Terça-feira, 20 de outubro de 2026

Desmatamento no Oeste da Bahia cai 39%, mas sobe em Correntina e Baianópolis

O desmatamento no Oeste da Bahia caiu 38,8% em um ano, segundo o Prodes 2026 do INPE, mas subiu em Correntina e Baianópolis. Veja a taxa de cada uma das 24 cidades.

Desmatamento no Oeste da Bahia: imagem de satélite ilustrativa de desmatamento recente no Cerrado do Matopiba, em falsa cor
Imagem de satélite ilustrativa: desmatamento recente no Cerrado em São Félix de Balsas (MA), região do Matopiba, captado pelo satélite CBERS-4 em 3 de junho de 2018, em falsa cor (o solo exposto aparece em rosa). Imagem: Oton Barros/INPE, via Wikimedia Commons, sob licença CC BY-SA 2.0.

O desmatamento no Oeste da Bahia caiu 38,8% entre agosto de 2025 e julho de 2026, segundo o Prodes, o monitoramento por satélite do INPE: foram 478 km² de vegetação nativa do Cerrado suprimidos, contra 781 km² um ano antes e o menor valor dos 14 anos de série anual. O INPE divulgou o resultado em 16 de outubro, em nota técnica e na notícia sobre as menores taxas da série histórica.

A queda não chegou a todas as cidades. Correntina (83 km²) e Baianópolis (78 km²) subiram e lideram o ranking baiano. Em Baianópolis, 2,35% do território teve vegetação nativa suprimida em um único ano, mais de cinco vezes a taxa do Oeste (0,41%).

Desmatamento no Oeste da Bahia: imagem de satélite ilustrativa de desmatamento recente no Cerrado do Matopiba, em falsa cor
Imagem de satélite ilustrativa: desmatamento recente no Cerrado em São Félix de Balsas (MA), região do Matopiba, captado pelo satélite CBERS-4 em 3 de junho de 2018, em falsa cor (o solo exposto aparece em rosa). Imagem: Oton Barros/INPE, via Wikimedia Commons, sob licença CC BY-SA 2.0.

O que é o Prodes e o que ele conta como desmatamento

O Prodes é o Projeto de Monitoramento do Desmatamento por Satélite do INPE, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Ele mapeia cada área maior que 1 hectare, um quadrado de 100 metros de lado, em que a vegetação nativa foi suprimida entre 1º de agosto e 31 de julho. Os dados saem do painel público TerraBrasilis.

O Prodes mede a supressão, não a ilegalidade. Numa nota técnica, o INPE diz que “o mapeamento Prodes não considera e nem avalia a legalidade do desmatamento”, de modo que áreas autorizadas e não autorizadas entram igual. A nota sobre o Cerrado também informa que a medição não depende do uso que a área recebe depois.

Pela lei, tirar mata nativa para lavoura ou pasto exige cadastro do imóvel no CAR e autorização prévia do órgão ambiental do estado, como o Inema na Bahia (art. 26 do Código Florestal, Lei 12.651/2012). Fora da Amazônia Legal, caso da Bahia, o imóvel rural deve manter 20% de vegetação nativa como Reserva Legal (art. 12).

A sua cidade está incluída: 23 dos 24 municípios do Extremo Oeste Baiano aparecem com supressão registrada em 2025/26. São Félix do Coribe não tem registro na base em nenhum período, e o painel não diz se foi zero supressão ou outro motivo.

