Agricultura familiar no Oeste da Bahia reunia, em 2017, 77,2% dos estabelecimentos agropecuários da região, mas ocupava só 12,8% da área, segundo o Censo Agropecuário. Estabelecimento agropecuário é cada unidade de produção, do sítio à fazenda. Na Bahia, os agricultores familiares ficavam com 32,2% da área; no Brasil, com 23,0%.
A agricultura familiar no Oeste da Bahia somava 31.921 estabelecimentos, em 890 mil dos 6,96 milhões de hectares. Nas lavouras temporárias, que incluem a soja, a fatia familiar era de 1,9%, contra 24,0% na Bahia. A fatia dos estabelecimentos é parecida com a do estado (77,8%); a da terra, não.

O que é agricultura familiar e por que o Censo a separa
Agricultura familiar não é sinônimo de propriedade pequena. A Lei 11.326, de 2006 diz que é agricultor familiar quem não tem área maior que quatro módulos fiscais, usa mão de obra predominantemente da família, tem renda ligada ao próprio estabelecimento e dirige o negócio com a família. O Censo Agropecuário aplica esses critérios a cada estabelecimento e os classifica como familiares ou não familiares.
A lei dá a esse grupo políticas próprias, como o Pronaf, crédito rural de juros reduzidos. Saber quanto da terra está com esses produtores mostra o tamanho do público dessas políticas. O dado é de 2017, o último com esse recorte por município, e o Censo não se repete todo ano.
A sua cidade está incluída: os 24 municípios do Extremo Oeste Baiano têm dado, e a tabela mais abaixo mostra cada um.
No Oeste, 77% dos estabelecimentos são familiares e ficam com 13% da terra
| Recorte | Estabelecimentos familiares (% do total) | Área familiar (% da área total) | Área média familiar (ha) | Área média não familiar (ha) | Lavouras temporárias em área familiar (%) |
|---|---|---|---|---|---|
| Oeste da Bahia (24 cidades) | 77,2 | 12,8 | 28 | 662 | 1,9 |
| Bahia | 77,8 | 32,2 | 15 | 114 | 24,0 |
| Brasil | 76,8 | 23,0 | 21 | 235 | 16,9 |
A diferença está no tamanho. O estabelecimento familiar médio do Oeste tem 28 hectares, quase o dobro do da Bahia (15), e o não familiar, 662 hectares, quase seis vezes o do estado (114). Um não familiar do Oeste tem, em média, 24 vezes a área de um familiar; na Bahia a razão é de 7 vezes, e no Brasil, de 11.
Nas lavouras de grãos, a fatia familiar é de 1,9% e a origem está em sete cidades
A agricultura familiar no Oeste da Bahia quase não aparece onde estão as lavouras. A região concentra 63% da área de lavouras temporárias da Bahia (2,15 milhões de hectares), e a base mostra onde elas ficam. Sete cidades somam 94,5% dessa área, e em todas a agricultura familiar responde por menos de 2% dela: Formosa do Rio Preto, São Desidério, Barreiras e Luís Eduardo Magalhães com 0,4% a 0,5%, Jaborandi com 0,8%, Correntina com 1,2% e Riachão das Neves com 1,6%.
| Município | Lavouras temporárias (ha) | Em estabelecimentos familiares (ha) | Fatia familiar (%) |
|---|---|---|---|
| São Desidério | 512.987 | 1.932 | 0,4 |
| Formosa do Rio Preto | 502.534 | 1.862 | 0,4 |
| Correntina | 274.985 | 3.205 | 1,2 |
| Barreiras | 228.401 | 1.240 | 0,5 |
| Luís Eduardo Magalhães | 211.059 | 1.032 | 0,5 |
| Riachão das Neves | 159.849 | 2.537 | 1,6 |
| Jaborandi | 146.167 | 1.198 | 0,8 |
O que ocupa essa área hoje é, sobretudo, a soja: a Pesquisa Agrícola Municipal registrou 2,08 milhões de hectares plantados nas 24 cidades em 2025, 99,6% do total baiano, como mostra o levantamento sobre a produção agrícola do Oeste. O Censo e a pesquisa são de anos diferentes, e a base do Censo não separa a cultura. Boa parte dessas cidades também está entre as de maior área irrigada da Bahia, como mostrou o post sobre a irrigação na região.
