
O algodão no oeste da Bahia encerrou a safra 2025 com 393,7 mil hectares plantados nos 24 municípios do Extremo Oeste Baiano, alta de 20,1% sobre a safra anterior — mais que o dobro do ritmo verificado no país inteiro. O levantamento, feito pelo Portal do Cerrado a partir da Produção Agrícola Municipal (PAM) do IBGE, divulgada em 17 de setembro, mostra que a expansão da lavoura na região segue firme mesmo depois de o crédito rural para a cultura ter caído pela metade neste ano.
Os números da safra 2025
A PAM é a pesquisa oficial do IBGE que mede, todo ano, área plantada, área colhida e quantidade produzida por município. Segundo ela, os 24 municípios do Extremo Oeste Baiano colheram 1,8 milhão de toneladas de algodão em caroço na safra 2025, alta de 23,3% sobre as 1,46 milhão de toneladas de 2024. Juntos, eles respondem por 96,7% de toda a área plantada de algodão da Bahia e por 98,5% da produção estadual: a lavoura baiana da fibra está, na prática, quase inteira dentro da região.
Na Bahia como um todo, a área plantada foi de 338,7 mil para 407 mil hectares, avanço de 20,2%, e a produção passou de 1,49 milhão para 1,83 milhão de toneladas, alta de 23,2%. No Brasil, por outro lado, a área colhida de algodão herbáceo cresceu apenas 8,1% e a produção, 16,4%, segundo o informativo nacional da PAM 2025 — um ritmo bem mais lento que o da região. Em valor, o algodão baiano gerou R$ 7,9 bilhões em 2025, alta de 21,9%, e já supera o cacau entre as culturas do estado.
Formosa do Rio Preto e São Desidério puxam o algodão no oeste da Bahia
São Desidério segue como o maior produtor da região: 144,4 mil hectares plantados em 2025, 21,7% a mais que no ano anterior, com produção de 700,5 mil toneladas, alta de 25,5%. Segundo o IBGE, o município gerou R$ 3,1 bilhões só com a cultura, a segunda maior soma do país entre os municípios que plantam algodão.
Em segundo lugar na área plantada vem Formosa do Rio Preto, que em agosto subiu para o 5º lugar entre os maiores produtores agrícolas do Brasil: 64,3 mil hectares de algodão, alta de 22,9%, com 282 mil toneladas colhidas, 26,1% a mais que em 2024. Somados, São Desidério, Formosa do Rio Preto e Correntina respondem por 65,5% de toda a área de algodão do Extremo Oeste Baiano.
Depois dos três líderes, a expansão também aparece com força em Riachão das Neves, que passou para 43,7 mil hectares (+24%), e em Barreiras, que chegou a 31,7 mil hectares (+24%). Já Correntina, o terceiro maior produtor, cresceu num ritmo mais moderado, de 8,3% na área e 11,9% na produção, abaixo da média da região.
- São Desidério — 144.424 ha (+21,7%), 700.456 t
- Formosa do Rio Preto — 64.321 ha (+22,9%), 281.983 t
- Correntina — 49.358 ha (+8,3%), 227.146 t
- Riachão das Neves — 43.696 ha (+24,0%), 176.619 t
- Barreiras — 31.688 ha (+24,0%), 144.529 t
O crédito recua, mas a lavoura avança
O crescimento da área plantada chama atenção porque caminha na direção oposta do crédito. Levantamento anterior do Portal do Cerrado na base do Banco Central mostrou que o custeio rural caiu 55% para o algodão na região entre janeiro e agosto de 2026, e que o crédito de investimento também recuou no mesmo período. Ou seja, os produtores plantaram mais algodão no oeste da Bahia mesmo financiando menos a safra pelo Sicor.
Isso sugere que parte do custeio migrou para fontes que a base do Banco Central não capta, como recursos próprios ou financiamento privado — a PAM mede o resultado da safra, não a origem do dinheiro, então essa é uma hipótese, não um fato apurado nesta rodada. A expansão também chama atenção numa região cujo PIB recuou 3% em 2023, na contramão do estado: o algodão é uma exceção na economia regional.
Como o Portal do Cerrado apurou o algodão no oeste da Bahia
Os números vêm da tabela 1612 do Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra), que traz a Produção Agrícola Municipal por município, cultura e ano. O Portal do Cerrado consultou a série de 2024 e 2025 para os 24 municípios do Extremo Oeste Baiano, na categoria “algodão herbáceo (em caroço)”, e comparou o resultado com os totais da Bahia e do Brasil. Os dados nacionais de área colhida, produção e valor vêm do informativo oficial da PAM 2025, publicado pelo IBGE.
Três municípios da mesorregião não registram lavoura de algodão relevante e ficaram fora da comparação. A expansão ocorre às vésperas da liberação do plantio da soja, em 8 de outubro na mesma região, e a safra 2025 ainda pode sofrer pequenos ajustes em divulgações futuras do IBGE.
| Município | Área 2024 (ha) | Área 2025 (ha) | Variação | Produção 2025 (t) |
|---|---|---|---|---|
| São Desidério | 118.660 | 144.424 | +21,7% | 700.456 |
| Formosa do Rio Preto | 52.353 | 64.321 | +22,9% | 281.983 |
| Correntina | 45.585 | 49.358 | +8,3% | 227.146 |
| Riachão das Neves | 35.231 | 43.696 | +24,0% | 176.619 |
| Barreiras | 25.549 | 31.688 | +24,0% | 144.529 |
| Jaborandi | 19.634 | 23.676 | +20,6% | 102.588 |
| Luís Eduardo Magalhães | 18.329 | 21.505 | +17,3% | 100.837 |
| Cocos | 5.751 | 6.871 | +19,5% | 31.895 |
| Baianópolis | 3.613 | 4.398 | +21,7% | 20.270 |
| Santana | 1.652 | 1.992 | +20,6% | 9.227 |
| Wanderley | 1.558 | 1.811 | +16,2% | 7.488 |
| Total dos 24 municípios | 327.915 | 393.740 | +20,1% | 1.803.038 |
| Bahia | 338.737 | 407.000 | +20,2% | 1.830.972 |
O algodão no oeste da Bahia segue, assim, como o núcleo da produção baiana da fibra e um dos polos que mais cresce no país nesta safra.
