Missão Compradores 2022 passa pela Bahia e impressiona visitantes

Representantes das maiores empresas têxteis mundiais conferem in loco as principais etapas do processo produtivo no Oeste do estado

O estado da Bahia, segundo maior produtor de algodão do Brasil, recebeu nesta quarta-feira (03), a visita da Missão Compradores 2022. A expedição promovida, desde 2015, pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), tem o apoio das estaduais, da ApexBrasil e da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) e traz representantes das mais importantes indústrias mundiais, sobretudo da Ásia, para ver de perto a moderna cotonicultura brasileira. São, ao todo, 21 integrantes, oriundos de seis países, Turquia, Vietnã, Paquistão, Coreia do Sul, Bangladesh e México. As empresas representadas na missão respondem por 30% do mercado internacional da fibra, com 8,5 milhões de toneladas de pluma, e por 60% das importações globais do produto.

Na Bahia, ciceroneados pelo presidente da Abrapa, Júlio Busato, e o da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Luiz Carlos Bergamaschi, pela diretoria da Abapa e pelos produtores locais, como Walter Horita (Grupo Horita), os visitantes conheceram fazendas, unidades de beneficiamento e o Centro de Análise de Fibras da associação, na cidade de Luís Eduardo Magalhães.

Eles também puderam ver aplicados os programas institucionais, como o Standard Brasil HVI (SBRHVI) e o Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que, dentre outros, permitem ao país ser hoje reconhecido pela qualidade da fibra, e como a maior origem global de Better Cotton Initiative (BCI), referência internacional em licenciamento de algodão produzido sob parâmetros de sustentabilidade.

Produção unificada

A empresa Squares Textiles, de Bangladesh, foi uma das integrantes da missão. O grupo existe desde 1958, e fabrica desde o fio até peças de roupas, o que demanda, por ano, 60 mil toneladas de pluma. Neste total, o algodão do Brasil participa com 10%, um número que os cotonicultores nacionais esperam ver aumentar, após a vinda do gerente de compras, Taslimul Hoque, ao país.

“Estive no Brasil em 2005 e o que vejo é que, desde então, houve uma grande evolução. A viagem está sendo muito esclarecedora e positiva, e a percepção geral que temos é de que a qualidade está aumentando”, atesta. Segundo Hoque, Bangladesh depende da importação de algodão e o Brasil, sendo um dos grandes exportadores, é uma origem muito importante. “As três grandes vantagens do Brasil em algodão são a colheita mecanizada, a sustentabilidade e o fato de a qualidade da fibra ser testada por parâmetros controlados e confiáveis de HVI (High Volume Instrument)”, enumera.

Taslimul Hoque destacou o que considera uma grande diferença da produção brasileira de algodão em relação à dos Estados Unidos. “Lá existem prêmios ou descontos, conforme a região, como o Sul do Texas, Texas, Memphis, Georgia e Califórnia. Já a produção no Brasil é unificada, o que é impressionante, porque as condições de cultivo em estados como Mato Grosso e Bahia, por exemplo, são totalmente diferentes”, ponderou, agradecendo à Abrapa e aos produtores pela oportunidade de ver de perto o modelo brasileiro de produção.

Taslimul Hoque da empresa Squares Textiles, de Bangladesh – Foto: Divulgação Abapa

Qualidade e preço

Quem também integrou a Missão Compradores 2022 foi a coreana Nancy Kim, gerente de suporte de vendas da empresa Kyungbang, que tem sede na Coreia do Sul, com fábricas no Vietnã. Na safra 2021/2022, o algodão brasileiro participa, excepcionalmente, com 80% de participação no montante de 37 mil toneladas ao ano que a indústria consome, mas, em média, o share da pluma nacional é de 50%.

Nancy Kim, gerente de suporte de vendas da empresa Kyungbang – Foto: Divulgação Abapa

“Utilizamos algodão americano, australiano e brasileiro e a razão pela preferência na pluma daqui é porque temos um algodão de qualidade a um preço menor do que o da concorrência. Poderíamos optar por outras origens, como México, África do Sul e Índia, mas, nesse caso, não teríamos a mesma qualidade”, diz. Visitando o Brasil pela primeira vez, Nancy Kim diz que a organização dos cotonicultores brasileiros merece destaque.

Ação estratégica

Para o presidente da Abapa, Luiz Carlos Bergamaschi, ao mostrar o algodão do Brasil, diretamente de onde ele é produzido, cria-se um encantamento nos clientes. “A tecnologia, a extensão das lavouras, a sustentabilidade e a qualidade nas análises são um orgulho para nós, produtores, mas a Missão Compradores é também a ocasião para entendermos as demandas e as dores dos nossos clientes, e isso nos permite aprimorar nos mais diversos aspectos”, considera Bergamaschi.

“Algo muito interessante é que, embora trabalhemos o algodão do Brasil como um só, cada região tem as suas peculiaridades. Juntas, elas estão ajudando o país a galgar posições no ranking dos exportadores e, em breve, dos produtores. A Abrapa, através do Cotton Brasil, tem agido estrategicamente neste sentido”, concluiu.

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