O desmatamento no Oeste da Bahia caiu 38,8% entre agosto de 2025 e julho de 2026, segundo o Prodes, o monitoramento por satélite do INPE: foram 478 km² de vegetação nativa do Cerrado suprimidos, contra 781 km² um ano antes e o menor valor dos 14 anos de série anual. O INPE divulgou o resultado em 16 de outubro, em nota técnica e na notícia sobre as menores taxas da série histórica.
A queda não chegou a todas as cidades. Correntina (83 km²) e Baianópolis (78 km²) subiram e lideram o ranking baiano. Em Baianópolis, 2,35% do território teve vegetação nativa suprimida em um único ano, mais de cinco vezes a taxa do Oeste (0,41%).

O que é o Prodes e o que ele conta como desmatamento
O Prodes é o Projeto de Monitoramento do Desmatamento por Satélite do INPE, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Ele mapeia cada área maior que 1 hectare, um quadrado de 100 metros de lado, em que a vegetação nativa foi suprimida entre 1º de agosto e 31 de julho. Os dados saem do painel público TerraBrasilis.
O Prodes mede a supressão, não a ilegalidade. Numa nota técnica, o INPE diz que “o mapeamento Prodes não considera e nem avalia a legalidade do desmatamento”, de modo que áreas autorizadas e não autorizadas entram igual. A nota sobre o Cerrado também informa que a medição não depende do uso que a área recebe depois.
Pela lei, tirar mata nativa para lavoura ou pasto exige cadastro do imóvel no CAR e autorização prévia do órgão ambiental do estado, como o Inema na Bahia (art. 26 do Código Florestal, Lei 12.651/2012). Fora da Amazônia Legal, caso da Bahia, o imóvel rural deve manter 20% de vegetação nativa como Reserva Legal (art. 12).
A sua cidade está incluída: 23 dos 24 municípios do Extremo Oeste Baiano aparecem com supressão registrada em 2025/26. São Félix do Coribe não tem registro na base em nenhum período, e o painel não diz se foi zero supressão ou outro motivo.
O desmatamento no Oeste da Bahia caiu 38,8%, mas subiu em Correntina e Baianópolis
| Município | 2025/26 (km²) | 2024/25 (km²) | Variação (%) | % do território em 2025/26 | Posição entre os 1.048 do Cerrado |
|---|---|---|---|---|---|
| Correntina | 83,2 | 53,5 | +55,4 | 0,70 | 7º |
| Baianópolis | 78,4 | 45,7 | +71,5 | 2,35 | 8º |
| Jaborandi | 69,5 | 167,4 | −58,5 | 0,73 | 10º |
| Cocos | 62,4 | 71,6 | −12,9 | 0,61 | 14º |
| São Desidério | 47,2 | 145,5 | −67,6 | 0,31 | 21º |
| Formosa do Rio Preto | 43,5 | 63,9 | −31,9 | 0,27 | 23º |
| Santa Rita de Cássia | 26,4 | 29,9 | −11,5 | 0,44 | 44º |
| Barreiras | 15,4 | 66,6 | −76,9 | 0,20 | 89º |
| Riachão das Neves | 13,9 | 69,6 | −80,0 | 0,25 | 95º |
| Cotegipe | 9,9 | 7,6 | +30,0 | 0,24 | 138º |
| Cristópolis | 9,7 | 24,5 | −60,2 | 0,93 | 141º |
| Coribe | 5,6 | 5,8 | −3,4 | 0,22 | 224º |
| Santa Maria da Vitória | 3,1 | 2,8 | +12,6 | 0,16 | 326º |
| Tabocas do Brejo Velho | 2,6 | 5,1 | −49,5 | 0,19 | 375º |
| Brejolândia | 1,7 | 0,7 | — | 0,06 | 454º |
| Catolândia | 1,6 | 9,9 | −83,4 | 0,25 | 460º |
| Mansidão | 1,2 | 1,7 | −28,3 | 0,04 | 514º |
| Luís Eduardo Magalhães | 1,0 | 8,1 | −87,1 | 0,03 | 545º |
| Santana | 0,4 | 0,0 | — | 0,02 | 670º |
| Serra Dourada | 0,4 | 0,2 | — | 0,03 | 695º |
| Wanderley | 0,2 | 0,9 | — | 0,01 | 759º |
| Angical | 0,2 | 0,3 | — | 0,02 | 767º |
| Canápolis | 0,2 | 0,2 | — | 0,05 | 782º |
| São Félix do Coribe | sem registro | sem registro | — | — | — |
| Oeste da Bahia (24 cidades) | 477,8 | 781,2 | −38,8 | 0,41 | — |
| Bahia | 489,8 | 789,8 | −38,0 | — | — |
| Cerrado (13 estados) | 5.516,7 | 7.235,3 | −23,8 | — | — |
Seis cidades do Oeste estão entre as 25 com mais supressão em todo o Cerrado: Correntina (7ª), Baianópolis (8ª), Jaborandi (10ª), Cocos (14ª), São Desidério (21ª) e Formosa do Rio Preto (23ª). Entre os 1.048 municípios do bioma com registro, Paranã (TO) lidera, com 135 km².
Em proporção do território, o topo muda. Baianópolis teve 2,35%, Cristópolis 0,93%, Jaborandi 0,73% e Correntina 0,70%. Barreiras ficou em 0,20% e Luís Eduardo Magalhães, em 0,03%. A mediana das 24 cidades é 0,21%.
Em quilômetros, as maiores quedas foram em São Desidério (de 145 para 47 km²), Jaborandi (de 167 para 69), Riachão das Neves (de 70 para 14) e Barreiras (de 67 para 15). Subiram Correntina, Baianópolis, Cotegipe e Santa Maria da Vitória, entre as cidades que já tinham mais de 1 km² no ano anterior.
