Terça-feira, 20 de outubro de 2026

Agricultura familiar no Oeste da Bahia tem 77% dos estabelecimentos e 13% da terra

A agricultura familiar no Oeste da Bahia tem 77% dos estabelecimentos e 12,8% da área, contra 32,2% na Bahia e 23,0% no Brasil, segundo o Censo Agropecuário 2017.

Agricultura familiar no Oeste da Bahia: agricultora separa goiabas para polpa em foto ilustrativa
Foto ilustrativa: agricultora separa goiabas para fazer polpa, em Conceição do Coité (BA), em 2014. Foto: Sergio Amaral/Ministério do Desenvolvimento Social, via Wikimedia Commons, sob licença CC BY-SA 2.0.

Agricultura familiar no Oeste da Bahia reunia, em 2017, 77,2% dos estabelecimentos agropecuários da região, mas ocupava só 12,8% da área, segundo o Censo Agropecuário. Estabelecimento agropecuário é cada unidade de produção, do sítio à fazenda. Na Bahia, os agricultores familiares ficavam com 32,2% da área; no Brasil, com 23,0%.

A agricultura familiar no Oeste da Bahia somava 31.921 estabelecimentos, em 890 mil dos 6,96 milhões de hectares. Nas lavouras temporárias, que incluem a soja, a fatia familiar era de 1,9%, contra 24,0% na Bahia. A fatia dos estabelecimentos é parecida com a do estado (77,8%); a da terra, não.

Agricultura familiar no Oeste da Bahia: agricultora separa goiabas para polpa em foto ilustrativa
Foto ilustrativa: agricultora separa goiabas para fazer polpa, em Conceição do Coité (BA), em 2014. Foto: Sergio Amaral/Ministério do Desenvolvimento Social, via Wikimedia Commons, sob licença CC BY-SA 2.0.

O que é agricultura familiar e por que o Censo a separa

Agricultura familiar não é sinônimo de propriedade pequena. A Lei 11.326, de 2006 diz que é agricultor familiar quem não tem área maior que quatro módulos fiscais, usa mão de obra predominantemente da família, tem renda ligada ao próprio estabelecimento e dirige o negócio com a família. O Censo Agropecuário aplica esses critérios a cada estabelecimento e os classifica como familiares ou não familiares.

A lei dá a esse grupo políticas próprias, como o Pronaf, crédito rural de juros reduzidos. Saber quanto da terra está com esses produtores mostra o tamanho do público dessas políticas. O dado é de 2017, o último com esse recorte por município, e o Censo não se repete todo ano.

A sua cidade está incluída: os 24 municípios do Extremo Oeste Baiano têm dado, e a tabela mais abaixo mostra cada um.

No Oeste, 77% dos estabelecimentos são familiares e ficam com 13% da terra

RecorteEstabelecimentos familiares (% do total)Área familiar (% da área total)Área média familiar (ha)Área média não familiar (ha)Lavouras temporárias em área familiar (%)
Oeste da Bahia (24 cidades)77,212,8286621,9
Bahia77,832,21511424,0
Brasil76,823,02123516,9
Fonte: IBGE, Censo Agropecuário 2017 (Sidra, tabelas 6778 e 6881). Área média calculada sobre estabelecimentos com área. Consulta em 20/10/2026.

A diferença está no tamanho. O estabelecimento familiar médio do Oeste tem 28 hectares, quase o dobro do da Bahia (15), e o não familiar, 662 hectares, quase seis vezes o do estado (114). Um não familiar do Oeste tem, em média, 24 vezes a área de um familiar; na Bahia a razão é de 7 vezes, e no Brasil, de 11.

Nas lavouras de grãos, a fatia familiar é de 1,9% e a origem está em sete cidades

A agricultura familiar no Oeste da Bahia quase não aparece onde estão as lavouras. A região concentra 63% da área de lavouras temporárias da Bahia (2,15 milhões de hectares), e a base mostra onde elas ficam. Sete cidades somam 94,5% dessa área, e em todas a agricultura familiar responde por menos de 2% dela: Formosa do Rio Preto, São Desidério, Barreiras e Luís Eduardo Magalhães com 0,4% a 0,5%, Jaborandi com 0,8%, Correntina com 1,2% e Riachão das Neves com 1,6%.

