Cor ou raça no oeste da Bahia é a forma como cada morador se declara ao IBGE: branca, preta, parda, amarela ou indígena. No Censo 2022, 74,5% dos 661,9 mil moradores dos 24 municípios do Extremo Oeste Baiano se declararam pretos ou pardos, contra 70,5% em 2010. A fatia dos que se declaram pretos subiu de 8,1% para 13,0%.
A cor ou raça no oeste da Bahia fica acima da média do Brasil (55,5% de pretos e pardos), mas abaixo da baiana (79,7%). Mansidão tem 95,0%, a 3ª maior fatia entre os 417 municípios da Bahia; Cocos tem 65,3%, a 387ª. Os dados são do Censo 2022, consultados em 14 de outubro de 2026.
O que é cor ou raça no Censo e por que o IBGE pergunta
Segundo o IBGE, a cor ou raça da população é pesquisada com base na autodeclaração: o morador escolhe uma entre cinco categorias, preta, parda, branca, amarela ou indígena. A resposta é do próprio morador. O Censo é a principal referência sobre as condições de vida em todos os municípios, e a pergunta permite olhar a população por grupo, além de idade e sexo.
Minha cidade está incluída? Sim. O Censo que mede a cor ou raça no oeste da Bahia cobre os 417 municípios baianos, e a tabela mais abaixo traz as 24 cidades do oeste. Neste texto, a soma de pretos e pardos serve só para comparar os recortes; as duas categorias aparecem separadas nas tabelas.
Cor ou raça no oeste da Bahia: pretos passam de 8,1% para 13,0%
Entre 2010 e 2022, a população da região cresceu 14,3%, de 579,3 mil para 661,9 mil pessoas. Os que se declaram pretos passaram de 47.050 para 86.074 (+82,9%) e os pardos, de 361.182 para 407.243 (+12,8%). Os brancos ficaram quase parados: de 163.388 para 165.429 (+1,2%). No Brasil, o IBGE mostra que a população parda superou a branca pela primeira vez desde 1991.
Na Bahia, a fatia de pretos foi de 17,1% para 22,4%; no Brasil, de 7,6% para 10,2%. O oeste tem menos pretos que o estado (13,0% contra 22,4%), mas o avanço de 4,9 pontos percentuais é parecido com o baiano (5,3 pontos).
| Recorte | Branca 2022 (%) | Parda 2022 (%) | Preta 2022 (%) | Pretos e pardos 2022 (%) | Pretos e pardos 2010 (%) | Preta 2010 (%) |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Oeste da Bahia (24 municípios) | 25,0 | 61,5 | 13,0 | 74,5 | 70,5 | 8,1 |
| Bahia | 19,6 | 57,3 | 22,4 | 79,7 | 76,3 | 17,1 |
| Brasil | 43,5 | 45,3 | 10,2 | 55,5 | 50,7 | 7,6 |
O Censo registra o que cada pessoa declara, não o motivo da mudança. Como a população preta cresceu bem mais que o conjunto dos moradores, o aumento não é só crescimento demográfico. A causa não está na base, que não separa nascimentos, migração e mudança na forma de se declarar. Uma hipótese é que parte dos moradores passou a se declarar de outro modo; confirmá-la exigiria estudos do IBGE que acompanhem a mesma pessoa nos dois censos.
Em Formosa do Rio Preto, os pretos são 21,1% da população, de 8,7% em 2010
Formosa do Rio Preto teve o maior salto da região: a fatia de pretos subiu 12,4 pontos percentuais, de 8,7% para 21,1%, e chegou perto da média da Bahia. No total de pretos e pardos, a cidade está em 135º entre os 417 municípios, com 83,5%. Barreiras, a cidade mais populosa, tem 73,7% (319º) e 15,5% de pretos, de 9,7% em 2010. Luís Eduardo Magalhães tem 71,8% (346º) e 14,3% de pretos, de 7,0%.
Mansidão lidera a região com 95,0% de pretos e pardos, mas quase todos pardos: só 11,9% se declaram pretos. Já Jaborandi tem 79,3% de pretos e pardos e só 5,5% de pretos, a 402ª posição entre as cidades baianas nesse quesito. Para dimensionar cada cidade, veja a população do oeste da Bahia.
