Quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Ensino médio rural chega a 58% em Angical, no oeste da Bahia

Levantamento do Censo Escolar mostra como o ensino médio rural se divide entre as redes no oeste da Bahia: de zero a 58% das matrículas, conforme a cidade.

Escola rural de ensino médio, tema do levantamento sobre o ensino médio rural por rede no oeste da Bahia
Escola de ensino médio em zona rural do sudoeste baiano, em 2010. Foto: Elói Correa/AGECOM, Governo da Bahia, sob licença CC BY 2.0.

O ensino médio rural por rede no oeste da Bahia se distribui de forma bem diferente de cidade para cidade: em Angical, 57,8% das matrículas da etapa ficam na zona rural — a maior fatia entre as 24 cidades do Extremo Oeste Baiano —, enquanto em outras oito cidades da região não existe nenhuma matrícula de ensino médio fora da sede.

O levantamento do Portal do Cerrado, feito a partir do painel oficial do Censo Escolar 2026 do Inep, cruzou pela primeira vez duas informações que, sozinhas, já tinham sido publicadas aqui: a localização da escola (rural ou urbana) e a rede que a mantém (estadual, municipal ou privada conveniada). O resultado explica uma peça que faltava: por que o ensino médio rural quase não existe em algumas cidades e, em outras, passa de metade da etapa.

Angical foge do padrão da região

Das 24 cidades do Extremo Oeste Baiano, Angical é a única em que a escola rural é maioria no ensino médio: 331 das 573 matrículas da cidade, ou 57,8% — o maior número do ensino médio rural por rede no oeste da Bahia. A conta só fecha assim porque Angical soma duas redes ao mesmo tempo.

A rede estadual, que sozinha responde por 97,8% do ensino médio de toda a região, tem 142 matrículas rurais na cidade — e a rede privada conveniada, presente em só três das 24 cidades, soma mais 189 vagas, todas na zona rural. Nenhuma outra cidade da região reúne as duas fontes de ensino médio rural ao mesmo tempo: nas demais, a conta depende de uma rede só.

A rede estadual é quase toda urbana, mas não em toda cidade

No total dos 24 municípios, a rede estadual soma 21.954 matrículas de ensino médio, e 92,4% delas estão na zona urbana — só 1.663 são rurais. Essa fatia, porém, varia muito de cidade para cidade, e é a maior peça do ensino médio rural por rede no oeste da Bahia.

Em Barreiras, a maior rede da região, a escola estadual rural é quase inexistente: 13 matrículas em 5.413, ou 0,2%. Já em Brejolândia, 41,4% do ensino médio estadual é rural, e em Riachão das Neves, 38,9%. A diferença não está no tamanho da cidade, e sim em onde a rede decidiu manter escola: cidade grande tende a concentrar o ensino médio estadual na sede, cidade pequena tende a manter ao menos uma escola na zona rural.

A rede particular do ensino médio rural existe em só três cidades

A rede municipal, que responde por 82% de toda a matrícula da região, não tem nenhuma turma de ensino médio — por lei, município não pode manter essa etapa sozinho.

Quem completa o ensino médio rural por rede no oeste da Bahia, ao lado da rede estadual, é a rede privada conveniada: parcerias entre o poder público e escolas particulares, geralmente comunitárias ou confessionais. Na região, essa rede aparece só em Angical (189 matrículas), Correntina (135) e Santana (160), somando 484 vagas — e as 484 estão na zona rural. Não há, nas 24 cidades, nenhuma matrícula de ensino médio privado conveniado na zona urbana: onde essa rede existe, ela nasceu para atender quem mora fora da sede.

  • 22.438 matrículas de ensino médio nas 24 cidades do Extremo Oeste Baiano — 97,8% estaduais, 2,2% privadas conveniadas, 0% municipais.
  • O ensino médio rural por rede no oeste da Bahia soma 2.147 matrículas (9,6% do total): 1.663 da rede estadual e 484 da rede privada conveniada.
  • Angical tem a maior fatia rural da região (57,8%); oito cidades não têm nenhuma matrícula rural na etapa.
  • A rede privada conveniada só existe em Angical, Correntina e Santana — e é 100% rural nas três.

Como a fatia rural varia pelas 24 cidades do oeste da Bahia

A tabela reúne o ensino médio rural por rede no oeste da Bahia, cidade por cidade, e o peso da zona rural sobre o total de cada uma. Depois de Angical, a maior fatia rural aparece em cidades pequenas do norte da região — Brejolândia, Riachão das Neves e Baianópolis —, enquanto as duas maiores cidades, Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, têm zero ou quase zero ensino médio fora da sede.

CidadeRural – estadualRural – privadaTotal ruralTotal matrículas% rural
Angical14218933157357,8%
Brejolândia111011126841,4%
Riachão das Neves180018046338,9%
Baianópolis146014643133,9%
São Desidério279027996528,9%
Tabocas do Brejo Velho149014952528,4%
Coribe152015258226,1%
Correntina891352241.35916,5%
Serra Dourada8408457714,6%
Santana101601701.18814,3%
Santa Maria da Vitória16201621.26312,8%
Jaborandi400404039,9%
Cotegipe290293588,1%
São Félix do Coribe400405467,3%
Cocos370376755,5%
Barreiras130135.4130,2%
Canápolis0003810,0%
Catolândia000750,0%
Cristópolis0004490,0%
Formosa do Rio Preto0001.0540,0%
Luís Eduardo Magalhães0003.1780,0%
Mansidão0002180,0%
Santa Rita de Cássia0001.0900,0%
Wanderley0004040,0%
Fonte: Censo Escolar da Educação Básica 2026 (resultado preliminar), painel de resultados do Inep no Diário Oficial da União. Consulta feita pelo Portal do Cerrado em 30 de setembro de 2026.

Como o Portal do Cerrado apurou

Os números vêm do painel de resultados do Censo Escolar que o Inep publica no Diário Oficial da União, em cumprimento ao art. 8º da Lei nº 14.113/2020, a lei do novo Fundeb.

O Portal do Cerrado filtrou o painel por Bahia e, em três consultas separadas — uma por rede administrativa —, cruzou a localização da escola (rural ou urbana) com o total de matrículas de ensino médio de cada um dos 24 municípios do Extremo Oeste Baiano, para reconstruir o ensino médio rural por rede no oeste da Bahia. Os totais de cada etapa, somadas as três redes, foram conferidos contra os números já publicados em matérias anteriores desta série sobre o ensino médio rural e a educação rural no oeste da Bahia, e bateram em todos os casos. O resultado é preliminar, como todo o Censo Escolar 2026 até aqui, e pode ser revisto pelo Inep.

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