Então é Natal. Noite Feliz!

Tito Matos e as lembranças natalinas de um jornalista apaixonado por Santa Rita de Cássia.

Lapinha na localidade de Porto Limpo em Formosa do Rio Preto (BA) montado para manter a tradição.

Trago bem vivos na memória os natais de minha meninice. Eram alegres, felizes. Lembro das lapinhas ou presépios cuidadosamente armados nos salões ou salas de muitos lares em Santa Rita, nossa terra NATAL.

Geralmente, essas “obras de arquitetura” passavam a ser exibidas quando começava dezembro. Os mais atraentes, os mais decorados pela riqueza de detalhes eram o de dona Preta, o de dona Marta, o de dona Enedina, o de dona Lecinha, o de dona Amazília, o de dona Luiza, o de dona Santinha Café, o de Jorge Correia, o de Arlinda/Alice Bomfim e muitos e muitos outros. Aqueles presépios tinham lindos enfeites: jumentimhos, vaquinhas, carneirinhos, camelos, galos, passarinhos, bibellôs de porcelana. etc, etc. Em destaque, no centro, a manjedoura. Nela, um berço simples forrado de capim e dentro dele o menino Jesus, sob
o olhar de doçura de São José e da Virgem Maria.

Ali ao lado, com olhar esperto para não deixar nenhum visitante mexer em seus enfeites, dona Preta nos alertava: “Deus nos deu Jesus como prova do seu grande amor por nós”. Quando nossos olhos fitavam aquela Sagrada Família apressávamos a fazer o sinal da cruz, respeitosamente, religiosamente, gesto que aprendemos nas aulas de Catecismo.

Na maioria das vezes, visitávamos esses presépios em grupo., visitava quase todos, ruas acima, ruas abaixo, sempre de roupa e sapatos novos. Entre os expositores e donos dessas lapinhas não havia competição, claro. Nós, hipocritamente, é que julgávamos qual delas era a mais atraente. Em cada casa, a gente dizia que “este é o mais bonito”. A intenção era agradar os anfitriões e com isso ganhar um pratinho de sobremesa com um pedaço de bolo, petas ou ginetes. As famílias mais abastadas nos ofereciam um copo de grapette, crush ou guaraná. As mais humildes nos ofertavam refresco de Q-suco, sabor uva ou abacaxi bem açucarado. Só a velha Josefa oferecia gengibirra. No final da tarde, no fim do passeio, barriga cheia, estufada. A gente voltava alegre para nossas casas na expectativa da visita noturna do Bom Velhinho. Na época, nós pensávamos que todo mundo era filho de Papai Noel. Puro engano. Foi num desses natais que uma crianca perguntou: “Mãeinha, , por que Papai Noel não visita casa de pobre, a nossa casa? Vai entender…

Hoje em dia, mesmo com os familiares e amigos em nossa volta, as noites natalinas já não são tão alegres, felizes, como as do passsdo de nossa infância. Vai saber. Meu sentimento é que “o passado não é o que passou, mas o que ficou do que passou.” Aqueles natais não passaram. Estão presentes “nos escaninhos de nossa memória”.

Assim como muita gente, também acho depressivas e melancólicas as músicas cantadas nas noites natalinas. Noite Feliz, então, nem se fala. Logo mais, talvez esteja um pouco mais esperançoso e escute Simone a cantar Então é Natal e o ex-Beatle John Lennon a nos dizer “Imagine” todas as pessoas vivendo sua vida em Paz…acima de nós apenas o céu, nenhum inferno sob nós…” Afinal, em noite ainda pandêmica, estamos vivos e bem vivos; um privilégio para torcer e desejar um Natal de Esperança numa noite feliz para mim e para os outros também.

Feliz Natal! Zé Tito.

Tito Matos

Zé Tito é jornalista, mora em Brasília
e nascido em Santa Rita de Cássia

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