Crédito rural no oeste da Bahia cai 10,5% e algodão perde mais da metade do custeio

Levantamento do Portal do Cerrado na base do Banco Central mostra queda de 10,5% no custeio contratado pelos 24 municípios da região.

Plantação de algodão no oeste da Bahia, região onde o crédito rural no oeste da Bahia se concentra
Plantação de algodão no oeste da Bahia, em foto de arquivo de 2013. Foto: Petrônio Ramalho / Wikimedia Commons, sob licença CC BY-SA 4.0.

O crédito rural no oeste da Bahia somou R$ 3,03 bilhões em contratos de custeio entre janeiro e agosto de 2026, ou 10,5% menos que os R$ 3,39 bilhões tomados no mesmo período de 2025. Os valores estão na Matriz de Dados do Crédito Rural, base alimentada pelo Sistema de Operações do Crédito Rural (Sicor) e publicada pelo Banco Central, e foram compilados pelo Portal do Cerrado município a município nos 24 integrantes do Extremo Oeste Baiano.

A retração, porém, não é uniforme. A soja praticamente manteve o volume financiado, enquanto o algodão perdeu mais da metade do custeio contratado. Sete municípios, além disso, concentram R$ 2,66 bilhões, o equivalente a 87,9% de tudo o que a região tomou emprestado para tocar a lavoura no período.

Sete municípios concentram 88% do crédito rural no oeste da Bahia

Formosa do Rio Preto segue na ponta, com R$ 542,8 milhões, apesar da queda de 23,4% sobre 2025. Em seguida vêm São Desidério e Jaborandi. Na outra direção, Barreiras e Riachão das Neves cresceram, e Cocos mais que triplicou a partir de uma base pequena. A tabela abaixo traz os dez maiores tomadores e o total da mesorregião, em milhões de reais.

MunicípioJan–ago 2025Jan–ago 2026Variação
Formosa do Rio Preto708,6542,8−23,4%
São Desidério658,3512,0−22,2%
Jaborandi435,6432,5−0,7%
Correntina432,0352,0−18,5%
Luís Eduardo Magalhães342,2291,4−14,8%
Riachão das Neves246,5269,0+9,1%
Barreiras256,1265,4+3,6%
Santa Rita de Cássia54,363,3+16,6%
Cocos19,063,3+233,1%
São Félix do Coribe24,436,6+49,6%
Total dos 24 municípios3.388,13.031,4−10,5%
Valores de custeio em R$ milhões. Levantamento do Portal do Cerrado na Matriz de Dados do Crédito Rural do Banco Central, consultada em 20 de setembro de 2026.

Soja segura o total e o algodão perde mais da metade

Quando a mesma base é aberta por lavoura, o desenho muda. A soja sozinha responde por 64,2% do crédito rural no oeste da Bahia neste ano e ficou praticamente estável. O recuo do total vem, portanto, de outro lugar: o algodão financiado caiu 55%, e a pecuária e o milho também encolheram.

Lavoura ou criaçãoJan–ago 2025Jan–ago 2026Variação
Soja1.926,71.947,5+1,1%
Algodão639,6287,6−55,0%
Bovinos418,8364,1−13,1%
Milho213,6187,6−12,2%
Batata-inglesa66,081,8+23,9%
Valores de custeio em R$ milhões, somados nos 24 municípios do Extremo Oeste Baiano. Fonte: Matriz de Dados do Crédito Rural, Banco Central.

Vale lembrar que custeio é o dinheiro da safra em curso, e não da safra que vem. A janela de plantio da soja só se abre em 8 de outubro na região, de modo que o financiamento da temporada 2026/2027 ainda deve aparecer nos próximos meses da série.

Formosa do Rio Preto financia menos soja e mais milho

O município que é o 5º maior produtor agrícola do país mostra o movimento de forma nítida. A base do Banco Central registra também a área coberta por cada contrato, e é nela que a troca de lavoura aparece:

  • Soja: R$ 411,1 milhões e 89.440 hectares em 2026, contra R$ 514,8 milhões e 113.992 hectares em 2025.
  • Algodão: R$ 50,8 milhões e 5.169 hectares, contra R$ 143,4 milhões e 12.148 hectares.
  • Milho: R$ 73,9 milhões e 11.663 hectares, contra R$ 46,9 milhões e 7.525 hectares.
  • Bovinos: R$ 6,5 milhões, ante R$ 3,6 milhões no ano passado.

Ou seja: em Formosa do Rio Preto, a área de soja financiada caiu 21,5% e a de algodão, 57,4%, enquanto a de milho subiu 55%. Outros municípios da cobertura do Portal do Cerrado repetem o padrão em escala menor. Os dados não explicam a causa da troca, mas mostram onde o dinheiro entrou.

O que entra na conta do crédito de custeio

Custeio é a linha que paga semente, fertilizante, defensivo, combustível e mão de obra da safra. Ela não se confunde com investimento, que financia máquina e benfeitoria, nem com comercialização, que banca a estocagem e a venda. O levantamento acima cobre apenas custeio, e por isso o crédito rural no oeste da Bahia medido aqui fica abaixo de tudo o que o agro da região movimenta.

Para quem vai contratar, três consultas resolvem a maior parte das dúvidas. O Plano Safra 2026/2027 reúne R$ 525,1 bilhões para custeio, comercialização e investimento na agricultura empresarial. O portal de crédito rural do Banco Central traz as regras do Manual de Crédito Rural e a própria base usada nesta reportagem. E o zoneamento agrícola de risco climático define as janelas de semeadura que o financiamento exige para valer o seguro.

Como o Portal do Cerrado apurou o crédito rural no oeste da Bahia

O Portal do Cerrado consultou o recurso de contratos de custeio por município e produto da Matriz de Dados do Crédito Rural, filtrando um a um os 24 códigos do IBGE do Extremo Oeste Baiano. A série disponível vai até agosto de 2026, e por isso a comparação usa janeiro a agosto nos dois anos. Números de meses recentes ainda podem ser revistos pelo Banco Central.

Outras aberturas da mesma base, como investimento e comercialização, ficam para as próximas edições. Acompanhe o noticiário de economia do oeste baiano e as notícias de Barreiras para os próximos capítulos do crédito rural no oeste da Bahia.

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