Leite no oeste da Bahia cai 1,5% em 2024, mostra levantamento do IBGE

Levantamento do Portal do Cerrado na PPM do IBGE: Jaborandi e Serra Dourada respondem por 42% do leite produzido nos 24 municípios da região em 2024.

Vaca leiteira em fazenda na Bahia, ilustrando a produção de leite no oeste da Bahia
Vaca leiteira em fazenda de Caetité (BA), fotografada em 2008. Foto ilustrativa: Manoel Messias de So…, sob licença CC BY-SA 3.0.

A produção de leite no oeste da Bahia caiu 1,5% em 2024, para 119,4 milhões de litros nos 24 municípios da mesorregião, segundo levantamento do Portal do Cerrado na Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) do IBGE. O resultado contraria o movimento do restante do estado: a produção baiana de leite cresceu 2,2% no mesmo período, para 1,27 bilhão de litros, e a nacional avançou 1,4%, para 35,7 bilhões de litros — recorde da série histórica.

O recorte é o Extremo Oeste Baiano, mesorregião que vai de Formosa do Rio Preto a Cocos. A queda na produção regional de leite acontece apesar do crescimento em 17 dos 24 municípios — o resultado negativo se concentra em sete cidades, com destaque para Catolândia (−19,2%), Baianópolis (−14,8%) e Brejolândia (−13,5%). Juntas, a região responde por apenas 9,4% do leite produzido na Bahia.

Leite no oeste da Bahia se concentra em duas cidades pequenas

Diferente da produção de ovos, dominada por Barreiras, e do rebanho bovino de corte, espalhado por toda a mesorregião, o leite no oeste da Bahia se concentra em duas cidades pequenas do sul da região: Jaborandi e Serra Dourada. Juntas, somaram 49,97 milhões de litros em 2024, 41,8% de tudo o que os 24 municípios produziram. Jaborandi, com pouco menos de 10 mil habitantes, produziu sozinha 30 milhões de litros — mais do que os 17 municípios menos produtivos da região somados.

Depois das duas líderes vêm Santa Maria da Vitória (8,26 milhões de litros), Brejolândia (8 milhões) e Santana (7,35 milhões). Barreiras, a maior cidade da região, aparece só na sexta posição, com 5,7 milhões de litros — prova de que a pecuária leiteira no oeste da Bahia segue uma lógica diferente da soja e do algodão, concentrados nas chapadas de Barreiras, Luís Eduardo Magalhães e Formosa do Rio Preto.

Formosa do Rio Preto produziu menos leite em 2024

Formosa do Rio Preto, maior produtora de soja e algodão da região, ocupa apenas a 15ª posição na produção de leite no oeste da Bahia, com 1,79 milhão de litros em 2024 — queda de 9,6% sobre os 1,98 milhão de litros de 2023. Luís Eduardo Magalhães, outro polo do agronegócio de grãos, produziu ainda menos: 1,67 milhão de litros, na 17ª colocação entre os 24 municípios. A base do IBGE registra o resultado, não a causa da queda, mas o padrão se repete em outros levantamentos do portal: municípios especializados em grãos costumam ter pecuária leiteira menor e mais instável do que cidades como Jaborandi e Serra Dourada, onde o leite é atividade central da economia rural.

Município20232024Variação
Jaborandi29.96030.021+0,2%
Serra Dourada19.90019.950+0,3%
Santa Maria da Vitória8.1578.257+1,2%
Brejolândia9.2478.000−13,5%
Santana7.2537.353+1,4%
Barreiras5.6815.696+0,3%
São Félix do Coribe5.4755.4760,0%
Wanderley4.4494.475+0,6%
Angical3.9653.976+0,3%
Coribe3.0553.065+0,3%
Santa Rita de Cássia2.9252.935+0,3%
Correntina2.3732.375+0,1%
Tabocas do Brejo Velho2.1002.1010,0%
São Desidério1.9882.015+1,4%
Formosa do Rio Preto1.9761.786−9,6%
Baianópolis2.0541.750−14,8%
Luís Eduardo Magalhães1.6451.666+1,3%
Cotegipe1.6901.551−8,2%
Catolândia1.7641.426−19,2%
Mansidão1.4771.377−6,8%
Riachão das Neves1.3371.339+0,1%
Cocos1.2451.288+3,5%
Canápolis862864+0,2%
Cristópolis696686−1,4%
Total dos 24 municípios121.274119.428−1,5%
Produção de leite por município, em mil litros. Fonte: IBGE, Pesquisa da Pecuária Municipal, tabela 74 do Sidra. Consulta feita em 22 de setembro de 2026.

Sete municípios puxam a queda regional

Sete dos 24 municípios do oeste baiano produziram menos leite em 2024 do que em 2023: Catolândia (−19,2%), Baianópolis (−14,8%), Brejolândia (−13,5%), Formosa do Rio Preto (−9,6%), Cotegipe (−8,2%), Mansidão (−6,8%) e Cristópolis (−1,4%). Nos outros 17, a produção cresceu ou ficou estável — inclusive nos dois maiores produtores, Jaborandi e Serra Dourada, que sustentaram o topo do ranking mesmo com o recuo regional. A base do IBGE não aponta a causa de nenhuma dessas quedas isoladas; mostra apenas o resultado ano a ano.

  • Produção de leite no oeste da Bahia: 119,4 milhões de litros em 2024 (−1,5% sobre 2023)
  • Jaborandi e Serra Dourada somam 42% da produção regional
  • Barreiras, a maior cidade da região, é só a 6ª produtora de leite
  • Formosa do Rio Preto caiu para a 15ª posição, com queda de 9,6%
  • Bahia: 1,27 bilhão de litros em 2024 (+2,2%)
  • Brasil: 35,7 bilhões de litros em 2024 (+1,4%, recorde da série)

A pecuária leiteira se soma a outros retratos recentes da economia regional levantados pelo portal. O rebanho bovino do oeste da Bahia chegou a 2,27 milhões de cabeças em 2024, a maior parte destinada a corte, não a leite — o que ajuda a explicar por que a produção leiteira da região é pequena diante do tamanho do rebanho. Já a produção de ovos de galinha segue o padrão oposto: concentrada quase toda em Barreiras, por causa da avicultura industrial. A população da região segue crescendo, para 704,7 mil moradores, enquanto o PIB do oeste da Bahia recuou 3% em 2023 — dado mais recente disponível.

Como o Portal do Cerrado apurou

Os números saíram da tabela 74 do Sidra, de produção de origem animal, variável “leite”, somando um a um os 24 municípios do Extremo Oeste Baiano definidos pelo próprio IBGE — o mesmo recorte usado nos levantamentos anteriores do portal sobre rebanho bovino, ovos e outros produtos da pecuária regional. Os municípios vizinhos do Vale São-Franciscano, como Barra e Xique-Xique, ficaram de fora da conta.

O ano de referência é 2024, divulgado pelo IBGE em setembro de 2025; a pesquisa ainda não tem dado de 2025. Variações pequenas, de menos de 1%, como as de Barreiras e de vários municípios médios da região, não devem ser lidas como movimento real de produção — o IBGE revisa a série quando entram informações novas. A metodologia completa está na página da Pesquisa da Pecuária Municipal, no site do IBGE.

Para saber se a concentração da produção de leite no oeste da Bahia em Jaborandi e Serra Dourada é uma tendência de longo prazo ou um retrato pontual de 2024, o portal vai acompanhar a divulgação da PPM 2025, prevista para o segundo semestre, e checar se as duas cidades continuam à frente das demais.

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