
O crédito de investimento no oeste da Bahia somou R$ 1,108 bilhão entre janeiro e agosto de 2026, contra R$ 1,469 bilhão no mesmo período do ano passado. A queda é de 24,6% e alcança 13 dos 24 municípios do Extremo Oeste Baiano. Os valores foram levantados pelo Portal do Cerrado em 21 de setembro na base Sicor, do Banco Central.
Investimento é a parte do crédito rural que banca bem durável: trator, colheitadeira, silo, pivô, curral e correção de solo. Não se confunde com o custeio, que paga a safra do ano e que também recuou na região, 10,5%. Somadas as duas modalidades, os 24 municípios contrataram R$ 4,14 bilhões até agosto.
Barreiras perde quase 70% e São Desidério assume a liderança
Barreiras teve a maior perda absoluta: saiu de R$ 293,0 milhões em 2025 para R$ 88,3 milhões, recuo de 69,9%. Na direção oposta, São Desidério cresceu 35,4% e passou a responder sozinho por 31,6% de todo o crédito de investimento no oeste da Bahia. Juntos, São Desidério, Correntina, Formosa do Rio Preto e Luís Eduardo Magalhães concentram 62,6% do valor contratado.
Onze municípios cresceram, quase todos de porte menor: Tabocas do Brejo Velho avançou 37,5% e Santana, 32,8%. Entre os que recuaram, Wanderley perdeu 58,7%.
| Município | 2025 (R$ mi) | 2026 (R$ mi) | Variação |
|---|---|---|---|
| São Desidério | 259,1 | 350,8 | +35,4% |
| Correntina | 226,7 | 137,5 | −39,4% |
| Formosa do Rio Preto | 139,3 | 117,2 | −15,8% |
| Luís Eduardo Magalhães | 148,5 | 88,5 | −40,4% |
| Barreiras | 293,0 | 88,3 | −69,9% |
| Jaborandi | 83,8 | 61,7 | −26,4% |
| Riachão das Neves | 87,8 | 40,1 | −54,3% |
| São Félix do Coribe | 26,0 | 28,1 | +8,2% |
| Coribe | 24,8 | 27,5 | +10,9% |
| Santa Maria da Vitória | 22,5 | 26,5 | +18,1% |
| Santa Rita de Cássia | 27,9 | 19,0 | −32,0% |
| Brejolândia | 15,9 | 17,0 | +6,5% |
| Angical | 15,3 | 16,6 | +8,5% |
| Serra Dourada | 18,5 | 14,7 | −20,4% |
| Santana | 9,9 | 13,1 | +32,8% |
| Tabocas do Brejo Velho | 8,2 | 11,3 | +37,5% |
| Cocos | 7,2 | 8,5 | +18,0% |
| Cotegipe | 7,8 | 8,2 | +5,7% |
| Baianópolis | 9,6 | 8,0 | −16,5% |
| Wanderley | 17,9 | 7,4 | −58,7% |
| Canápolis | 6,5 | 6,0 | −6,6% |
| Mansidão | 4,5 | 5,6 | +24,7% |
| Cristópolis | 5,8 | 4,4 | −24,6% |
| Catolândia | 3,3 | 2,4 | −27,5% |
| Total da mesorregião | 1.469,7 | 1.108,5 | −24,6% |
Máquina perde espaço para o solo
A mudança mais forte, porém, não está no mapa: está na finalidade do dinheiro. As três rubricas de máquina — colheitadeiras, tratores e máquinas e implementos — caíram de R$ 535,0 milhões para R$ 321,7 milhões, perda de 39,9%. Já as rubricas de solo — adubação intensiva, correção intensiva e conservação — subiram de R$ 214,2 milhões para R$ 268,2 milhões, alta de 25,2%.
Dentro do bloco do solo há uma inversão: a adubação intensiva saltou de R$ 9,7 milhões para R$ 153,8 milhões e virou a segunda maior finalidade da região, atrás só das colheitadeiras, enquanto a correção intensiva, líder em 2025, caiu de R$ 196,7 milhões para R$ 70,8 milhões. Veja as principais rubricas:
- Colheitadeiras e arrancadeiras: R$ 173,1 mi em 2025 e R$ 157,1 mi em 2026 (−9,2%)
- Adubação intensiva do solo: R$ 9,7 mi e R$ 153,8 mi (+1.480,7%)
- Trator: R$ 122,7 mi e R$ 82,7 mi (−32,6%)
- Máquinas e implementos: R$ 239,2 mi e R$ 81,8 mi (−65,8%)
- Correção intensiva do solo: R$ 196,7 mi e R$ 70,8 mi (−64,0%)
- Irrigação: R$ 157,8 mi e R$ 70,7 mi (−55,2%)
- Conservação de solos: R$ 7,8 mi e R$ 43,6 mi (+458,0%)
A irrigação, item caro e típico das chapadas, perdeu 55,2%, e armazém e silo recuaram 29,2%. Já bovinos ficou estável, em R$ 120,0 milhões, o que conversa com o rebanho bovino da mesorregião, que cresceu 3,2% no último levantamento do IBGE. A base registra o valor contratado e a finalidade declarada, não a razão da escolha do produtor.
A Bahia ficou estável, o oeste não
O contraste com o resto do estado é o achado que mais pesa. Em toda a Bahia, o investimento rural de janeiro a agosto passou de R$ 3,89 bilhões para R$ 3,85 bilhões, queda de apenas 0,9%, em 197,5 mil contratos — 6% a mais que em 2025. O estado manteve o volume; o crédito de investimento no oeste da Bahia, não.
Por isso a fatia da mesorregião no investimento rural baiano caiu de 37,8% para 28,8% em um ano. A área que concentra quase toda a soja do estado e abriga o 5º maior produtor agrícola do país perdeu peso na parte do crédito que moderniza a propriedade.
O que o crédito de investimento no oeste da Bahia exige de quem vai contratar
As condições das linhas estão no Plano Safra 2026/2027, que reserva R$ 525,1 bilhões para custeio, comercialização e investimento na agricultura empresarial. O calendário também pesa: o calendário de semeadura da soja na região só abre em 8 de outubro, e obras de armazenagem e correção de solo costumam ser feitas antes dessa janela.
Os contratos ficam na base de dados do crédito rural do Banco Central, atualizada todo mês, e as regras de cada linha, com o Ministério da Agricultura e Pecuária. Outros levantamentos saem na editoria de economia do oeste baiano.
Como o Portal do Cerrado apurou
O levantamento usou o recurso de investimento por município e produto do Sicor, consultado um a um nos 24 municípios do Extremo Oeste Baiano, na divisão oficial do IBGE. Foram somados os valores de janeiro a agosto nos dois anos, para comparar períodos iguais, porque a série termina em agosto.
Ficaram de fora custeio, comercialização e crédito industrial. Meses recentes ainda podem ser revistos pelo Banco Central, então os valores de 2026 tendem a subir. Mesmo assim, a comparação usa o mesmo critério nos dois anos, e sustenta a queda do crédito de investimento no oeste da Bahia.