Como saber o da sua cidade
Para situar a cor ou raça no oeste da Bahia na sua cidade, use quatro réguas: a mediana dos 417 municípios baianos, em que pretos e pardos somam 80,0%; a média do oeste (74,5%); a da Bahia (79,7%); e a do Brasil (55,5%). Para outro recorte, abra a tabela 9605 do Sidra, escolha o município, a variável população residente e os anos de 2010 e 2022. A tabela abaixo traz as 24 cidades por ordem de pretos e pardos.
| Município | Moradores 2022 | Pretos e pardos 2022 (%) | Pretos e pardos 2010 (%) | Preta 2022 (%) | Preta 2010 (%) | Posição entre os 417 |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Mansidão | 13.919 | 95,0 | 89,9 | 11,9 | 8,1 | 3º |
| Formosa do Rio Preto | 25.899 | 83,5 | 78,4 | 21,1 | 8,7 | 135º |
| Riachão das Neves | 21.642 | 82,0 | 82,0 | 15,1 | 8,7 | 164º |
| Santa Rita de Cássia | 27.390 | 79,7 | 76,3 | 13,5 | 7,6 | 215º |
| Jaborandi | 9.275 | 79,3 | 70,0 | 5,5 | 7,0 | 224º |
| Cotegipe | 13.063 | 79,1 | 75,9 | 13,0 | 8,2 | 228º |
| Serra Dourada | 17.066 | 77,0 | 72,4 | 7,5 | 6,0 | 264º |
| São Desidério | 32.828 | 77,0 | 73,1 | 10,9 | 6,7 | 266º |
| Wanderley | 12.968 | 76,6 | 71,4 | 14,5 | 6,7 | 271º |
| Angical | 13.732 | 75,0 | 70,2 | 13,5 | 10,0 | 303º |
| Baianópolis | 13.614 | 74,2 | 69,3 | 7,6 | 4,9 | 317º |
| Correntina | 32.457 | 73,8 | 69,5 | 12,1 | 10,4 | 318º |
| Barreiras | 159.734 | 73,7 | 70,6 | 15,5 | 9,7 | 319º |
| Brejolândia | 9.108 | 73,7 | 70,2 | 9,3 | 9,1 | 320º |
| Cristópolis | 13.993 | 73,3 | 64,4 | 8,0 | 7,1 | 323º |
| Catolândia | 3.434 | 73,3 | 71,5 | 12,6 | 9,1 | 324º |
| Santa Maria da Vitória | 38.604 | 72,9 | 68,6 | 13,4 | 9,6 | 329º |
| Coribe | 13.990 | 72,4 | 67,1 | 7,5 | 5,9 | 334º |
| Luís Eduardo Magalhães | 107.909 | 71,8 | 65,8 | 14,3 | 7,0 | 346º |
| Santana | 24.755 | 70,4 | 66,0 | 11,2 | 6,4 | 357º |
| Tabocas do Brejo Velho | 11.979 | 69,9 | 65,7 | 6,2 | 4,4 | 360º |
| São Félix do Coribe | 15.194 | 69,0 | 66,4 | 11,7 | 8,4 | 368º |
| Canápolis | 10.225 | 66,1 | 60,9 | 7,2 | 6,1 | 383º |
| Cocos | 19.151 | 65,3 | 59,9 | 7,4 | 5,4 | 387º |
O que isso quer dizer para o morador e para o gestor
Para o morador, a cor ou raça no oeste da Bahia mostra como a vizinhança e a cidade se declaram, e permite comparar com o município ao lado. Para o gestor municipal e para quem planeja escola ou posto de saúde, a tabela mostra o perfil de cada cidade e como ele mudou em 12 anos. É um retrato da autodeclaração, não uma medida de renda, acesso a serviços ou desigualdade. Outras faces do mesmo Censo estão no levantamento sobre envelhecimento no oeste da Bahia e em alfabetização no oeste da Bahia.
O que os dados não respondem
Primeiro, por que a fatia de pretos cresceu na região: a base mostra o número, não o motivo. Segundo, como a cor ou raça se cruza com renda, escolaridade e acesso a serviços: isso exige tabelas próprias do Censo, ainda não levantadas aqui. Terceiro, a situação de quilombolas e indígenas, que o IBGE trata em tabelas específicas. O Portal do Cerrado fez recortes parecidos do Censo sobre a coleta de lixo no oeste da Bahia.
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Como o Portal do Cerrado apurou
O levantamento sobre cor ou raça no oeste da Bahia usa a tabela 9605 do Sidra, do IBGE, com a população residente por cor ou raça nos Censos de 2010 e 2022, para os 417 municípios baianos, a Bahia e o Brasil, consultada em 14 de outubro de 2026. O recorte regional é a mesorregião do Extremo Oeste Baiano, com 24 municípios; ficam de fora Barra e as cidades do Sul do Piauí. Os percentuais usam a população total de cada ano como base, e a posição considera os 417 municípios.
Há ressalvas. A cor ou raça é autodeclarada e não mede ancestralidade nem discriminação. A tabela 2093 do Sidra, que traz 2010 pela amostra, dá números ligeiramente diferentes; a 9605 foi usada porque traz os dois censos na mesma base. A soma de pretos e pardos é uma conta do Portal do Cerrado, não uma categoria do IBGE. A população do Censo 2022 difere da estimativa de 2026, citada em outros levantamentos, porque são pesquisas e anos diferentes.
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