Algodão no oeste da Bahia cresce 20% na safra 2025 e dobra o ritmo nacional

A safra 2025 do IBGE mostra 393,7 mil hectares plantados nos 24 municípios da região, alta de 20,1% sobre 2024, mesmo com o crédito rural em queda.

Plantação de algodão no oeste da Bahia, em imagem de arquivo da região produtora
Lavoura de algodão na Bahia. Foto: PETRÔNIORAMALHO / Wikimedia Commons, sob licença CC BY-SA 4.0.

O algodão no oeste da Bahia encerrou a safra 2025 com 393,7 mil hectares plantados nos 24 municípios do Extremo Oeste Baiano, alta de 20,1% sobre a safra anterior — mais que o dobro do ritmo verificado no país inteiro. O levantamento, feito pelo Portal do Cerrado a partir da Produção Agrícola Municipal (PAM) do IBGE, divulgada em 17 de setembro, mostra que a expansão da lavoura na região segue firme mesmo depois de o crédito rural para a cultura ter caído pela metade neste ano.

Os números da safra 2025

A PAM é a pesquisa oficial do IBGE que mede, todo ano, área plantada, área colhida e quantidade produzida por município. Segundo ela, os 24 municípios do Extremo Oeste Baiano colheram 1,8 milhão de toneladas de algodão em caroço na safra 2025, alta de 23,3% sobre as 1,46 milhão de toneladas de 2024. Juntos, eles respondem por 96,7% de toda a área plantada de algodão da Bahia e por 98,5% da produção estadual: a lavoura baiana da fibra está, na prática, quase inteira dentro da região.

Na Bahia como um todo, a área plantada foi de 338,7 mil para 407 mil hectares, avanço de 20,2%, e a produção passou de 1,49 milhão para 1,83 milhão de toneladas, alta de 23,2%. No Brasil, por outro lado, a área colhida de algodão herbáceo cresceu apenas 8,1% e a produção, 16,4%, segundo o informativo nacional da PAM 2025 — um ritmo bem mais lento que o da região. Em valor, o algodão baiano gerou R$ 7,9 bilhões em 2025, alta de 21,9%, e já supera o cacau entre as culturas do estado.

Formosa do Rio Preto e São Desidério puxam o algodão no oeste da Bahia

São Desidério segue como o maior produtor da região: 144,4 mil hectares plantados em 2025, 21,7% a mais que no ano anterior, com produção de 700,5 mil toneladas, alta de 25,5%. Segundo o IBGE, o município gerou R$ 3,1 bilhões só com a cultura, a segunda maior soma do país entre os municípios que plantam algodão.

Em segundo lugar na área plantada vem Formosa do Rio Preto, que em agosto subiu para o 5º lugar entre os maiores produtores agrícolas do Brasil: 64,3 mil hectares de algodão, alta de 22,9%, com 282 mil toneladas colhidas, 26,1% a mais que em 2024. Somados, São Desidério, Formosa do Rio Preto e Correntina respondem por 65,5% de toda a área de algodão do Extremo Oeste Baiano.

Depois dos três líderes, a expansão também aparece com força em Riachão das Neves, que passou para 43,7 mil hectares (+24%), e em Barreiras, que chegou a 31,7 mil hectares (+24%). Já Correntina, o terceiro maior produtor, cresceu num ritmo mais moderado, de 8,3% na área e 11,9% na produção, abaixo da média da região.

  • São Desidério — 144.424 ha (+21,7%), 700.456 t
  • Formosa do Rio Preto — 64.321 ha (+22,9%), 281.983 t
  • Correntina — 49.358 ha (+8,3%), 227.146 t
  • Riachão das Neves — 43.696 ha (+24,0%), 176.619 t
  • Barreiras — 31.688 ha (+24,0%), 144.529 t

O crédito recua, mas a lavoura avança

O crescimento da área plantada chama atenção porque caminha na direção oposta do crédito. Levantamento anterior do Portal do Cerrado na base do Banco Central mostrou que o custeio rural caiu 55% para o algodão na região entre janeiro e agosto de 2026, e que o crédito de investimento também recuou no mesmo período. Ou seja, os produtores plantaram mais algodão no oeste da Bahia mesmo financiando menos a safra pelo Sicor.

Isso sugere que parte do custeio migrou para fontes que a base do Banco Central não capta, como recursos próprios ou financiamento privado — a PAM mede o resultado da safra, não a origem do dinheiro, então essa é uma hipótese, não um fato apurado nesta rodada. A expansão também chama atenção numa região cujo PIB recuou 3% em 2023, na contramão do estado: o algodão é uma exceção na economia regional.

Como o Portal do Cerrado apurou o algodão no oeste da Bahia

Os números vêm da tabela 1612 do Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra), que traz a Produção Agrícola Municipal por município, cultura e ano. O Portal do Cerrado consultou a série de 2024 e 2025 para os 24 municípios do Extremo Oeste Baiano, na categoria “algodão herbáceo (em caroço)”, e comparou o resultado com os totais da Bahia e do Brasil. Os dados nacionais de área colhida, produção e valor vêm do informativo oficial da PAM 2025, publicado pelo IBGE.

Três municípios da mesorregião não registram lavoura de algodão relevante e ficaram fora da comparação. A expansão ocorre às vésperas da liberação do plantio da soja, em 8 de outubro na mesma região, e a safra 2025 ainda pode sofrer pequenos ajustes em divulgações futuras do IBGE.

MunicípioÁrea 2024 (ha)Área 2025 (ha)VariaçãoProdução 2025 (t)
São Desidério118.660144.424+21,7%700.456
Formosa do Rio Preto52.35364.321+22,9%281.983
Correntina45.58549.358+8,3%227.146
Riachão das Neves35.23143.696+24,0%176.619
Barreiras25.54931.688+24,0%144.529
Jaborandi19.63423.676+20,6%102.588
Luís Eduardo Magalhães18.32921.505+17,3%100.837
Cocos5.7516.871+19,5%31.895
Baianópolis3.6134.398+21,7%20.270
Santana1.6521.992+20,6%9.227
Wanderley1.5581.811+16,2%7.488
Total dos 24 municípios327.915393.740+20,1%1.803.038
Bahia338.737407.000+20,2%1.830.972
Fonte: IBGE, Produção Agrícola Municipal (PAM) 2025, tabela 1612 do Sidra. Consulta feita pelo Portal do Cerrado em 21/09/2026.

O algodão no oeste da Bahia segue, assim, como o núcleo da produção baiana da fibra e um dos polos que mais cresce no país nesta safra.

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