O desmatamento no Oeste da Bahia caiu 38,8%, mas subiu em Correntina e Baianópolis

Município2025/26 (km²)2024/25 (km²)Variação (%)% do território em 2025/26Posição entre os 1.048 do Cerrado
Correntina83,253,5+55,40,707º
Baianópolis78,445,7+71,52,358º
Jaborandi69,5167,4−58,50,7310º
Cocos62,471,6−12,90,6114º
São Desidério47,2145,5−67,60,3121º
Formosa do Rio Preto43,563,9−31,90,2723º
Santa Rita de Cássia26,429,9−11,50,4444º
Barreiras15,466,6−76,90,2089º
Riachão das Neves13,969,6−80,00,2595º
Cotegipe9,97,6+30,00,24138º
Cristópolis9,724,5−60,20,93141º
Coribe5,65,8−3,40,22224º
Santa Maria da Vitória3,12,8+12,60,16326º
Tabocas do Brejo Velho2,65,1−49,50,19375º
Brejolândia1,70,7—0,06454º
Catolândia1,69,9−83,40,25460º
Mansidão1,21,7−28,30,04514º
Luís Eduardo Magalhães1,08,1−87,10,03545º
Santana0,40,0—0,02670º
Serra Dourada0,40,2—0,03695º
Wanderley0,20,9—0,01759º
Angical0,20,3—0,02767º
Canápolis0,20,2—0,05782º
São Félix do Coribesem registrosem registro———
Oeste da Bahia (24 cidades)477,8781,2−38,80,41—
Bahia489,8789,8−38,0——
Cerrado (13 estados)5.516,77.235,3−23,8——
Fonte: INPE, Prodes Cerrado 2026 (painel TerraBrasilis), supressão de vegetação nativa de 1º/8 a 31/7. % do território = km² de 2025/26 sobre a área do município (IBGE, Sidra 1301). Variação em branco quando o ano anterior teve menos de 1 km². Bahia e Cerrado pela nota técnica do INPE. Consulta em 20/10/2026.

Seis cidades do Oeste estão entre as 25 com mais supressão em todo o Cerrado: Correntina (7ª), Baianópolis (8ª), Jaborandi (10ª), Cocos (14ª), São Desidério (21ª) e Formosa do Rio Preto (23ª). Entre os 1.048 municípios do bioma com registro, Paranã (TO) lidera, com 135 km².

Em proporção do território, o topo muda. Baianópolis teve 2,35%, Cristópolis 0,93%, Jaborandi 0,73% e Correntina 0,70%. Barreiras ficou em 0,20% e Luís Eduardo Magalhães, em 0,03%. A mediana das 24 cidades é 0,21%.

Em quilômetros, as maiores quedas foram em São Desidério (de 145 para 47 km²), Jaborandi (de 167 para 69), Riachão das Neves (de 70 para 14) e Barreiras (de 67 para 15). Subiram Correntina, Baianópolis, Cotegipe e Santa Maria da Vitória, entre as cidades que já tinham mais de 1 km² no ano anterior.

De onde vem o topo do ranking e o que a base não diz

O Prodes mostra onde e quanto, mas não de quem nem para quê. Por isso o painel não explica por que Correntina e Baianópolis subiram, e a causa não está na base. O que a série mostra é que os picos duram um ano: Jaborandi teve 342 km² em 2022/23 e 167 km² em 2024/25, e São Desidério chegou a 417 km² em 2022/23. Nos dez anos até 2025/26, a média do Oeste foi de 899 km² por ano; em 2025/26, foram 478.

Quem confere se a supressão tinha autorização é o órgão ambiental. Em 2023, a Sema e o Inema usaram os alertas do Deter, do INPE, o MapBiomas Alerta e o Cadastro Estadual Florestal de Imóveis Rurais para fiscalizar dez municípios do Oeste, como mostramos na época. Em março, a Cippa e o Inema encontraram uma supressão de cerca de 600 hectares em Formosa do Rio Preto, dentro de uma APA; a base não diz se essa área está contada nos números de 2025/26.

Pico em 2022/23 e queda de 76% desde então

Período (1º/8 a 31/7)Oeste da Bahia (km²)Bahia (km²)Cerrado (km²)
2012/139941.04913.482
2013/1484386010.904
2014/151.0811.08111.132
2015/166376497.497
2016/176596597.117
2017/185885987.260
2018/197157156.319
2019/207547697.903
2020/219189248.531
2021/221.4201.42810.689
2022/231.9641.97211.012
2023/247137238.174
2024/257817907.235
2025/264784905.517
Fonte: INPE, Prodes Cerrado (painel TerraBrasilis), valores arredondados. Os períodos anteriores a 2012/13 são bienais e não entram. Consulta em 20/10/2026.

