O ensino fundamental rural no oeste da Bahia varia de 3,8% das matrículas em Luís Eduardo Magalhães a 71,7% em São Desidério, mostra um novo cruzamento do Portal do Cerrado no painel do Censo Escolar 2026. Nos 24 municípios do Extremo Oeste Baiano, a zona rural responde por 31,5% das 47.604 matrículas dos anos iniciais (1º ao 5º ano) e por 30,5% das 37.047 matrículas dos anos finais (6º ao 9º ano) — bem acima dos 9,6% já registrados no ensino médio rural da região.
O levantamento cruza, pela primeira vez nesta série, duas informações que o painel oficial do Inep já trazia separadas: a localização da escola e a etapa de ensino. O resultado explica por que a escola rural no oeste da Bahia, que soma 26% de todas as matrículas da região, pesa de forma tão desigual entre as cidades.
São Desidério lidera o ensino fundamental rural no oeste da Bahia
Dez dos 24 municípios têm mais da metade das matrículas de anos iniciais na zona rural. São Desidério lidera a região com 71,7% nos anos iniciais e 67,4% nos anos finais — os dois maiores percentuais do Extremo Oeste Baiano em ambas as etapas. Logo atrás vem Baianópolis, com 68,1% e 68,2%, e Cristópolis, com 61,0% e 59,0%. Também passam de 50% nos anos iniciais: Canápolis, Correntina, Tabocas do Brejo Velho, Mansidão, Riachão das Neves, Cotegipe e Brejolândia.
- São Desidério: 71,7% dos anos iniciais e 67,4% dos anos finais são rurais.
- Baianópolis: 68,1% dos anos iniciais e 68,2% dos anos finais são rurais.
- Cristópolis: 61,0% dos anos iniciais e 59,0% dos anos finais são rurais.
- Luís Eduardo Magalhães: só 3,8% dos anos iniciais e 3,2% dos anos finais são rurais, a menor fatia da região.
Nas duas maiores cidades, o fundamental rural quase não existe
No outro extremo, Luís Eduardo Magalhães tem a menor fatia rural do fundamental da região: apenas 3,8% dos anos iniciais e 3,2% dos anos finais. Barreiras, a segunda maior cidade do Extremo Oeste Baiano, também fica bem abaixo da média regional, com 13,3% e 10,8%. São Félix do Coribe, mesmo sem o porte das duas maiores cidades, repete o padrão urbano: 16,9% e 18,9%. A diferença acompanha o tamanho da zona urbana de cada município.
Formosa do Rio Preto, a primeira referência local do Portal do Cerrado, fica perto da média da região nos anos iniciais (30,5% rurais), mas cai para 17,6% nos anos finais — uma queda de quase 13 pontos percentuais entre as duas etapas, parecida com a de Wanderley (de 30,8% para 18,9%) e de Riachão das Neves (de 55,8% para 44,0%).
Cotegipe e Santa Maria da Vitória fogem do padrão
Na maioria das cidades, a fatia rural do ensino fundamental cai dos anos iniciais para os anos finais. Mas dois municípios fazem o caminho inverso. Em Cotegipe, a zona rural responde por 53,9% dos anos iniciais e sobe para 85,0% dos anos finais — o maior salto da região, de mais de 31 pontos. Em Santa Maria da Vitória, o movimento é parecido: de 46,6% para 70,5%, um avanço de quase 24 pontos.
A base consultada não diz por que esses dois municípios se comportam de forma oposta à maioria da região, e por isso o ensino fundamental rural no oeste da Bahia, neste ponto, fica sem explicação neste texto: o Censo Escolar registra onde o aluno está matriculado, não a razão da política municipal por trás do número.
Ensino fundamental rural no oeste da Bahia, cidade por cidade
A tabela reúne o percentual rural de cada uma das 24 cidades do Extremo Oeste Baiano nas duas etapas do fundamental, da maior para a menor fatia rural nos anos iniciais. Os microdados completos do Censo Escolar ficam abertos para qualquer pessoa consultar no site do Inep.
| Município | % rural — anos iniciais | % rural — anos finais |
|---|---|---|
| São Desidério | 71,7% | 67,4% |
| Baianópolis | 68,1% | 68,2% |
| Cristópolis | 61,0% | 59,0% |
| Canápolis | 59,4% | 36,5% |
| Correntina | 56,9% | 49,6% |
| Tabocas do Brejo Velho | 56,0% | 42,7% |
| Mansidão | 55,8% | 50,8% |
| Riachão das Neves | 55,8% | 44,0% |
| Cotegipe | 53,9% | 85,0% |
| Brejolândia | 51,9% | 54,5% |
| Coribe | 51,4% | 49,1% |
| Serra Dourada | 51,3% | 43,4% |
| Angical | 48,3% | 45,2% |
| Santa Maria da Vitória | 46,6% | 70,5% |
| Catolândia | 40,1% | 29,9% |
| Santana | 39,6% | 43,8% |
| Cocos | 33,3% | 31,5% |
| Jaborandi | 32,2% | 32,0% |
| Santa Rita de Cássia | 31,0% | 29,2% |
| Wanderley | 30,8% | 18,9% |
| Formosa do Rio Preto | 30,5% | 17,6% |
| São Félix do Coribe | 16,9% | 18,9% |
| Barreiras | 13,3% | 10,8% |
| Luís Eduardo Magalhães | 3,8% | 3,2% |
Como o Portal do Cerrado apurou o ensino fundamental rural no oeste da Bahia
Os números vêm do painel de resultados do Censo Escolar publicado pelo Inep no Diário Oficial da União, filtrado por Bahia e depois pelos 24 municípios do Extremo Oeste Baiano. O Portal do Cerrado extraiu a tabela duas vezes, uma com a localização da escola em “Rural” e outra em “Urbana”, e somou as duas para conferir que o total bate com a matrícula geral de cada etapa já publicada nesta série.
É o mesmo resultado preliminar do Censo Escolar 2026 usado nas reportagens anteriores sobre a rede que mantém o ensino fundamental e sobre o ensino médio rural da região, por isso está sujeito a revisão quando o Inep divulgar o resultado definitivo.
Assim como no levantamento sobre creche e pré-escola rural, publicado nesta mesma série, o dado de localização da escola não equivale a onde o aluno mora: uma criança da zona rural pode estudar numa escola urbana, e o contrário também acontece, embora seja mais raro. O Censo Escolar classifica pela localização do prédio escolar, não pelo endereço de quem estuda nele.
Viu algum erro nesta matéria? Avise a redação · Sugira uma pauta




Comente
Os comentários passam por moderação. Seja respeitoso: ataques pessoais, discurso de ódio e propaganda não são publicados.