
A produção agrícola no oeste da Bahia somou R$ 26,5 bilhões em 2025, alta de 16,2% sobre os R$ 22,8 bilhões de 2024, segundo levantamento do Portal do Cerrado na Produção Agrícola Municipal (PAM) do IBGE. É a primeira vez que o portal soma o valor de todas as lavouras temporárias e permanentes dos 24 municípios do Extremo Oeste Baiano em uma única conta — até aqui, cada matéria tratou de uma cultura por vez, como milho, algodão e feijão.
Produção agrícola no oeste da Bahia cresce, mas abaixo do ritmo estadual
O crescimento de 16,2% da mesorregião ficou atrás do de Bahia (+19,0%) e Brasil (+19,0%) na mesma safra. Como resultado, o oeste baiano perdeu espaço relativo dentro da própria produção agrícola do estado pelo terceiro ano seguido: respondia por 82,7% do valor produzido na Bahia em 2023, caiu para 78,5% em 2024 e para 76,6% em 2025. A região segue sendo, de longe, o motor da agricultura baiana — mas uma fatia cada vez menor dela.
| Recorte | 2024 (R$ bi) | 2025 (R$ bi) | Variação |
|---|---|---|---|
| Extremo Oeste Baiano (24 municípios) | 22,83 | 26,52 | +16,2% |
| Bahia | 29,10 | 34,62 | +19,0% |
| Brasil | 604,81 | 719,93 | +19,0% |
São Desidério e Formosa do Rio Preto somam mais da metade do valor
Dois municípios concentram o grosso do dinheiro da produção agrícola no oeste da Bahia: São Desidério, com R$ 8,08 bilhões (30,5% do total regional), e Formosa do Rio Preto, com R$ 5,89 bilhões (22,2%). Juntos, os dois somam 52,7% de tudo o que a lavoura do oeste baiano gerou em 2025 — reflexo direto de serem também os dois maiores produtores de soja da região. Somando os cinco maiores — São Desidério, Formosa do Rio Preto, Correntina, Barreiras e Luís Eduardo Magalhães —, a fatia sobe para 82,9% do valor total.
O crescimento mais rápido veio de fora do topo
Entre os municípios de maior porte, quem mais cresceu em valor não foi quem já liderava. São Félix do Coribe teve a maior alta proporcional da mesorregião, de 44,9% (R$ 12,5 milhões para R$ 18,1 milhões), seguido por Jaborandi (+21,3%), Riachão das Neves (+21,1%) e São Desidério (+23,3%). Na outra ponta, Canápolis perdeu 36,5% do valor produzido e Coribe, 22,4% — os dois municípios que também lideraram a queda na produção de cana-de-açúcar da região nesta rodada. Barreiras foi a única entre as cinco maiores economias agrícolas a perder valor no ano, recuo de 5,7%.
- Maiores altas: São Félix do Coribe (+44,9%), Jaborandi (+21,3%), Riachão das Neves (+21,1%), São Desidério (+23,3%)
- Maiores quedas: Canápolis (−36,5%), Coribe (−22,4%), Brejolândia (−13,5%)
- Concentração: os 5 maiores municípios respondem por 82,9% do valor produzido na região
Por que o oeste da Bahia pesa tanto na agricultura do estado
O peso do Extremo Oeste Baiano no valor agrícola estadual vem da combinação de poucas culturas de altíssima escala. A região tem Formosa do Rio Preto entre os cinco maiores produtores agrícolas do Brasil, sustentada sobretudo pela soja, que também explica por que São Desidério e Formosa do Rio Preto concentram mais da metade da produção agrícola no oeste da Bahia: são os dois municípios com a maior área plantada da oleaginosa no estado. A cana-de-açúcar, por comparação, é cultura secundária na região — mostra o tamanho da distância entre os grandes cultivos de exportação e o restante da produção agrícola local.
Como o Portal do Cerrado apurou
Os dados sobre a produção agrícola no oeste da Bahia vêm da Produção Agrícola Municipal (PAM) do IBGE, tabela 1612 do Sidra, variável “Valor da produção” (código 215), somando todas as lavouras temporárias e permanentes (“Total”, código 0) para os 24 municípios do Extremo Oeste Baiano. A consulta foi feita em 22 de setembro de 2026, comparando os anos de 2023 a 2025, na mesma pesquisa do IBGE sobre culturas temporárias e permanentes. Os valores da tabela do IBGE são expressos em mil reais e foram convertidos para bilhões nas comparações do texto. Os totais de Bahia e Brasil vêm da mesma tabela e do mesmo código de variável.
| Município | 2024 (R$ mi) | 2025 (R$ mi) | Variação |
|---|---|---|---|
| São Desidério | 6.555,9 | 8.079,9 | +23,3% |
| Formosa do Rio Preto | 4.890,4 | 5.893,1 | +20,5% |
| Correntina | 2.420,1 | 2.771,9 | +14,5% |
| Barreiras | 2.822,8 | 2.662,4 | −5,7% |
| Luís Eduardo Magalhães | 2.332,2 | 2.577,7 | +10,5% |
| Riachão das Neves | 1.728,2 | 2.092,4 | +21,1% |
| Jaborandi | 1.282,1 | 1.555,0 | +21,3% |
| Cocos | 393,8 | 443,1 | +12,5% |
| Santana | 63,1 | 73,3 | +16,2% |
| Wanderley | 32,4 | 38,8 | +19,9% |
| Baianópolis | 211,4 | 220,2 | +4,2% |
| São Félix do Coribe | 12,5 | 18,1 | +44,9% |
| Cotegipe | 14,4 | 16,3 | +13,8% |
| Cristópolis | 15,1 | 15,9 | +5,3% |
| Santa Rita de Cássia | 11,9 | 13,6 | +14,4% |
| Angical | 12,9 | 13,4 | +4,3% |
| Santa Maria da Vitória | 12,8 | 13,0 | +2,0% |
| Tabocas do Brejo Velho | 8,5 | 9,5 | +12,3% |
| Catolândia | 0,9 | 1,0 | +8,6% |
| Mansidão | 1,3 | 1,2 | −6,3% |
| Serra Dourada | 1,2 | 1,2 | −1,4% |
| Coribe | 3,1 | 2,4 | −22,4% |
| Canápolis | 4,2 | 2,6 | −36,5% |
| Brejolândia | 0,7 | 0,6 | −13,5% |
| Total (24 municípios) | 22.831,7 | 26.516,8 | +16,2% |
O valor da produção não mede lucro nem renda do produtor — é a multiplicação da quantidade colhida pelo preço médio recebido, calculada pelo IBGE a partir de pesquisa própria em cada município. Uma alta de preço pode elevar o valor mesmo com produção estável, e o inverso também vale. Por isso os números deste levantamento sobre a produção agrícola no oeste da Bahia não substituem os das matérias sobre produção física de cada cultura — eles complementam, mostrando o retrato financeiro que fecha o ano agrícola da região.