De onde vem o topo do ranking e o que a base não diz
O Prodes mostra onde e quanto, mas não de quem nem para quê. Por isso o painel não explica por que Correntina e Baianópolis subiram, e a causa não está na base. O que a série mostra é que os picos duram um ano: Jaborandi teve 342 km² em 2022/23 e 167 km² em 2024/25, e São Desidério chegou a 417 km² em 2022/23. Nos dez anos até 2025/26, a média do Oeste foi de 899 km² por ano; em 2025/26, foram 478.
Quem confere se a supressão tinha autorização é o órgão ambiental. Em 2023, a Sema e o Inema usaram os alertas do Deter, do INPE, o MapBiomas Alerta e o Cadastro Estadual Florestal de Imóveis Rurais para fiscalizar dez municípios do Oeste, como mostramos na época. Em março, a Cippa e o Inema encontraram uma supressão de cerca de 600 hectares em Formosa do Rio Preto, dentro de uma APA; a base não diz se essa área está contada nos números de 2025/26.
Pico em 2022/23 e queda de 76% desde então
| Período (1º/8 a 31/7) | Oeste da Bahia (km²) | Bahia (km²) | Cerrado (km²) |
|---|---|---|---|
| 2012/13 | 994 | 1.049 | 13.482 |
| 2013/14 | 843 | 860 | 10.904 |
| 2014/15 | 1.081 | 1.081 | 11.132 |
| 2015/16 | 637 | 649 | 7.497 |
| 2016/17 | 659 | 659 | 7.117 |
| 2017/18 | 588 | 598 | 7.260 |
| 2018/19 | 715 | 715 | 6.319 |
| 2019/20 | 754 | 769 | 7.903 |
| 2020/21 | 918 | 924 | 8.531 |
| 2021/22 | 1.420 | 1.428 | 10.689 |
| 2022/23 | 1.964 | 1.972 | 11.012 |
| 2023/24 | 713 | 723 | 8.174 |
| 2024/25 | 781 | 790 | 7.235 |
| 2025/26 | 478 | 490 | 5.517 |
O pico foi em 2022/23, com 1.964 km² no Oeste, que respondeu por 99,6% do desmatamento baiano naquele ano. Desde então a supressão caiu 75,7% no Oeste, contra 49,9% no Cerrado inteiro. Em 2025/26, o Oeste responde por 8,7% do bioma e 97,6% da Bahia.
A Bahia é o quarto estado do Cerrado, com 489,75 km² (−38,0%), atrás de Maranhão (1.718,59), Tocantins (1.263,06) e Piauí (625,24). Os quatro formam o Matopiba e somam 74,3% do total, segundo o INPE. Do outro lado da divisa, Baixa Grande do Ribeiro (PI) teve 84 km² e Alto Parnaíba (MA), 101 km², à frente de Correntina.
Como saber o desmatamento no Oeste da Bahia na sua cidade
Abra o painel do Cerrado no TerraBrasilis, escolha a visão por município e procure a sua cidade. Compare com as réguas: no Oeste, 0,41% do território em 2025/26 (0,67% em 2024/25) e mediana de 0,21% entre as cidades; na Bahia, 489,75 km²; no Cerrado, 5.516,69 km². A tabela acima traz as 24 cidades, com a posição entre os 1.048 municípios.
O que isso quer dizer para quem mora ou produz no Oeste
Para o produtor, a regra não mudou: abrir área exige CAR e autorização prévia do órgão estadual, e o imóvel deve manter 20% de Reserva Legal. O Prodes enxerga qualquer polígono acima de 1 hectare, autorizado ou não. Para o morador e para o gestor, a taxa por território compara cidades de tamanhos diferentes; Cristópolis, pequena, aparece à frente de Barreiras nessa conta.
O que os dados não respondem
- Por que o desmatamento subiu em Correntina e Baianópolis. Só o cruzamento com as autorizações de supressão do Inema e com o Cefir diria quanto era autorizado.
- O que cada área virou depois: lavoura, pasto ou carvão. O Prodes mede a supressão, não o uso.
- Quanto da queda de 2025/26 é fiscalização, clima ou mercado. A base descreve o movimento, não a causa.
Como o Portal do Cerrado apurou
Para medir o desmatamento no Oeste da Bahia, usamos o Prodes Cerrado 2026 no painel TerraBrasilis (INPE, atualizado em 16/10/2026): a série por município dos 1.048 municípios do bioma com supressão registrada, de 2012/13 a 2025/26, e a soma dos 24 municípios do Extremo Oeste Baiano (mesorregião 2901 do IBGE). A taxa divide os km² suprimidos pela área do município (IBGE, Sidra, tabela 1301, dado de 2010, e os limites podem ter sido revistos). Conferimos os totais do Cerrado e da Bahia com a nota técnica do INPE; o painel soma 489,85 km² na Bahia em 2025/26, 0,1 km² a mais que a nota.
Ressalvas: o Prodes cobre só o bioma Cerrado e polígonos acima de 1 hectare; não mede queimada nem degradação; os períodos anteriores a 2012/13 são bienais e ficaram fora. Não compare estes números com os do RAD do MapBiomas Alerta que noticiamos em maio de 2025: aquele relatório cobre todos os biomas baianos e usa outro método.
Veja também nossos levantamentos sobre as queimadas de setembro no Oeste e o extrativismo de madeira na região.
Participe
Você mora ou produz em Correntina, Baianópolis, Jaborandi ou Cocos? Conte nos comentários o município e o que mudou na sua região em 2025/26 que ajudaria a entender a variação, sem citar propriedades nem pessoas.
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