Se querem isolar Ciro é porque ele tem algo a dizer, diz vice Kátia Abreu

Gabriela Sá Pessoa   | São Paulo (SP) | Folhapress

 

 

“O jogo foi muito bruto em cima do Ciro”, diz a senadora Kátia Abreu (PDT), anunciada neste domingo (5) como vice na chapa do presidenciável Ciro Gomes (PDT). No entanto, para ela, a ação dos adversários  para isolar o pedetista na eleição “não deixa de ser um bom sinal”.
“Se eles estão preocupados em esvaziar o tempo de TV, é porque ele tem algo a dizer”, afirmou Abreu à reportagem neste domingo, por telefone.
A senadora, que avaliava disputar o governo do Tocantins, conta que recebeu a proposta de seu partido na quinta-feira (2), um depois de o PSB, cortejado pelo PDT, anunciar a neutralidade na disputa presidencial, em um acordo com o PT.

 

Ela conta que torcia, junto com a legenda, para ter mais alianças que fossem “boas para todo mundo”. Não foi desta vez, e Abreu teve de abrir mão de se sua candidatura a governadora. “Se não tiver jeito de salvar o Brasil, não tem como salvar o Tocantins”, argumentou.
“É público e notório que Michel Temer está apoiando o Alckmin e lutou para que o centrão permanecesse no mesmo grupo. Não deixa de ser uma continuidade coordenada”, ela afirma. “E o próprio PT não quer dividir o topo.”
Abreu foi expulsa do MDB de Temer em 2017, devido aos ataques que fez à sigla e ao governo do emedebista.

Ela se recusou a deixar o Ministério da Agricultura, que ocupava no governo de Dilma Rousseff (PT). Amiga de Dilma, a senadora tornou-se uma de suas defensoras mais aguerridas. Ela votou contra o afastamento da petista no Senado e a consequente ascensão de Temer ao Planalto.

O apoio à ex-presidente não passou em branco para Ciro Gomes. “Ela é uma mulher de honra e que foi firme contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff”, disse o presidenciável.
Ex-presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), a tocantinense se filiou ao PDT em abril, para disputar o governo nas eleições suplementares de junho. Chegou a liderar as pesquisas, mas acabou ficando de fora do segundo turno.

Parte de uma chapa de centro-esquerda, a pecuarista -que, além do MDB, já foi filiada ao PFL, DEM e PSD- diz que continua com a mesma posição política de sempre: o centro.
“Mesmo na CNA, que é uma casa muito radical e de direita, eu tinha um trabalho duro lá dentro para mudar essa imagem. A produção não tem que ter lado, radicalismo. A gente precisa buscar o equilíbrio, sempre no centro”, afirma a congressista.

Pesou na escolha de Kátia Abreu para acompanhar Ciro Gomes nas urnas a interlocução da senadora com o agronegócio. “Se me escolheram, é por conta dos meus atributos. E não é de beleza, que não tenho nenhuma, mas de conhecimento”, ela diz.
Em discursos e entrevistas, Ciro Gomes defende uma agenda nacionalista, com presença do estado na economia e críticas a banqueiros. “Sou liberal, democrata e acredito na força da iniciativa privada. Mas acredito também que, nos piores momentos, o governo é uma força fundamental para agilizar processos, como a redução da pobreza”, comenta a candidata a vice.

A ex-ministra oferecerá ao presidenciável suas propostas para o agronegócio. Antes da proposta para integrar a chapa, ela conta que já tinha sido convidada para integrar a equipe que definirá o plano de governo pedetista para o setor.
“Não me dediquei a nada na minha vida mais do que à produção agropecuária, buscando exportações, eficiência e competitividade. Pode ter uns nervosos aí porque apoiei a Dilma no impeachment, mas ninguém pode dizer que eu atrapalhei o setor um dia na vida”, diz Abreu. 

A senadora ainda discute suas “propostas ousadas” para o setor com Gomes e não quis detalhar o que irão propor. Serão “poucas atitudes, firmes” para tentar impulsionar a exportação.
“A agricultura familiar está muito empobrecida e a comercial só veio até aqui muito pela sua própria eficiência em exportar. Nessa área, o governo não tem colaborado em abrir mercado. A agricultura tem feito isso sozinha”, afirma a ex-ministra.

Kátia Abreu é investigada em razão de uma acusação de delatores da Odebrecht, que disseram que ela recebeu R$ 500 mil da empresa em caixa dois na campanha de 2014.
“Passou-se quase um ano, não conseguiram prova nenhuma”,ela diz. “Não tem denúncia, tem uma investigação em curso. Se todo mundo que a mídia denunciar e todo mundo que delatou já é culpado, fica difícil pensar pela democracia.”

Sobre Darlan Alves Lustosa 7933 Artigos
Darlan Alves Lustosa é um formosense que gosta da escrita e acredita que a política é um meio de transformação da vida das pessoas.Vive e mora em Formosa do Rio Preto, no extremo Oeste da Bahia com registro profissional 6978/BA
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