Quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Ensino fundamental rural no oeste da Bahia vai de 3,8% a 71,7% entre as 24 cidades

Censo Escolar 2026 mostra que a zona rural soma 31,5% dos anos iniciais e 30,5% dos anos finais no oeste da Bahia, variando de 3,8% a 71,7% entre as 24 cidades da região.

Escola na zona rural do interior da Bahia, tema do ensino fundamental rural no oeste da Bahia
Escola em zona rural do sudoeste da Bahia. Foto: Elói Correa/AGECOM-BA, sob licença CC BY 2.0.

O ensino fundamental rural no oeste da Bahia varia de 3,8% das matrículas em Luís Eduardo Magalhães a 71,7% em São Desidério, mostra um novo cruzamento do Portal do Cerrado no painel do Censo Escolar 2026. Nos 24 municípios do Extremo Oeste Baiano, a zona rural responde por 31,5% das 47.604 matrículas dos anos iniciais (1º ao 5º ano) e por 30,5% das 37.047 matrículas dos anos finais (6º ao 9º ano) — bem acima dos 9,6% já registrados no ensino médio rural da região.

O levantamento cruza, pela primeira vez nesta série, duas informações que o painel oficial do Inep já trazia separadas: a localização da escola e a etapa de ensino. O resultado explica por que a escola rural no oeste da Bahia, que soma 26% de todas as matrículas da região, pesa de forma tão desigual entre as cidades.

São Desidério lidera o ensino fundamental rural no oeste da Bahia

Dez dos 24 municípios têm mais da metade das matrículas de anos iniciais na zona rural. São Desidério lidera a região com 71,7% nos anos iniciais e 67,4% nos anos finais — os dois maiores percentuais do Extremo Oeste Baiano em ambas as etapas. Logo atrás vem Baianópolis, com 68,1% e 68,2%, e Cristópolis, com 61,0% e 59,0%. Também passam de 50% nos anos iniciais: Canápolis, Correntina, Tabocas do Brejo Velho, Mansidão, Riachão das Neves, Cotegipe e Brejolândia.

  • São Desidério: 71,7% dos anos iniciais e 67,4% dos anos finais são rurais.
  • Baianópolis: 68,1% dos anos iniciais e 68,2% dos anos finais são rurais.
  • Cristópolis: 61,0% dos anos iniciais e 59,0% dos anos finais são rurais.
  • Luís Eduardo Magalhães: só 3,8% dos anos iniciais e 3,2% dos anos finais são rurais, a menor fatia da região.

Nas duas maiores cidades, o fundamental rural quase não existe

No outro extremo, Luís Eduardo Magalhães tem a menor fatia rural do fundamental da região: apenas 3,8% dos anos iniciais e 3,2% dos anos finais. Barreiras, a segunda maior cidade do Extremo Oeste Baiano, também fica bem abaixo da média regional, com 13,3% e 10,8%. São Félix do Coribe, mesmo sem o porte das duas maiores cidades, repete o padrão urbano: 16,9% e 18,9%. A diferença acompanha o tamanho da zona urbana de cada município.

Formosa do Rio Preto, a primeira referência local do Portal do Cerrado, fica perto da média da região nos anos iniciais (30,5% rurais), mas cai para 17,6% nos anos finais — uma queda de quase 13 pontos percentuais entre as duas etapas, parecida com a de Wanderley (de 30,8% para 18,9%) e de Riachão das Neves (de 55,8% para 44,0%).

Cotegipe e Santa Maria da Vitória fogem do padrão

Na maioria das cidades, a fatia rural do ensino fundamental cai dos anos iniciais para os anos finais. Mas dois municípios fazem o caminho inverso. Em Cotegipe, a zona rural responde por 53,9% dos anos iniciais e sobe para 85,0% dos anos finais — o maior salto da região, de mais de 31 pontos. Em Santa Maria da Vitória, o movimento é parecido: de 46,6% para 70,5%, um avanço de quase 24 pontos.

A base consultada não diz por que esses dois municípios se comportam de forma oposta à maioria da região, e por isso o ensino fundamental rural no oeste da Bahia, neste ponto, fica sem explicação neste texto: o Censo Escolar registra onde o aluno está matriculado, não a razão da política municipal por trás do número.

Ensino fundamental rural no oeste da Bahia, cidade por cidade

A tabela reúne o percentual rural de cada uma das 24 cidades do Extremo Oeste Baiano nas duas etapas do fundamental, da maior para a menor fatia rural nos anos iniciais. Os microdados completos do Censo Escolar ficam abertos para qualquer pessoa consultar no site do Inep.

Município% rural — anos iniciais% rural — anos finais
São Desidério71,7%67,4%
Baianópolis68,1%68,2%
Cristópolis61,0%59,0%
Canápolis59,4%36,5%
Correntina56,9%49,6%
Tabocas do Brejo Velho56,0%42,7%
Mansidão55,8%50,8%
Riachão das Neves55,8%44,0%
Cotegipe53,9%85,0%
Brejolândia51,9%54,5%
Coribe51,4%49,1%
Serra Dourada51,3%43,4%
Angical48,3%45,2%
Santa Maria da Vitória46,6%70,5%
Catolândia40,1%29,9%
Santana39,6%43,8%
Cocos33,3%31,5%
Jaborandi32,2%32,0%
Santa Rita de Cássia31,0%29,2%
Wanderley30,8%18,9%
Formosa do Rio Preto30,5%17,6%
São Félix do Coribe16,9%18,9%
Barreiras13,3%10,8%
Luís Eduardo Magalhães3,8%3,2%
Fonte: Censo Escolar da Educação Básica 2026 (resultado preliminar), painel de resultados do Inep no Diário Oficial da União. Consulta feita pelo Portal do Cerrado em 1º de outubro de 2026.

Como o Portal do Cerrado apurou o ensino fundamental rural no oeste da Bahia

Os números vêm do painel de resultados do Censo Escolar publicado pelo Inep no Diário Oficial da União, filtrado por Bahia e depois pelos 24 municípios do Extremo Oeste Baiano. O Portal do Cerrado extraiu a tabela duas vezes, uma com a localização da escola em “Rural” e outra em “Urbana”, e somou as duas para conferir que o total bate com a matrícula geral de cada etapa já publicada nesta série.

É o mesmo resultado preliminar do Censo Escolar 2026 usado nas reportagens anteriores sobre a rede que mantém o ensino fundamental e sobre o ensino médio rural da região, por isso está sujeito a revisão quando o Inep divulgar o resultado definitivo.

Assim como no levantamento sobre creche e pré-escola rural, publicado nesta mesma série, o dado de localização da escola não equivale a onde o aluno mora: uma criança da zona rural pode estudar numa escola urbana, e o contrário também acontece, embora seja mais raro. O Censo Escolar classifica pela localização do prédio escolar, não pelo endereço de quem estuda nele.

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