
O rebanho bovino no oeste da Bahia chegou a 2.271.306 cabeças em 2024, segundo levantamento do Portal do Cerrado nos dados municipais da Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE. O número é 3,2% maior que o de 2023 e responde por 16,6% de todo o gado criado no estado, numa região que reúne 4,7% da população baiana. No mesmo período, o rebanho brasileiro encolheu 0,2%, para 238,2 milhões de cabeças.
O recorte é a mesorregião do Extremo Oeste Baiano, formada por 24 municípios, de Formosa do Rio Preto a Cocos. O dado mais recente disponível é o de 2024, divulgado pelo IBGE em 18 de setembro de 2025. Ou seja: os números ainda não captam as duas safras seguintes. Enquanto isso, a Bahia inteira somou 13.661.720 cabeças, alta de 3,4%.
Santa Rita de Cássia tem o maior rebanho da região
Santa Rita de Cássia lidera com 202.794 cabeças, seguida por Wanderley, com 168.284, e Cotegipe, com 150.800. As três cidades ficam no norte da mesorregião, longe das chapadas onde a lavoura de grãos se concentra. Juntas, respondem por quase um quarto do rebanho bovino no oeste da Bahia.
| Município | 2023 | 2024 | Variação |
|---|---|---|---|
| Santa Rita de Cássia | 188.374 | 202.794 | +7,7% |
| Wanderley | 144.749 | 168.284 | +16,3% |
| Cotegipe | 138.226 | 150.800 | +9,1% |
| Correntina | 126.759 | 142.395 | +12,3% |
| Angical | 137.428 | 142.130 | +3,4% |
| Riachão das Neves | 123.896 | 126.848 | +2,4% |
| Brejolândia | 129.521 | 115.523 | −10,8% |
| Coribe | 106.972 | 113.246 | +5,9% |
| Serra Dourada | 100.918 | 111.078 | +10,1% |
| Santa Maria da Vitória | 102.099 | 106.973 | +4,8% |
| Santana | 95.130 | 97.451 | +2,4% |
| Jaborandi | 105.058 | 96.299 | −8,3% |
| São Desidério | 95.067 | 95.661 | +0,6% |
| Barreiras | 101.448 | 95.131 | −6,2% |
| Formosa do Rio Preto | 88.410 | 87.050 | −1,5% |
| São Félix do Coribe | 70.998 | 81.921 | +15,4% |
| Cocos | 60.734 | 67.366 | +10,9% |
| Luís Eduardo Magalhães | 76.370 | 60.653 | −20,6% |
| Tabocas do Brejo Velho | 46.337 | 46.934 | +1,3% |
| Baianópolis | 48.038 | 42.435 | −11,7% |
| Cristópolis | 38.891 | 41.127 | +5,7% |
| Mansidão | 29.789 | 33.710 | +13,2% |
| Canápolis | 27.384 | 25.980 | −5,1% |
| Catolândia | 17.246 | 19.517 | +13,2% |
| Total dos 24 municípios | 2.199.842 | 2.271.306 | +3,2% |
Rebanho bovino no oeste da Bahia: quem ganhou e quem perdeu
Dezessete dos 24 municípios aumentaram o rebanho em 2024. Wanderley teve a maior alta, de 16,3%, à frente de São Félix do Coribe, com 15,4%, e de Mansidão e Catolândia, ambas com 13,2%. Do outro lado, Luís Eduardo Magalhães registrou a maior queda, de 20,6%, e perdeu 15.717 cabeças em um ano. Também recuaram Baianópolis, Brejolândia, Jaborandi, Canápolis, Barreiras e Formosa do Rio Preto.
Chama a atenção que três dos cinco maiores produtores de soja da mesorregião apareçam entre as quedas, e que o maior deles, São Desidério, tenha ficado praticamente estável. Ainda assim, a base do IBGE registra o tamanho do rebanho, não o motivo da variação: nada nela permite afirmar que a lavoura substituiu o pasto. Vale lembrar que, em agosto, o crédito rural contratado na região já mostrava recuo de 13,1% no financiamento de custeio para bovinos.
Mais de três cabeças de gado para cada morador
A comparação com a demografia dá a dimensão do que a atividade representa por aqui. Em 2024, a população estimada dos 24 municípios era de 698.152 pessoas. Na conta por habitante, o rebanho bovino no oeste da Bahia equivale a 3,25 cabeças para cada morador. Em Wanderley, são 12,5 cabeças por habitante; em Cotegipe, 11,2; em Santa Rita de Cássia, sete. Nas duas maiores cidades da região, Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, a conta se inverte: há mais gente do que boi.
O peso da pecuária também aparece no calendário do agronegócio local, que dedica espaço crescente ao tema — foi o caso da palestra sobre cruzamento industrial na AgroFormosa, em agosto. Na lavoura, o retrato é outro: a região domina o ranking da produção agrícola de 2025 na Bahia.
O leite se concentra em dois municípios
A produção de leite dos 24 municípios somou 119,4 milhões de litros em 2024, queda de 1,5% sobre 2023 e 9,4% do total baiano. Dois municípios respondem por 42% desse volume:
- Jaborandi: 30 milhões de litros
- Serra Dourada: 19,9 milhões de litros
- Santa Maria da Vitória: 8,3 milhões de litros
- Brejolândia: 8 milhões de litros
- Santana: 7,4 milhões de litros
- Barreiras: 5,7 milhões de litros
Formosa do Rio Preto produziu 1,8 milhão de litros, 9,6% menos que no ano anterior. A Bahia como um todo foi na direção contrária e subiu 2,2%, para 1,27 bilhão de litros, segundo a tabela de produção de origem animal do Sidra.
Como o Portal do Cerrado apurou
Os números saíram da tabela 3939 do Sidra, que traz o efetivo dos rebanhos por município, e da tabela 74, de produção de origem animal. Para chegar ao total do rebanho bovino no oeste da Bahia, somamos os 24 municípios um a um. O recorte territorial é a mesorregião do Extremo Oeste Baiano, com os 24 municípios definidos pelo próprio IBGE — o mesmo critério usado nos levantamentos anteriores do portal. Os municípios vizinhos do Vale São-Franciscano, como Barra e Xique-Xique, ficaram de fora.
Duas ressalvas importam para ler a tabela. A primeira: a pesquisa é anual e o ano de referência é 2024, então o retrato tem cerca de dois anos. A segunda: o IBGE revisa séries quando entram informações novas, e variações pequenas, de menos de 1%, não devem ser lidas como movimento real de rebanho. A metodologia completa está na página da Pesquisa da Pecuária Municipal, no site do IBGE.
O portal vai acompanhar a próxima divulgação, prevista para o segundo semestre, quando os dados de 2025 devem mostrar se o rebanho bovino no oeste da Bahia manteve o crescimento registrado em 2024.