Em Jaborandi, 86,1% dos estabelecimentos são familiares (1.137), com 30 hectares em média. Mas eles ocupam 7,2% da área, porque os 183 não familiares têm, em média, 2.358 hectares. Em Formosa do Rio Preto, são 919 familiares (68,0%) em 3,6% da terra.
Onde a agricultura familiar ocupa mais terra
A agricultura familiar no Oeste da Bahia tem mais terra nas cidades de pecuária e de pequena lavoura. Em sete delas a fatia familiar passa de 40% da área: Canápolis (76,4%), Santa Maria da Vitória (55,5%), Coribe (52,3%), Tabocas do Brejo Velho (48,1%), Mansidão (45,7%), Angical (43,6%) e Cristópolis (40,3%). Canápolis é a 25ª entre os 416 municípios baianos com dado, e o município com maior fatia na Bahia é Pilão Arcado (87,5%).
No outro extremo, Luís Eduardo Magalhães (1,1%), São Desidério (3,3%) e Formosa do Rio Preto (3,6%) estão entre as quatro menores fatias da Bahia, e Barreiras é a 410ª (4,4%). A mediana das 24 cidades do Oeste é 29,5% da área, abaixo da mediana dos municípios baianos (40,4%). A base descreve quem ocupa a terra, não o motivo: a causa dessa distribuição não está nos dados.
Como saber a agricultura familiar no Oeste da Bahia na sua cidade
Compare o seu município com as três réguas: Oeste, 12,8% da área; Bahia, 32,2%; Brasil, 23,0%. Para conferir os números na origem, abra a tabela 6778 do Sidra (estabelecimentos) e a tabela 6881 (área), escolha o nível Município, o ano 2017 e, em Tipologia, a opção Agricultura familiar – sim.
| Município | Estabelecimentos | Familiares (% do total) | Área total (ha) | Área familiar (% da área) | Posição na Bahia (área familiar) |
|---|---|---|---|---|---|
| Angical | 1.292 | 76,7 | 70.814 | 43,6 | 191ª de 416 |
| Baianópolis | 2.130 | 74,1 | 191.494 | 18,4 | 344ª de 416 |
| Barreiras | 2.192 | 54,9 | 453.357 | 4,4 | 410ª de 416 |
| Brejolândia | 1.410 | 74,3 | 106.701 | 35,1 | 244ª de 416 |
| Canápolis | 1.601 | 81,7 | 30.285 | 76,4 | 25ª de 416 |
| Catolândia | 515 | 76,9 | 33.920 | 32,2 | 266ª de 416 |
| Cocos | 1.657 | 84,0 | 563.091 | 9,0 | 396ª de 416 |
| Coribe | 1.834 | 89,7 | 113.438 | 52,3 | 138ª de 416 |
| Correntina | 3.408 | 77,7 | 719.338 | 9,5 | 394ª de 416 |
| Cotegipe | 1.913 | 75,5 | 351.642 | 12,7 | 376ª de 416 |
| Cristópolis | 1.274 | 87,0 | 63.398 | 40,3 | 209ª de 416 |
| Formosa do Rio Preto | 1.352 | 68,0 | 965.502 | 3,6 | 413ª de 416 |
| Jaborandi | 1.320 | 86,1 | 465.169 | 7,2 | 402ª de 416 |
| Luís Eduardo Magalhães | 429 | 42,0 | 368.875 | 1,1 | 416ª de 416 |
| Mansidão | 1.237 | 83,9 | 44.577 | 45,7 | 176ª de 416 |
| Riachão das Neves | 1.628 | 74,6 | 407.242 | 7,7 | 401ª de 416 |
| Santa Maria da Vitória | 2.719 | 81,1 | 93.908 | 55,5 | 122ª de 416 |
| Santana | 2.287 | 82,9 | 109.944 | 33,8 | 249ª de 416 |
| Santa Rita de Cássia | 2.368 | 81,4 | 347.663 | 26,7 | 297ª de 416 |
| São Desidério | 2.305 | 74,7 | 992.039 | 3,3 | 415ª de 416 |
| São Félix do Coribe | 982 | 82,4 | 116.421 | 34,2 | 246ª de 416 |
| Serra Dourada | 2.141 | 83,3 | 101.423 | 39,5 | 212ª de 416 |
| Tabocas do Brejo Velho | 1.701 | 75,0 | 54.079 | 48,1 | 160ª de 416 |
| Wanderley | 1.660 | 63,4 | 192.068 | 20,8 | 332ª de 416 |
O que isso quer dizer para quem produz e para quem decide
Para o produtor de sítio ou de pequena roça, a agricultura familiar no Oeste da Bahia mostra o tamanho do grupo a que ele pertence: em 22 das 24 cidades, ao menos 63% dos estabelecimentos são familiares, e em Coribe, Cristópolis e Jaborandi passam de 86%. Para o gestor municipal, o contraste importa porque a política para esse público, como o crédito do Pronaf, alcança muita gente em pouca área. O que cada prefeitura faz por esse grupo está no portal de transparência de cada uma.
