Crédito de investimento no oeste da Bahia cai 24,6% e máquina perde espaço para o adubo

Levantamento do Portal do Cerrado na base Sicor, do Banco Central, mostra recuo de R$ 361 milhões em um ano e Barreiras com perda de 69,9%.

Colheitadeira em lavoura de soja ilustra o crédito de investimento no oeste da Bahia
Colheitadeira em lavoura de soja em Rondonópolis (MT), em 2009. Foto ilustrativa: Roosevelt Pinheiro/Agência Brasil, sob licença CC BY 3.0 BR.

O crédito de investimento no oeste da Bahia somou R$ 1,108 bilhão entre janeiro e agosto de 2026, contra R$ 1,469 bilhão no mesmo período do ano passado. A queda é de 24,6% e alcança 13 dos 24 municípios do Extremo Oeste Baiano. Os valores foram levantados pelo Portal do Cerrado em 21 de setembro na base Sicor, do Banco Central.

Investimento é a parte do crédito rural que banca bem durável: trator, colheitadeira, silo, pivô, curral e correção de solo. Não se confunde com o custeio, que paga a safra do ano e que também recuou na região, 10,5%. Somadas as duas modalidades, os 24 municípios contrataram R$ 4,14 bilhões até agosto.

Barreiras perde quase 70% e São Desidério assume a liderança

Barreiras teve a maior perda absoluta: saiu de R$ 293,0 milhões em 2025 para R$ 88,3 milhões, recuo de 69,9%. Na direção oposta, São Desidério cresceu 35,4% e passou a responder sozinho por 31,6% de todo o crédito de investimento no oeste da Bahia. Juntos, São Desidério, Correntina, Formosa do Rio Preto e Luís Eduardo Magalhães concentram 62,6% do valor contratado.

Onze municípios cresceram, quase todos de porte menor: Tabocas do Brejo Velho avançou 37,5% e Santana, 32,8%. Entre os que recuaram, Wanderley perdeu 58,7%.

Município2025 (R$ mi)2026 (R$ mi)Variação
São Desidério259,1350,8+35,4%
Correntina226,7137,5−39,4%
Formosa do Rio Preto139,3117,2−15,8%
Luís Eduardo Magalhães148,588,5−40,4%
Barreiras293,088,3−69,9%
Jaborandi83,861,7−26,4%
Riachão das Neves87,840,1−54,3%
São Félix do Coribe26,028,1+8,2%
Coribe24,827,5+10,9%
Santa Maria da Vitória22,526,5+18,1%
Santa Rita de Cássia27,919,0−32,0%
Brejolândia15,917,0+6,5%
Angical15,316,6+8,5%
Serra Dourada18,514,7−20,4%
Santana9,913,1+32,8%
Tabocas do Brejo Velho8,211,3+37,5%
Cocos7,28,5+18,0%
Cotegipe7,88,2+5,7%
Baianópolis9,68,0−16,5%
Wanderley17,97,4−58,7%
Canápolis6,56,0−6,6%
Mansidão4,55,6+24,7%
Cristópolis5,84,4−24,6%
Catolândia3,32,4−27,5%
Total da mesorregião1.469,71.108,5−24,6%
Crédito rural de investimento contratado de janeiro a agosto, em R$ milhões. Fonte: Sicor/Banco Central, consulta feita em 21 de setembro de 2026.

Máquina perde espaço para o solo

A mudança mais forte, porém, não está no mapa: está na finalidade do dinheiro. As três rubricas de máquina — colheitadeiras, tratores e máquinas e implementos — caíram de R$ 535,0 milhões para R$ 321,7 milhões, perda de 39,9%. Já as rubricas de solo — adubação intensiva, correção intensiva e conservação — subiram de R$ 214,2 milhões para R$ 268,2 milhões, alta de 25,2%.

Dentro do bloco do solo há uma inversão: a adubação intensiva saltou de R$ 9,7 milhões para R$ 153,8 milhões e virou a segunda maior finalidade da região, atrás só das colheitadeiras, enquanto a correção intensiva, líder em 2025, caiu de R$ 196,7 milhões para R$ 70,8 milhões. Veja as principais rubricas:

  • Colheitadeiras e arrancadeiras: R$ 173,1 mi em 2025 e R$ 157,1 mi em 2026 (−9,2%)
  • Adubação intensiva do solo: R$ 9,7 mi e R$ 153,8 mi (+1.480,7%)
  • Trator: R$ 122,7 mi e R$ 82,7 mi (−32,6%)
  • Máquinas e implementos: R$ 239,2 mi e R$ 81,8 mi (−65,8%)
  • Correção intensiva do solo: R$ 196,7 mi e R$ 70,8 mi (−64,0%)
  • Irrigação: R$ 157,8 mi e R$ 70,7 mi (−55,2%)
  • Conservação de solos: R$ 7,8 mi e R$ 43,6 mi (+458,0%)

A irrigação, item caro e típico das chapadas, perdeu 55,2%, e armazém e silo recuaram 29,2%. Já bovinos ficou estável, em R$ 120,0 milhões, o que conversa com o rebanho bovino da mesorregião, que cresceu 3,2% no último levantamento do IBGE. A base registra o valor contratado e a finalidade declarada, não a razão da escolha do produtor.

A Bahia ficou estável, o oeste não

O contraste com o resto do estado é o achado que mais pesa. Em toda a Bahia, o investimento rural de janeiro a agosto passou de R$ 3,89 bilhões para R$ 3,85 bilhões, queda de apenas 0,9%, em 197,5 mil contratos — 6% a mais que em 2025. O estado manteve o volume; o crédito de investimento no oeste da Bahia, não.

Por isso a fatia da mesorregião no investimento rural baiano caiu de 37,8% para 28,8% em um ano. A área que concentra quase toda a soja do estado e abriga o 5º maior produtor agrícola do país perdeu peso na parte do crédito que moderniza a propriedade.

O que o crédito de investimento no oeste da Bahia exige de quem vai contratar

As condições das linhas estão no Plano Safra 2026/2027, que reserva R$ 525,1 bilhões para custeio, comercialização e investimento na agricultura empresarial. O calendário também pesa: o calendário de semeadura da soja na região só abre em 8 de outubro, e obras de armazenagem e correção de solo costumam ser feitas antes dessa janela.

Os contratos ficam na base de dados do crédito rural do Banco Central, atualizada todo mês, e as regras de cada linha, com o Ministério da Agricultura e Pecuária. Outros levantamentos saem na editoria de economia do oeste baiano.

Como o Portal do Cerrado apurou

O levantamento usou o recurso de investimento por município e produto do Sicor, consultado um a um nos 24 municípios do Extremo Oeste Baiano, na divisão oficial do IBGE. Foram somados os valores de janeiro a agosto nos dois anos, para comparar períodos iguais, porque a série termina em agosto.

Ficaram de fora custeio, comercialização e crédito industrial. Meses recentes ainda podem ser revistos pelo Banco Central, então os valores de 2026 tendem a subir. Mesmo assim, a comparação usa o mesmo critério nos dois anos, e sustenta a queda do crédito de investimento no oeste da Bahia.

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