Mais de 80 trabalhadores em situação de escravidão foram resgatados na Bahia em 2022

No Brasil foram 2.575 pessoas foram resgatadas de situações análogas à escravidão contemporânea.

Mais de 80 trabalhadores em situação de escravidão foram resgatados na Bahia em 2022 - Foto: Divulgação

Prática comum no Brasil no período colonial e imperial, quando milhões de africanos foram escravizados, trazidos de seus países de origem para trabalhar em fazendas de cana-de-açúcar e engenhos, os efeitos dessa prática nefasta, ainda são sentidas na sociedade baiana atualmente. Humanos tratados como propriedades, submetidos a condições de trabalho extremamente difíceis e desumanas, permanecem hoje, com o trabalho escravo contemporâneo.

No ano passado, 2.575 pessoas foram resgatadas de situações análogas à escravidão contemporânea no país. Oitenta e dois delas, na Bahia. Os dados foram copilados pelo Sindicato dos Auditores Fiscais do Estado da Bahia (Safiteba). Desde 1995, quando da formação dos grupos móveis de fiscalização, o número passa de 60 mil.

Os dados oficiais das ações de resgate estão disponíveis no Radar do Trabalho Escravo da SIT.

Até a pequena Buritirama, no Oeste da Bahia, figura entre os municípios do estado, com trabalhadores em condições análogas à de escravo, encontrados pela inspeção do trabalho em 2022.

“Ao apurar o perfil dos resgatados, fica evidente que os afrodescendentes oriundos do nordeste brasileiro são as maiores vítimas dessa prática que vem sendo perpetuada no país. 92% deles eram homens, 29% tinham entre 30 e 39 anos. 51% residiam na região nordeste e outros 58% eram naturais dessa região. 83% deles se autodeclararam negros ou pardos e 15% brancos e 2% indígenas.

“O baixo nível de escolaridade, procedente da falta de oportunidades dadas ao povo preto nordestino, também se evidencia no perfil dos resgatados. 23% deles declararam ter estudado até o 5º ano incompleto, outros 20% haviam cursado do 6º ao 9º ano incompletos. 7% dos trabalhadores resgatados se declararam analfabetos”,

informou o sindicato

Luta por direitos

Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, comemorados neste 28 de janeiro, instituída através da a lei n.º 12.064/2009, em homenagem aos Auditores-Fiscais do Trabalho (AFTs) Eratóstenes de Almeida Gonsalves, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva e ao motorista Aílton Pereira de Oliveira, mortos enquanto realizavam ação de Inspeção do Trabalho em Unaí.

A data chama a atenção da sociedade para os altos índices de trabalho escravo no país e a necessidade de uma mobilização para a sua erradicação.

Com o Correio24horas.

Sobre Darlan Alves Lustosa 7981 Artigos
Darlan Lustosa é formosense que gosta da escrita e acredita que a política é um meio de transformação da vida das pessoas.Vive e mora em Formosa do Rio Preto, no extremo Oeste da Bahia, com registro profissional 6978/BA e sindicalizado, sobretudo para fortalecer a causa e defender direitos.
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