MunicípioLavouras temporárias (ha)Em estabelecimentos familiares (ha)Fatia familiar (%)
São Desidério512.9871.9320,4
Formosa do Rio Preto502.5341.8620,4
Correntina274.9853.2051,2
Barreiras228.4011.2400,5
Luís Eduardo Magalhães211.0591.0320,5
Riachão das Neves159.8492.5371,6
Jaborandi146.1671.1980,8
Fonte: IBGE, Censo Agropecuário 2017 (Sidra, tabela 6881, utilização das terras: lavouras temporárias). Consulta em 20/10/2026.

O que ocupa essa área hoje é, sobretudo, a soja: a Pesquisa Agrícola Municipal registrou 2,08 milhões de hectares plantados nas 24 cidades em 2025, 99,6% do total baiano, como mostra o levantamento sobre a produção agrícola do Oeste. O Censo e a pesquisa são de anos diferentes, e a base do Censo não separa a cultura. Boa parte dessas cidades também está entre as de maior área irrigada da Bahia, como mostrou o post sobre a irrigação na região.

Em Jaborandi, 86,1% dos estabelecimentos são familiares (1.137), com 30 hectares em média. Mas eles ocupam 7,2% da área, porque os 183 não familiares têm, em média, 2.358 hectares. Em Formosa do Rio Preto, são 919 familiares (68,0%) em 3,6% da terra.

Onde a agricultura familiar ocupa mais terra

A agricultura familiar no Oeste da Bahia tem mais terra nas cidades de pecuária e de pequena lavoura. Em sete delas a fatia familiar passa de 40% da área: Canápolis (76,4%), Santa Maria da Vitória (55,5%), Coribe (52,3%), Tabocas do Brejo Velho (48,1%), Mansidão (45,7%), Angical (43,6%) e Cristópolis (40,3%). Canápolis é a 25ª entre os 416 municípios baianos com dado, e o município com maior fatia na Bahia é Pilão Arcado (87,5%).

No outro extremo, Luís Eduardo Magalhães (1,1%), São Desidério (3,3%) e Formosa do Rio Preto (3,6%) estão entre as quatro menores fatias da Bahia, e Barreiras é a 410ª (4,4%). A mediana das 24 cidades do Oeste é 29,5% da área, abaixo da mediana dos municípios baianos (40,4%). A base descreve quem ocupa a terra, não o motivo: a causa dessa distribuição não está nos dados.

Como saber a agricultura familiar no Oeste da Bahia na sua cidade

Compare o seu município com as três réguas: Oeste, 12,8% da área; Bahia, 32,2%; Brasil, 23,0%. Para conferir os números na origem, abra a tabela 6778 do Sidra (estabelecimentos) e a tabela 6881 (área), escolha o nível Município, o ano 2017 e, em Tipologia, a opção Agricultura familiar – sim.

MunicípioEstabelecimentosFamiliares (% do total)Área total (ha)Área familiar (% da área)Posição na Bahia (área familiar)
Angical1.29276,770.81443,6191ª de 416
Baianópolis2.13074,1191.49418,4344ª de 416
Barreiras2.19254,9453.3574,4410ª de 416
Brejolândia1.41074,3106.70135,1244ª de 416
Canápolis1.60181,730.28576,425ª de 416
Catolândia51576,933.92032,2266ª de 416
Cocos1.65784,0563.0919,0396ª de 416
Coribe1.83489,7113.43852,3138ª de 416
Correntina3.40877,7719.3389,5394ª de 416
Cotegipe1.91375,5351.64212,7376ª de 416
Cristópolis1.27487,063.39840,3209ª de 416
Formosa do Rio Preto1.35268,0965.5023,6413ª de 416
Jaborandi1.32086,1465.1697,2402ª de 416
Luís Eduardo Magalhães42942,0368.8751,1416ª de 416
Mansidão1.23783,944.57745,7176ª de 416
Riachão das Neves1.62874,6407.2427,7401ª de 416
Santa Maria da Vitória2.71981,193.90855,5122ª de 416
Santana2.28782,9109.94433,8249ª de 416
Santa Rita de Cássia2.36881,4347.66326,7297ª de 416
São Desidério2.30574,7992.0393,3415ª de 416
São Félix do Coribe98282,4116.42134,2246ª de 416
Serra Dourada2.14183,3101.42339,5212ª de 416
Tabocas do Brejo Velho1.70175,054.07948,1160ª de 416
Wanderley1.66063,4192.06820,8332ª de 416
Fonte: IBGE, Censo Agropecuário 2017 (Sidra, tabelas 6778 e 6881). Posição: 1ª é a maior fatia familiar da Bahia; 416 municípios com dado (Madre de Deus não tem). Consulta em 20/10/2026.