Série: o que mudou na agricultura familiar no Oeste da Bahia entre 2006 e 2017
O Censo de 2006 também separou a agricultura familiar. De lá para 2017, a agricultura familiar no Oeste da Bahia perdeu estabelecimentos: foram de 39.224 para 31.921 (menos 18,6%), e a fatia no total baixou de 86,7% para 77,2%. Na Bahia a queda foi de 10,9%, e no Brasil, de 10,7%. Cinco cidades tiveram mais estabelecimentos familiares em 2017: São Félix do Coribe (88,1%), Luís Eduardo Magalhães (25,0%), São Desidério (14,0%), Cocos (11,6%) e Jaborandi (2,0%).
| Recorte | Familiares em 2006 | Familiares em 2017 | Variação (%) | Fatia da área familiar em 2006 (%) | Fatia da área familiar em 2017 (%) |
|---|---|---|---|---|---|
| Oeste da Bahia (24 cidades) | 39.224 | 31.921 | −18,6 | 15,6 | 12,8 |
| Bahia | 665.767 | 593.411 | −10,9 | 33,6 | 32,2 |
| Brasil | 4.366.267 | 3.897.408 | −10,7 | 24,0 | 23,0 |
A comparação pede cautela. Na divulgação do IBGE de outubro de 2019, o instituto informou queda nacional de 9,5% e explicou que a regulamentação da lei alterou a forma de classificar, sobretudo quanto à renda. Segundo o IBGE, o perfil dos produtores também mudou, com mais trabalho fora do estabelecimento. A conta direta entre as duas tabelas do Sidra dá 10,7% no Brasil, e a diferença de método não está nas tabelas. Por isso o título usa só 2017.
O que os dados não respondem
- Por que a agricultura familiar do Oeste perdeu estabelecimentos entre 2006 e 2017. A base mistura mudança no campo e mudança de critério.
- Quantos desses agricultores têm crédito, assistência técnica e água. O Censo traz tabelas sobre isso, que este levantamento não abriu.
- Como estão as cidades hoje. O dado é de 2017, e só um novo censo mostrará.
Como o Portal do Cerrado apurou
Para medir a agricultura familiar no Oeste da Bahia, usamos o Censo Agropecuário 2017 do IBGE: número de estabelecimentos pela tabela 6778 (tipologia Agricultura familiar – sim e total) e área e estabelecimentos com área pela tabela 6881, para os 24 municípios do Extremo Oeste Baiano, os 417 municípios baianos, a Bahia e o Brasil. A série de 2006 vem da tabela 1109. A fatia é a participação familiar no total; a área média divide a área pelos estabelecimentos com área. A fatia nas lavouras vem da classe Lavouras – temporárias de utilização das terras.
Ressalvas: o dado é de 2017; os critérios de 2006 e 2017 diferem; não há dado de Madre de Deus; o Censo mede o estabelecimento no município onde ele fica, não onde mora o produtor.
Veja também nossos levantamentos sobre a agropecuária no PIB do Oeste, o crédito rural na região e a população do Oeste, e a matéria da redação sobre a agricultura familiar na Bahia, de 2019.
Participe
Você faz parte da agricultura familiar no Oeste da Bahia, em sítio, chácara ou roça? Conte nos comentários o município e o que mais falta para quem planta ou cria em área pequena na sua região.
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