
A produção de leite no oeste da Bahia caiu 1,5% em 2024, para 119,4 milhões de litros nos 24 municípios da mesorregião, segundo levantamento do Portal do Cerrado na Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) do IBGE. O resultado contraria o movimento do restante do estado: a produção baiana de leite cresceu 2,2% no mesmo período, para 1,27 bilhão de litros, e a nacional avançou 1,4%, para 35,7 bilhões de litros — recorde da série histórica.
O recorte é o Extremo Oeste Baiano, mesorregião que vai de Formosa do Rio Preto a Cocos. A queda na produção regional de leite acontece apesar do crescimento em 17 dos 24 municípios — o resultado negativo se concentra em sete cidades, com destaque para Catolândia (−19,2%), Baianópolis (−14,8%) e Brejolândia (−13,5%). Juntas, a região responde por apenas 9,4% do leite produzido na Bahia.
Leite no oeste da Bahia se concentra em duas cidades pequenas
Diferente da produção de ovos, dominada por Barreiras, e do rebanho bovino de corte, espalhado por toda a mesorregião, o leite no oeste da Bahia se concentra em duas cidades pequenas do sul da região: Jaborandi e Serra Dourada. Juntas, somaram 49,97 milhões de litros em 2024, 41,8% de tudo o que os 24 municípios produziram. Jaborandi, com pouco menos de 10 mil habitantes, produziu sozinha 30 milhões de litros — mais do que os 17 municípios menos produtivos da região somados.
Depois das duas líderes vêm Santa Maria da Vitória (8,26 milhões de litros), Brejolândia (8 milhões) e Santana (7,35 milhões). Barreiras, a maior cidade da região, aparece só na sexta posição, com 5,7 milhões de litros — prova de que a pecuária leiteira no oeste da Bahia segue uma lógica diferente da soja e do algodão, concentrados nas chapadas de Barreiras, Luís Eduardo Magalhães e Formosa do Rio Preto.
Formosa do Rio Preto produziu menos leite em 2024
Formosa do Rio Preto, maior produtora de soja e algodão da região, ocupa apenas a 15ª posição na produção de leite no oeste da Bahia, com 1,79 milhão de litros em 2024 — queda de 9,6% sobre os 1,98 milhão de litros de 2023. Luís Eduardo Magalhães, outro polo do agronegócio de grãos, produziu ainda menos: 1,67 milhão de litros, na 17ª colocação entre os 24 municípios. A base do IBGE registra o resultado, não a causa da queda, mas o padrão se repete em outros levantamentos do portal: municípios especializados em grãos costumam ter pecuária leiteira menor e mais instável do que cidades como Jaborandi e Serra Dourada, onde o leite é atividade central da economia rural.
| Município | 2023 | 2024 | Variação |
|---|---|---|---|
| Jaborandi | 29.960 | 30.021 | +0,2% |
| Serra Dourada | 19.900 | 19.950 | +0,3% |
| Santa Maria da Vitória | 8.157 | 8.257 | +1,2% |
| Brejolândia | 9.247 | 8.000 | −13,5% |
| Santana | 7.253 | 7.353 | +1,4% |
| Barreiras | 5.681 | 5.696 | +0,3% |
| São Félix do Coribe | 5.475 | 5.476 | 0,0% |
| Wanderley | 4.449 | 4.475 | +0,6% |
| Angical | 3.965 | 3.976 | +0,3% |
| Coribe | 3.055 | 3.065 | +0,3% |
| Santa Rita de Cássia | 2.925 | 2.935 | +0,3% |
| Correntina | 2.373 | 2.375 | +0,1% |
| Tabocas do Brejo Velho | 2.100 | 2.101 | 0,0% |
| São Desidério | 1.988 | 2.015 | +1,4% |
| Formosa do Rio Preto | 1.976 | 1.786 | −9,6% |
| Baianópolis | 2.054 | 1.750 | −14,8% |
| Luís Eduardo Magalhães | 1.645 | 1.666 | +1,3% |
| Cotegipe | 1.690 | 1.551 | −8,2% |
| Catolândia | 1.764 | 1.426 | −19,2% |
| Mansidão | 1.477 | 1.377 | −6,8% |
| Riachão das Neves | 1.337 | 1.339 | +0,1% |
| Cocos | 1.245 | 1.288 | +3,5% |
| Canápolis | 862 | 864 | +0,2% |
| Cristópolis | 696 | 686 | −1,4% |
| Total dos 24 municípios | 121.274 | 119.428 | −1,5% |
Sete municípios puxam a queda regional
Sete dos 24 municípios do oeste baiano produziram menos leite em 2024 do que em 2023: Catolândia (−19,2%), Baianópolis (−14,8%), Brejolândia (−13,5%), Formosa do Rio Preto (−9,6%), Cotegipe (−8,2%), Mansidão (−6,8%) e Cristópolis (−1,4%). Nos outros 17, a produção cresceu ou ficou estável — inclusive nos dois maiores produtores, Jaborandi e Serra Dourada, que sustentaram o topo do ranking mesmo com o recuo regional. A base do IBGE não aponta a causa de nenhuma dessas quedas isoladas; mostra apenas o resultado ano a ano.
- Produção de leite no oeste da Bahia: 119,4 milhões de litros em 2024 (−1,5% sobre 2023)
- Jaborandi e Serra Dourada somam 42% da produção regional
- Barreiras, a maior cidade da região, é só a 6ª produtora de leite
- Formosa do Rio Preto caiu para a 15ª posição, com queda de 9,6%
- Bahia: 1,27 bilhão de litros em 2024 (+2,2%)
- Brasil: 35,7 bilhões de litros em 2024 (+1,4%, recorde da série)
A pecuária leiteira se soma a outros retratos recentes da economia regional levantados pelo portal. O rebanho bovino do oeste da Bahia chegou a 2,27 milhões de cabeças em 2024, a maior parte destinada a corte, não a leite — o que ajuda a explicar por que a produção leiteira da região é pequena diante do tamanho do rebanho. Já a produção de ovos de galinha segue o padrão oposto: concentrada quase toda em Barreiras, por causa da avicultura industrial. A população da região segue crescendo, para 704,7 mil moradores, enquanto o PIB do oeste da Bahia recuou 3% em 2023 — dado mais recente disponível.
Como o Portal do Cerrado apurou
Os números saíram da tabela 74 do Sidra, de produção de origem animal, variável “leite”, somando um a um os 24 municípios do Extremo Oeste Baiano definidos pelo próprio IBGE — o mesmo recorte usado nos levantamentos anteriores do portal sobre rebanho bovino, ovos e outros produtos da pecuária regional. Os municípios vizinhos do Vale São-Franciscano, como Barra e Xique-Xique, ficaram de fora da conta.
O ano de referência é 2024, divulgado pelo IBGE em setembro de 2025; a pesquisa ainda não tem dado de 2025. Variações pequenas, de menos de 1%, como as de Barreiras e de vários municípios médios da região, não devem ser lidas como movimento real de produção — o IBGE revisa a série quando entram informações novas. A metodologia completa está na página da Pesquisa da Pecuária Municipal, no site do IBGE.
Para saber se a concentração da produção de leite no oeste da Bahia em Jaborandi e Serra Dourada é uma tendência de longo prazo ou um retrato pontual de 2024, o portal vai acompanhar a divulgação da PPM 2025, prevista para o segundo semestre, e checar se as duas cidades continuam à frente das demais.