O pico foi em 2022/23, com 1.964 km² no Oeste, que respondeu por 99,6% do desmatamento baiano naquele ano. Desde então a supressão caiu 75,7% no Oeste, contra 49,9% no Cerrado inteiro. Em 2025/26, o Oeste responde por 8,7% do bioma e 97,6% da Bahia.

A Bahia é o quarto estado do Cerrado, com 489,75 km² (−38,0%), atrás de Maranhão (1.718,59), Tocantins (1.263,06) e Piauí (625,24). Os quatro formam o Matopiba e somam 74,3% do total, segundo o INPE. Do outro lado da divisa, Baixa Grande do Ribeiro (PI) teve 84 km² e Alto Parnaíba (MA), 101 km², à frente de Correntina.

Como saber o desmatamento no Oeste da Bahia na sua cidade

Abra o painel do Cerrado no TerraBrasilis, escolha a visão por município e procure a sua cidade. Compare com as réguas: no Oeste, 0,41% do território em 2025/26 (0,67% em 2024/25) e mediana de 0,21% entre as cidades; na Bahia, 489,75 km²; no Cerrado, 5.516,69 km². A tabela acima traz as 24 cidades, com a posição entre os 1.048 municípios.

O que isso quer dizer para quem mora ou produz no Oeste

Para o produtor, a regra não mudou: abrir área exige CAR e autorização prévia do órgão estadual, e o imóvel deve manter 20% de Reserva Legal. O Prodes enxerga qualquer polígono acima de 1 hectare, autorizado ou não. Para o morador e para o gestor, a taxa por território compara cidades de tamanhos diferentes; Cristópolis, pequena, aparece à frente de Barreiras nessa conta.

O que os dados não respondem

  • Por que o desmatamento subiu em Correntina e Baianópolis. Só o cruzamento com as autorizações de supressão do Inema e com o Cefir diria quanto era autorizado.
  • O que cada área virou depois: lavoura, pasto ou carvão. O Prodes mede a supressão, não o uso.
  • Quanto da queda de 2025/26 é fiscalização, clima ou mercado. A base descreve o movimento, não a causa.

Como o Portal do Cerrado apurou

Para medir o desmatamento no Oeste da Bahia, usamos o Prodes Cerrado 2026 no painel TerraBrasilis (INPE, atualizado em 16/10/2026): a série por município dos 1.048 municípios do bioma com supressão registrada, de 2012/13 a 2025/26, e a soma dos 24 municípios do Extremo Oeste Baiano (mesorregião 2901 do IBGE). A taxa divide os km² suprimidos pela área do município (IBGE, Sidra, tabela 1301, dado de 2010, e os limites podem ter sido revistos). Conferimos os totais do Cerrado e da Bahia com a nota técnica do INPE; o painel soma 489,85 km² na Bahia em 2025/26, 0,1 km² a mais que a nota.

Ressalvas: o Prodes cobre só o bioma Cerrado e polígonos acima de 1 hectare; não mede queimada nem degradação; os períodos anteriores a 2012/13 são bienais e ficaram fora. Não compare estes números com os do RAD do MapBiomas Alerta que noticiamos em maio de 2025: aquele relatório cobre todos os biomas baianos e usa outro método.

Veja também nossos levantamentos sobre as queimadas de setembro no Oeste e o extrativismo de madeira na região.

Participe

Você mora ou produz em Correntina, Baianópolis, Jaborandi ou Cocos? Conte nos comentários o município e o que mudou na sua região em 2025/26 que ajudaria a entender a variação, sem citar propriedades nem pessoas.

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