
O horário de verão na Bahia voltou a aparecer entre as buscas em alta do país nesta sexta-feira (18), puxado por publicações que anunciam um retorno da medida em 2026. Até o fechamento deste texto, porém, nenhum ato oficial restabeleceu a hora de verão no Brasil. O que vale continua sendo o Decreto nº 9.772, de abril de 2019, que encerrou a hora de verão em todo o território nacional. Ou seja: no oeste baiano, os relógios seguem como estão.
O decreto que encerrou a hora de verão continua em vigor
O texto de 2019 tem uma ementa de uma linha: encerra a hora de verão no território nacional. Além disso, ele revogou 25 decretos editados entre 1991 e 2017. Antes dele valia o Decreto nº 6.558, de 2008, que fixava o período entre o terceiro domingo de outubro e o terceiro domingo de fevereiro. Em 2017, esse marco inicial foi adiado para o primeiro domingo de novembro.
A decisão de adotar ou não a medida cabe ao Ministério de Minas e Energia, com base no Decreto-Lei nº 4.295, de 1942. O parecer técnico vem do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, o CMSE. Portanto, qualquer retorno depende de um decreto novo, publicado no Diário Oficial da União. Anúncio em rede social, por mais detalhado que pareça, não muda fuso horário.
Horário de verão na Bahia: um único verão, o de 2011
A história do horário de verão na Bahia é curta, e pouca gente lembra dela. O estado entrou na medida pelo Decreto nº 7.584, de 2011, e adiantou os relógios naquele verão. A experiência durou uma única temporada. Em 15 de outubro de 2012, seis dias antes de a temporada seguinte começar, o Decreto nº 7.826 excluiu a Bahia da abrangência e incluiu o Tocantins no lugar.
O Tocantins também não ficou: saiu pelo Decreto nº 8.112, de 2013. Desde então, nenhum estado do Nordeste voltou a adiantar o relógio.
Por que o oeste baiano sentiria mais do que Salvador
Aqui entra um detalhe geográfico que quase nunca aparece nas matérias. O fuso de Brasília, UTC-3, tem como referência o meridiano de 45° oeste — que corta justamente o oeste da Bahia. Barreiras fica a 45,03° de longitude oeste, segundo as coordenadas das estações meteorológicas do Instituto Nacional de Meteorologia. Formosa do Rio Preto está a 45,20°, e Luís Eduardo Magalhães, a 45,71°. Salvador, no outro extremo do estado, fica a 38,51°.
Com essas longitudes dá para calcular o meio-dia solar de cada cidade, pelo relógio:
- Luís Eduardo Magalhães: meio-dia solar às 12h03
- Formosa do Rio Preto: 12h01
- Barreiras: 12h00
- Correntina: 11h58
- Santa Rita de Cássia: 11h58
- Salvador: 11h34
São quase 29 minutos de diferença entre Luís Eduardo Magalhães e a capital. Os valores são de hora solar média, calculada a partir da longitude de cada estação, e a equação do tempo faz o número oscilar alguns minutos ao longo do ano. Ainda assim, a conclusão não muda: o fim de tarde do oeste baiano já é naturalmente mais esticado do que o do litoral. Com uma hora a mais no relógio, o meio-dia solar em Luís Eduardo Magalhães cairia às 13h03, e o escurecer acompanharia o mesmo deslocamento.
O argumento técnico que deixa o Nordeste de fora
O ministério explica, na página de perguntas frequentes sobre a hora de verão, por que Norte e Nordeste nunca entraram: as duas regiões estão mais próximas da linha do Equador, onde a variação da luz natural entre as estações é pequena. Os melhores resultados, segundo o próprio texto oficial, aparecem no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste.
O objetivo declarado, aliás, nunca foi baratear a conta de luz de cada casa. A meta é achatar a curva de consumo e deslocar o pico de demanda, concentrado entre 18h e 20h, aliviando linhas de transmissão e redes de distribuição. É um cálculo de sistema elétrico, não de bolso.
Horário de verão na Bahia: o que muda na rotina de Formosa do Rio Preto
Enquanto não houver decreto, nada muda. Bancos, comércio, escolas, horários de ônibus intermunicipais e transmissões esportivas seguem o mesmo relógio. O celular, da mesma forma, só ajusta a hora sozinho quando a regra do fuso muda oficialmente — e essa alteração não existe hoje.
Para quem vive do campo, o efeito seria indireto. A jornada na lavoura acompanha o sol, e não o ponteiro. O que pesa mesmo na rotina do produtor é o tempo: nas últimas semanas a região passou do veranico que esticou o calor para os alertas de chuva no oeste da Bahia, num intervalo de poucos dias. Antes disso, em agosto, veio a onda de calor que elevou as temperaturas na região.
Horário de verão na Bahia: o que acompanhar até novembro
Duas datas servem de referência. Pela regra de 2008, a hora de verão começaria no terceiro domingo de outubro, que em 2026 cai em 18 de outubro. Pela alteração de 2017, o início seria no primeiro domingo de novembro, ou seja, 1º de novembro. Nenhuma das duas produz efeito hoje, porque o decreto que as sustentava foi revogado.
Se algo mudar, o caminho será o mesmo: parecer do CMSE, decreto assinado e publicação no Diário Oficial. Até lá, desconfie de mensagem que traz data e hora exatas de um retorno e confira a informação na página do Ministério de Minas e Energia. Vale a mesma régua do recente corte de tributos sobre o etanol: o que conta é o ato publicado, não o anúncio.
O Portal do Cerrado acompanha o tema e atualiza esta página se houver decisão oficial. Outras informações da região estão nas notícias de Formosa do Rio Preto.
