
A produção de cana-de-açúcar no oeste da Bahia caiu 11,9% na safra 2025, segundo levantamento do Portal do Cerrado na Produção Agrícola Municipal (PAM) do IBGE. Os 23 municípios do Extremo Oeste Baiano que cultivam a cana colheram 76,3 mil toneladas, ante 86,6 mil toneladas em 2024. A queda chama atenção porque a área plantada praticamente não mudou — passou de 2.844 para 2.857 hectares, alta de apenas 0,5% — e porque o resto do país seguiu direção oposta: Bahia e Brasil registraram crescimento na mesma safra.
Produtividade da cana-de-açúcar no oeste da Bahia cai 12%
Com a área estável e a produção em queda, a produtividade média da cana-de-açúcar no oeste da Bahia recuou de 30,5 para 26,7 toneladas por hectare, perda de 12,3%. É o mesmo padrão que apareceu no feijão da região nesta semana: quando a área não muda mas a colheita cai, o problema está no campo, não no tamanho da lavoura. O IBGE não detalha causas agronômicas nos dados da PAM — clima, manejo ou variedade podem ter pesado, mas o levantamento não permite apontar qual delas.
Bahia e Brasil cresceram; a região, não
Enquanto a mesorregião perdia quase 12% da safra, a produção baiana de cana-de-açúcar cresceu 1,1% em 2025 (de 5,575 milhões para 5,636 milhões de toneladas) e a nacional avançou 0,7% (de 760,7 milhões para 766,1 milhões de toneladas). O oeste baiano é um ator pequeno nesse mercado — respondia por 1,55% da produção estadual em 2024 e caiu para 1,35% em 2025 —, mas o movimento é o oposto do que se via no estado e no país.
| Recorte | 2024 (mil t) | 2025 (mil t) | Variação |
|---|---|---|---|
| Extremo Oeste Baiano (23 municípios) | 86,6 | 76,3 | −11,9% |
| Bahia | 5.575,0 | 5.635,7 | +1,1% |
| Brasil | 760.706,4 | 766.116,7 | +0,7% |
Três municípios respondem por quase toda a queda
A queda regional não está espalhada de forma uniforme. Três municípios pequenos na produção de cana-de-açúcar concentram a maior parte da perda:
- Serra Dourada: de 2.989 para 837 toneladas, recuo de 72%
- Coribe: de 6.291 para 3.347 toneladas, recuo de 46,8%
- Canápolis: de 12.446 para 7.056 toneladas, recuo de 43,3%
Somadas, essas três quedas somam 10,5 mil toneladas — mais do que o recuo líquido de toda a mesorregião (10,3 mil toneladas), porque outros municípios cresceram e amorteceram parte da perda. Foi o caso de Jaborandi (+6,7%), Santa Rita de Cássia (+4,4%) e, principalmente, Santana.
Santana e Santa Maria da Vitória concentram a produção que resta
Com a queda em Canápolis, Coribe e Serra Dourada, o mapa da cana-de-açúcar no oeste da Bahia mudou de liderança. Santana passou a ser o maior produtor, com 16.046 toneladas (alta de 5,1%), seguido por Santa Maria da Vitória, com 15.020 toneladas (queda de 3,1%). Os dois municípios, somados a Canápolis, respondem por metade de toda a cana colhida na mesorregião em 2025.
No oeste da Bahia, cana é cultura secundária diante da soja
Os números da cana-de-açúcar no oeste da Bahia são pequenos perto do que a mesma faixa de municípios produz em outras culturas. São Desidério, por exemplo, colheu 2,36 milhões de toneladas de soja na safra 2025 — trinta vezes toda a cana colhida nos 23 municípios da mesorregião somados. A cultura não aparece entre os destaques do ranking de produção agrícola que colocou Formosa do Rio Preto entre os cinco maiores produtores do Brasil: no oeste baiano, ela é lavoura de escala pequena, concentrada em poucos municípios, e não disputa espaço com a soja, o algodão ou o milho que sustentam o PIB da região.
Como o Portal do Cerrado apurou
Os dados sobre a cana-de-açúcar no oeste da Bahia vêm da Produção Agrícola Municipal (PAM) do IBGE, tabela 1612 do Sidra, variável cana-de-açúcar (código 2696), para os 24 municípios do Extremo Oeste Baiano. Luís Eduardo Magalhães não registra a cultura na base e ficou fora da soma. A consulta foi feita em 22 de setembro de 2026, comparando as safras de 2024 e 2025 em área plantada e quantidade produzida, na mesma pesquisa do IBGE sobre culturas temporárias e permanentes. Os totais de Bahia e Brasil vêm da mesma tabela, para os mesmos anos.
| Município | 2024 (t) | 2025 (t) | Variação |
|---|---|---|---|
| Santana | 15.269 | 16.046 | +5,1% |
| Santa Maria da Vitória | 15.500 | 15.020 | −3,1% |
| Canápolis | 12.446 | 7.056 | −43,3% |
| Correntina | 6.927 | 6.869 | −0,8% |
| Coribe | 6.291 | 3.347 | −46,8% |
| Cristópolis | 4.224 | 4.183 | −1,0% |
| São Félix do Coribe | 2.400 | 2.400 | 0,0% |
| Tabocas do Brejo Velho | 2.208 | 2.214 | +0,3% |
| Riachão das Neves | 2.022 | 1.952 | −3,5% |
| Angical | 2.074 | 2.089 | +0,7% |
| Jaborandi | 1.785 | 1.905 | +6,7% |
| Formosa do Rio Preto | 1.443 | 1.405 | −2,6% |
| São Desidério | 1.501 | 1.426 | −5,0% |
| Santa Rita de Cássia | 1.387 | 1.448 | +4,4% |
| Baianópolis | 1.003 | 1.031 | +2,8% |
| Barreiras | 1.032 | 961 | −6,9% |
| Serra Dourada | 2.989 | 837 | −72,0% |
| Cocos | 1.905 | 1.825 | −4,2% |
| Wanderley | 277 | 255 | −7,9% |
| Cotegipe | 317 | 311 | −1,9% |
| Catolândia | 2.319 | 2.381 | +2,7% |
| Brejolândia | 1.165 | 1.223 | +5,0% |
| Mansidão | 125 | 131 | +4,8% |
| Total (23 municípios) | 86.609 | 76.315 | −11,9% |
A área plantada seguiu direção parecida com a da produção em boa parte dos municípios, mas não em todos: Canápolis, por exemplo, manteve os mesmos 350 hectares plantados em 2024 e 2025, mas a produção caiu quase pela metade — sinal de queda de rendimento, não de menos lavoura. O mesmo vale para Coribe e Serra Dourada, cujas áreas ficaram estáveis. Já Brejolândia reduziu a área plantada quase pela metade (de 45 para 23 hectares) e ainda assim colheu mais — produtividade em alta isolada em meio à queda regional.
Para o leitor que acompanha a safra de milho e o crescimento do algodão na região, a cana-de-açúcar no oeste da Bahia segue como a contramão dentro do próprio pacote de lavouras temporárias: enquanto milho e algodão cresceram na safra 2025, cana e feijão caíram — mostrando que o resultado positivo do agronegócio regional neste ano não foi uniforme entre as culturas.
