Plantio da soja no oeste da Bahia só pode começar em 8 de outubro

Portaria federal encerra o vazio sanitário em 7 de outubro e libera a semeadura até 31 de dezembro em toda a Região 1 da Bahia, onde fica o cerrado produtivo.

Trator prepara o solo antes do plantio da soja no oeste da Bahia
Preparo de lavoura para a semeadura da soja. Foto ilustrativa: Marco Rosa, feita no Rio Grande do Sul em 2014, sob licença CC BY 3.0.

O plantio da soja no oeste da Bahia só pode começar em 8 de outubro de 2026. A data consta da Portaria SDA/MAPA nº 1.579, de 9 de abril de 2026, que fixou o vazio sanitário e o calendário de semeadura da oleaginosa em todo o país para a safra 2026/2027. Até lá, nenhuma planta viva de soja pode permanecer no campo. Portanto, faltam 18 dias para o encerramento do vazio sanitário e 19 para a abertura oficial da janela de semeadura no cerrado baiano.

O que a portaria federal define para o plantio da soja no oeste da Bahia

A portaria repartiu a Bahia em quatro regiões, cada uma com prazos próprios. Todos os municípios do Extremo Oeste Baiano citados no texto aparecem na Região 1. Nela, o vazio sanitário vai de 26 de junho a 7 de outubro de 2026. Em seguida, a semeadura fica liberada de 8 de outubro a 31 de dezembro de 2026.

Estão nessa relação Formosa do Rio Preto, Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, São Desidério, Riachão das Neves, Correntina, Jaborandi, Cocos, Santa Rita de Cássia, Mansidão, Cotegipe, Wanderley, Angical, Baianópolis e Santa Maria da Vitória. Ou seja, a mesma data vale para toda a faixa de cerrado produtivo da região, do Rio Preto ao vale do Corrente. Assim, não há janela antecipada para quem planta mais ao norte.

Por que o vazio sanitário termina só em 7 de outubro

O vazio sanitário é o intervalo em que a lavoura fica obrigatoriamente sem soja viva. A medida existe para cortar o ciclo da ferrugem asiática, e é justamente esse o motivo citado pela portaria do zoneamento agrícola da soja na Bahia, a SPA/MAPA nº 196, de 30 de junho de 2026. O artigo 2º dela manda observar o calendário da portaria nº 1.579 por causa da doença.

Na prática, o fungo perde o hospedeiro durante a entressafra e chega enfraquecido à safra seguinte. Quando o calendário é respeitado, a pressão da doença cai e o produtor gasta menos com fungicida. Por isso o plantio da soja no oeste da Bahia tem data de abertura definida por portaria, e não pelo calendário de cada fazenda. O Portal do Cerrado acompanha o tema desde 2024, quando registrou o início do vazio sanitário da soja no estado.

2,07 milhões de hectares esperam a abertura da janela

O tamanho do que está parado ajuda a entender o peso da data. Segundo a Produção Agrícola Municipal do IBGE, os 24 municípios do Extremo Oeste Baiano plantaram 2.077.430 hectares de soja em 2025 e colheram 8.569.565 toneladas. No mesmo ano, a Bahia inteira plantou 2.086.678 hectares e produziu 8.603.104 toneladas.

A conta é direta: a região responde por 99,6% da área e por 99,6% da produção baiana de soja. Além disso, apenas 14 dos 24 municípios da mesorregião registram lavoura de soja. Ou seja, o plantio da soja no oeste da Bahia é, na prática, o plantio da soja do estado inteiro. Quando a janela abre em 8 de outubro, quase toda essa área começa a ser semeada ao mesmo tempo, num raio de poucas centenas de quilômetros.

Quanto cada município plantou na safra 2025

Os sete maiores concentram quase toda a área. Veja os números do IBGE, em hectares plantados e toneladas colhidas:

  • São Desidério — 554.208 ha e 2.360.926 t
  • Formosa do Rio Preto — 533.851 ha e 2.241.106 t
  • Luís Eduardo Magalhães — 241.016 ha e 1.026.728 t
  • Barreiras — 234.596 ha e 957.855 t
  • Correntina — 204.686 ha e 764.912 t
  • Riachão das Neves — 147.411 ha e 628.118 t
  • Jaborandi — 117.611 ha e 438.807 t

Os dois primeiros sozinhos somam 1,08 milhão de hectares, mais da metade do total regional. Não por acaso, São Desidério, maior produtor de soja do país, e Formosa do Rio Preto no ranking agrícola nacional aparecem lado a lado no topo das estatísticas.

Como conferir a data certa antes do plantio da soja no oeste da Bahia

A abertura em 8 de outubro é o limite sanitário, não a recomendação agronômica. Quem quer enquadrar a lavoura no zoneamento precisa olhar também o ZARC, que indica período por município, por grupo de maturidade da cultivar e por tipo de solo. A portaria nº 196 separa as cultivares em três grupos nas macrorregiões 4 e 5 e classifica os solos em seis faixas de água disponível, da AD1 à AD6.

Cada combinação recebe uma indicação conforme a probabilidade de perda ficar abaixo de 20%, 30% ou 40%. Antes de semear, portanto, vale checar qual decêndio corresponde à sua cultivar e ao seu solo. A consulta é gratuita e o próprio programa nacional de zoneamento agrícola indica três caminhos:

  • o sistema SISZARC, que emite relatórios em PDF e em planilha;
  • o Painel de Indicação de Riscos do ZARC, com busca por município;
  • o aplicativo Plantio Certo, disponível para celular.

Resta o fator que nenhuma portaria controla: a chuva, que dá o tom real do plantio da soja no oeste da Bahia. A região atravessa dias seguidos de baixa umidade, e o monitoramento local ficou mais frágil porque duas das cinco estações do Inmet na região estão em pane. Enquanto isso, o calendário segue firme. Acompanhe as próximas atualizações do noticiário de Formosa do Rio Preto para saber como a safra começa.

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