estamos assistindo a várias situações que nos levam a questionar o Rio Preto. Um rio perene, caudaloso tem-se transformado ao longo do tempo. Por que o agronegócio se consolida em nossa região e ao mesmo tempo, nossos rios, solos e matas dão sinal de impactos que comprometem a vida no cerrado.

É fácil entender o valor do agronegócio para a economia, para a arrecadação do município, do estado e portanto todos os recursos que as commodities geram em Formosa do Rio Preto e na Região Oeste.

Mas e o valor que o Rio Preto gera? Como medir seu valor?
Pela riqueza do Preto não há cotação em dólar, nem tampouco cifras atribuídas à força que sua biodiversidade gera. Não há mercado, nem balança comercial que indique as riquezas nativas de uma micro bacia como a do Rio Preto.

Mas sabe-se que Formosa empresta suas terras, suas águas, matas e solos para um modelo de agricultura sobre o qual ela própria não tem poder de acompanhar. A evolução do Agro não representa a evolução do meio ambiente. Pelo contrário, Carlos Nobre da USP, Altair Sales da PUC e vários outros já sinalizam as perdas efetivas que populações residentes em regiões agrícolas já vivenciam como o povo de Formosa, de São Desidério, de Correntina e outras.

Mas há possibilidade de manter a vitalidade da economia do agronegócio ao mesmo tempo em que não sejam comprometidas a vitalidade do cerrado e existência do aquífero?

Esta resposta deve ser buscada sob pena de ficarmos no cenário atual com alto índice de assoreamento, compactação dos solos, impactos na redução da biodiversidade, comprometimento de áreas de recarga do aquífero, contaminação das águas e solos por Agro químico, dentre outros.

A verdade é que se o agronegócio é bom, muito maior é nossa necessidade do cerrado.

É chegada a hora dos formosenses tomarem seu futuro em nossas próprias mãos.

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Não deixe de ver o vídeo abaixo

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