O que isso quer dizer para quem produz e para quem decide

Para o produtor de sítio ou de pequena roça, a agricultura familiar no Oeste da Bahia mostra o tamanho do grupo a que ele pertence: em 22 das 24 cidades, ao menos 63% dos estabelecimentos são familiares, e em Coribe, Cristópolis e Jaborandi passam de 86%. Para o gestor municipal, o contraste importa porque a política para esse público, como o crédito do Pronaf, alcança muita gente em pouca área. O que cada prefeitura faz por esse grupo está no portal de transparência de cada uma.

Série: o que mudou na agricultura familiar no Oeste da Bahia entre 2006 e 2017

O Censo de 2006 também separou a agricultura familiar. De lá para 2017, a agricultura familiar no Oeste da Bahia perdeu estabelecimentos: foram de 39.224 para 31.921 (menos 18,6%), e a fatia no total baixou de 86,7% para 77,2%. Na Bahia a queda foi de 10,9%, e no Brasil, de 10,7%. Cinco cidades tiveram mais estabelecimentos familiares em 2017: São Félix do Coribe (88,1%), Luís Eduardo Magalhães (25,0%), São Desidério (14,0%), Cocos (11,6%) e Jaborandi (2,0%).

RecorteFamiliares em 2006Familiares em 2017Variação (%)Fatia da área familiar em 2006 (%)Fatia da área familiar em 2017 (%)
Oeste da Bahia (24 cidades)39.22431.921−18,615,612,8
Bahia665.767593.411−10,933,632,2
Brasil4.366.2673.897.408−10,724,023,0
Fonte: IBGE, Censo Agropecuário 2006 (Sidra, tabela 1109) e Censo Agropecuário 2017 (tabelas 6778 e 6881). Consulta em 20/10/2026. Os critérios de classificação mudaram entre os dois censos.

A comparação pede cautela. Na divulgação do IBGE de outubro de 2019, o instituto informou queda nacional de 9,5% e explicou que a regulamentação da lei alterou a forma de classificar, sobretudo quanto à renda. Segundo o IBGE, o perfil dos produtores também mudou, com mais trabalho fora do estabelecimento. A conta direta entre as duas tabelas do Sidra dá 10,7% no Brasil, e a diferença de método não está nas tabelas. Por isso o título usa só 2017.

O que os dados não respondem

  • Por que a agricultura familiar do Oeste perdeu estabelecimentos entre 2006 e 2017. A base mistura mudança no campo e mudança de critério.
  • Quantos desses agricultores têm crédito, assistência técnica e água. O Censo traz tabelas sobre isso, que este levantamento não abriu.
  • Como estão as cidades hoje. O dado é de 2017, e só um novo censo mostrará.

Como o Portal do Cerrado apurou

Para medir a agricultura familiar no Oeste da Bahia, usamos o Censo Agropecuário 2017 do IBGE: número de estabelecimentos pela tabela 6778 (tipologia Agricultura familiar – sim e total) e área e estabelecimentos com área pela tabela 6881, para os 24 municípios do Extremo Oeste Baiano, os 417 municípios baianos, a Bahia e o Brasil. A série de 2006 vem da tabela 1109. A fatia é a participação familiar no total; a área média divide a área pelos estabelecimentos com área. A fatia nas lavouras vem da classe Lavouras – temporárias de utilização das terras.

Ressalvas: o dado é de 2017; os critérios de 2006 e 2017 diferem; não há dado de Madre de Deus; o Censo mede o estabelecimento no município onde ele fica, não onde mora o produtor.

Veja também nossos levantamentos sobre a agropecuária no PIB do Oeste, o crédito rural na região e a população do Oeste, e a matéria da redação sobre a agricultura familiar na Bahia, de 2019.

Participe

Você faz parte da agricultura familiar no Oeste da Bahia, em sítio, chácara ou roça? Conte nos comentários o município e o que mais falta para quem planta ou cria em área pequena na sua região.

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