Aniversário das Diretas Já!

Foto: Fábio Cristiano

Ao final da década de 70, a crise econômica e mundial do petróleo – aliada às pressões de caráter social, político e humanitário- força o país a abrir as portas lentamente para o processo de redemocratização. Ainda que em meio ao processo de ditadura a sociedade vai pouco a pouco se organizando e criando forças para superar a grande fragmentação política e social forçada pela repressão. Os movimentos sociais populares crescem principalmente na Região Sudeste onde o movimento grevista é iniciado pelo Sindicato dos Trabalhadores do setor da indústria de São Paulo. Destaca-se aí a participação do sindicalista do ex presidente Lula. Esse momento é marcado pelo Movimento Diretas Já”, em 1985, contando com o apoio de políticos, educadores e intelectuais que haviam retornado ao país após a anistia no final de 1979. Momento histórico na recuperação de direitos políticos, sociais, humanos e culturais. O povo foi às ruas movido pela necessidade, desejo e sonho de derrubar a ditadura! As letras deste texto pouco conseguem traduzir as dores dessas lutas, tampouco a importância os significados desse movimento na vida da nação brasileira.

Passando agora por mais um aniversário desse acontecimento muitas reflexões tomam de assalto nossos sentidos. Lembro Frigotto quando ele chama atenção para as contradições desse sistema
complexo e contraditório dizendo: “parece que quando encontramos as respostas o sistema muda as perguntas”.

Iniciamos a reabertura política do Brasil em 1985 com um Colégio Eleitoral elegendo Tancredo Neves que morre antes da posse e José Sarney assume. Momento de contradições políticas e  influência de algumas facções e interesses do regime anterior.

A repercussão desse processo na educação, por exemplo, tornará a escola pública uma realidade no cenário nacional. Mas a sua qualidade diminuiu e seu objetivo passou, segundo Iosif, (2009), a
ser ainda mais ambíguo e duvidoso. A expansão do ensino não pretendeu um povo autônomo e emancipado, ao contrário, tinha como finalidade maior formar mão de obra especializada para trabalhar  no setor industrial e difundir os mesmos valores, princípios e ideias defendidas pelos governos autoritários.

No plano internacional, destaca-se o fim do bloco dos países do socialismo real e a queda do Muro de Berlim em 1989. Vem e vai o governo de Collor/Itamar em seguida, Fernando Henrique
Cardoso. Inicia-se, a partir do mandato do primeiro presidente eleito pelo voto do povo, a expansão das políticas globalizadas neoliberais, que abrem espaço para processos sofisticados de colonização dos países pobres, ou “em desenvolvimento”, como é o caso do Brasil e outros tantos da América Latina e África (BORON, 2002). Antes mesmo de consolidarmos nossa economia e nosso sistema de educação aliado a um projeto progressista de desenvolvimento da nação brasileira.

Veleu a pena toda a luta empreendida pelas Diretas Já, pelo alcance à democracia. Mas elas não foram suficientes para dar garantia de igualdade e justiça social. A cidadania continua sendo
uma luta de todo dia. Os governos de Lula e Dilma implementaram muitas políticas públicas importantes para saldar o débito social. Mas, a lógica da bruta concentração de riqueza, precisa ser consolidada por esse governo popular com a realização das reformas na estrutura do estado brasileiro.

Maria Anália Miranda – Possui graduação em licenciatura em Geografia pela UFG e mestrado em Educação pela PUC/GO. Atualmente é Professora do Departamento de Ciências Humanas da Uneb Campus IX

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