
A temperatura máxima no oeste da Bahia atinge o pico do ano em outubro, quando a média das tardes chega a 36,2°C em Santa Rita de Cássia, segundo a Normal Climatológica do Brasil 1991-2020, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O levantamento cobre as mesmas quatro estações convencionais já usadas pelo Portal do Cerrado para a temperatura mínima no oeste da Bahia: Barreiras, Barra, Correntina e Santa Rita de Cássia. Nesta quarta-feira, o Inmet mantém aviso de baixa umidade em grau de perigo para o Extremo Oeste Baiano, com umidade relativa entre 12% e 20% — o mesmo padrão que costuma anteceder os meses mais quentes do ano na região.
Outubro tem a maior temperatura máxima no oeste da Bahia nas quatro estações
Nas quatro estações do recorte, outubro é o mês da máxima mais alta do ano, sem exceção. Em Santa Rita de Cássia, a média das tardes de outubro chega a 36,2°C, a maior marca de toda a série. Barreiras fecha o mês com 35,8°C, seguida de perto por Barra, com 35,7°C. Correntina tem o valor mais ameno entre as quatro, 34,2°C, ainda assim o mais alto do calendário local. Depois do pico de outubro, a máxima recua em novembro nas quatro estações, à medida que as primeiras chuvas regulares chegam à região.
| Mês | Barreiras | Barra | Correntina | Sta. Rita de Cássia |
|---|---|---|---|---|
| Janeiro | 31,9 | 33,4 | — | 32,5 |
| Fevereiro | 31,6 | 33,3 | 31,4 | 31,8 |
| Março | 31,7 | — | 31,4 | 32,0 |
| Abril | 32,1 | 33,2 | 31,5 | 32,4 |
| Maio | 32,5 | 33,0 | 31,5 | 32,5 |
| Junho | 32,2 | 32,5 | 30,7 | 32,4 |
| Julho | 32,4 | 32,4 | — | 32,5 |
| Agosto | 33,9 | 33,4 | 31,9 | 34,0 |
| Setembro | 35,7 | 34,9 | 33,9 | 35,8 |
| Outubro | 35,8 | 35,7 | 34,2 | 36,2 |
| Novembro | 33,0 | 34,3 | 31,6 | 33,8 |
| Dezembro | 32,1 | 33,6 | 31,3 | 32,9 |
A tabela também mostra que setembro, mês em que a região vive hoje um aviso de baixa umidade, já entrega temperaturas quase tão altas quanto as de outubro — a diferença para o topo da série fica abaixo de 1°C nas quatro estações. Ou seja, o calor extremo começa antes do pico do calendário e segue firme até a chegada das primeiras chuvas regulares, no fim de outubro ou início de novembro.
Santa Rita de Cássia tem a maior amplitude térmica da região
Cruzando a temperatura máxima no oeste da Bahia com a mínima, aparece um contraste que nenhuma das duas variáveis mostra sozinha: Santa Rita de Cássia tem, ao mesmo tempo, as madrugadas mais frias e as tardes mais quentes da região. Em agosto, a estação registra 34,0°C de máxima e 14,9°C de mínima, uma amplitude de 19,1°C entre o ponto mais frio e o mais quente do dia — a maior de todo o levantamento. Barreiras vem em seguida, com 17,8°C de diferença no mesmo mês.
A amplitude alta é típica de clima seco e de céu limpo: sem nuvens nem umidade para reter o calor à noite, a temperatura despenca depois do pôr do sol e volta a subir rápido pela manhã. É também o inverso do que ocorre no litoral baiano, onde a umidade do mar segura a variação entre dia e noite. Por isso, essa amplitude soma-se à baixa umidade e aos focos de calor já registrados pelo portal como parte do mesmo quadro de seca de fim de inverno e início de primavera.
- Santa Rita de Cássia: 19,1°C de amplitude em agosto (34,0°C de máxima e 14,9°C de mínima)
- Barreiras: 17,8°C de amplitude em agosto (33,9°C de máxima e 16,1°C de mínima)
- Correntina: 17,1°C de amplitude em agosto (31,9°C de máxima e 14,8°C de mínima)
- Barra: 15,5°C de amplitude em junho, julho e agosto (a mais estável das quatro estações)
O que a temperatura máxima no oeste da Bahia muda para o plantio da soja
O pico de outubro na temperatura máxima no oeste da Bahia coincide com a abertura oficial da safra. Pela Portaria SDA/MAPA nº 1.579, o calendário de semeadura da soja na Região 1 do zoneamento agrícola de risco climático, que cobre todo o oeste baiano, só começa em 8 de outubro. Ou seja, o produtor planta justamente no mês mais quente do ano, antes de as chuvas regulares se firmarem. É por isso que a irrigação e a correção do solo, itens que caíram no crédito rural de investimento da região, pesam tanto nesta fase: preparar o solo e regar a lavoura no auge do calor é parte do custo de plantar cedo.
Formosa do Rio Preto e Luís Eduardo Magalhães seguem sem estação convencional
Como o Portal do Cerrado já mostrou ao tratar da temperatura mínima e das estações do Inmet na região, a normal climatológica não cobre Formosa do Rio Preto, Luís Eduardo Magalhães nem São Desidério: nenhum dos três municípios tem estação convencional com histórico de 30 anos. Na prática, o produtor desses municípios precisa recorrer à normal da estação mais próxima — neste levantamento, Barreiras ou Correntina — para ter uma referência histórica de calor, sem um retrato direto do próprio município. A rede automática do Inmet mede dados em tempo real nesses três municípios, mas não substitui a série longa que sustenta uma normal climatológica.
Como o Portal do Cerrado apurou a temperatura máxima no oeste da Bahia
Os números vêm da Normal Climatológica do Brasil 1991-2020, publicada pelo Inmet em planilhas abertas por variável meteorológica. Foi usada a tabela de temperatura máxima média compensada (TMAX), com as mesmas quatro estações convencionais do recorte de cobertura do portal: Barreiras (código 83236), Barra (83179), Correntina (83286) e Santa Rita de Cássia, medida pela estação de Ibipetuba (83076).
A amplitude térmica foi calculada cruzando essa tabela com a de temperatura mínima já usada em levantamento anterior do portal, mês a mês, em cada estação. A normal é uma média de 30 anos, não um retrato do clima atual, e alguns meses não têm valor calculado em Barra e Correntina, por falha pontual na série histórica da estação, não por ausência real de medições.
