Rebanho suíno no oeste da Bahia cresce 3,8% em 2024 e perde espaço no estado

A PPM do IBGE mostra 129.685 cabeças nos 24 municípios da região em 2024, alta de 3,8%, enquanto o rebanho suíno da Bahia cresceu 11,5%.

Rebanho suíno no oeste da Bahia: porco em fazenda, foto ilustrativa
Suíno em fazenda na França, foto ilustrativa. Foto: Gzen92 / Wikimedia Commons, sob licença CC BY-SA 4.0.

O rebanho suíno no oeste da Bahia chegou a 129.685 cabeças em 2024, alta de 3,8% sobre o ano anterior — um ritmo bem mais lento que o do resto do estado. Levantamento do Portal do Cerrado na Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) do IBGE mostra que, enquanto a criação cresceu no Extremo Oeste Baiano, ela avançou muito mais rápido no restante da Bahia, e a região perdeu participação no rebanho estadual.

Os números da PPM 2024

A PPM é a pesquisa oficial do IBGE que mede, todo ano, o efetivo de cada rebanho por município, a partir de estimativas declaradas por produtores e órgãos estaduais de defesa agropecuária. Segundo ela, o rebanho suíno da Bahia inteira passou de 1.017.823 para 1.134.931 cabeças entre 2023 e 2024, alta de 11,5% — quase três vezes o ritmo do rebanho suíno no oeste da Bahia. No Brasil, o crescimento foi de apenas 1,8%, o que mostra que a aceleração baiana é um fenômeno estadual, não nacional.

Essa diferença de ritmo tem um efeito direto na participação da região: em 2023, os 24 municípios respondiam por 12,3% do rebanho suíno baiano; em 2024, essa fatia caiu para 11,4%, uma perda de quase um ponto percentual em apenas um ano. O rebanho bovino da região e o rebanho de aves, levantados em rodadas anteriores pelo Portal do Cerrado, têm participação bem maior no total estadual de suas respectivas criações — o suíno é, das três, a criação em que o oeste baiano menos pesa e a que mais perde espaço.

Cocos dispara, mas os grandes produtores empacam

O crescimento mais expressivo do rebanho suíno no oeste da Bahia não vem de quem já cria mais suínos. Cocos quase dobrou o rebanho, de 2.279 para 4.465 cabeças, alta de 95,9% — o maior salto percentual entre os 24 municípios, embora o efetivo ainda seja pequeno perto dos líderes regionais. Riachão das Neves também se destacou, com 4.102 cabeças em 2024 ante 3.088 no ano anterior, avanço de 32,8%, e Angical cresceu 16,6%.

Já os quatro maiores criadores da região praticamente empacaram: Serra Dourada, o líder regional com 15.270 cabeças, cresceu apenas 0,05%; São Desidério, segundo colocado com 12.950, avançou 0,3%; Santana e Santa Maria da Vitória, empatados na faixa das 10 mil cabeças, tiveram variação semelhante. O crescimento da região em 2024 veio, portanto, de municípios menores partindo de um rebanho pequeno, não dos polos tradicionais da criação.

  • Serra Dourada — 15.270 cabeças (+0,05%)
  • São Desidério — 12.950 cabeças (+0,3%)
  • Santana — 10.785 cabeças (+0,06%)
  • Santa Maria da Vitória — 10.100 cabeças (+0,3%)
  • Brejolândia — 7.175 cabeças (+19,6%)

Formosa do Rio Preto e Barreiras recuam

Nem todo município cresceu. Formosa do Rio Preto encerrou 2024 com 6.251 cabeças, queda de 5,2% sobre as 6.596 registradas em 2023, e Barreiras recuou 6,2%, de 4.753 para 4.460. Mansidão também perdeu rebanho, com retração de 3%. A PPM mede o resultado da contagem, não a causa da queda, então essa comparação não permite apontar se o recuo veio de abate, de migração da atividade ou de outro fator.

A queda em Formosa do Rio Preto chama atenção porque o município lidera outras frentes do agronegócio regional: é o segundo maior produtor de algodão do oeste da Bahia e um dos destaques do crescimento populacional da região — mas, na pecuária suína, perde espaço.

Como o Portal do Cerrado apurou o rebanho suíno no oeste da Bahia

Os dados vêm da tabela 3939 do Sidra, na categoria “suíno, total” da Pesquisa da Pecuária Municipal, com a série de 2023 e 2024 para os 24 municípios do Extremo Oeste Baiano, comparada aos totais da Bahia e do Brasil. A pesquisa é anual e a edição de 2024 foi a mais recente disponível na consulta desta rodada; a PPM 2025 ainda não havia sido divulgada. O levantamento é o quarto da série de pecuária que o Portal do Cerrado publica na região em 2026, depois do rebanho bovino, do rebanho de aves e da comparação com o PIB regional, que também recuou em 2023.

Município2023 (cabeças)2024 (cabeças)Variação
Serra Dourada15.26315.270+0,05%
São Desidério12.91712.950+0,3%
Santana10.77910.785+0,06%
Santa Maria da Vitória10.07110.100+0,3%
Brejolândia6.0007.175+19,6%
Formosa do Rio Preto6.5966.251−5,2%
Correntina5.6585.670+0,2%
Wanderley5.2395.245+0,1%
Canápolis5.1645.160−0,1%
Santa Rita de Cássia4.9395.137+4,0%
Barreiras4.7534.460−6,2%
Cocos2.2794.465+95,9%
Riachão das Neves3.0884.102+32,8%
Cotegipe4.0024.025+0,6%
Baianópolis3.5413.825+8,0%
Luís Eduardo Magalhães3.5643.685+3,4%
Jaborandi3.5583.570+0,3%
Coribe3.3233.315−0,2%
Cristópolis3.1933.195+0,1%
Mansidão3.1243.030−3,0%
Angical2.4442.850+16,6%
São Félix do Coribe2.5772.580+0,1%
Tabocas do Brejo Velho2.0052.010+0,2%
Catolândia825830+0,6%
Total dos 24 municípios124.902129.685+3,8%
Bahia1.017.8231.134.931+11,5%
Fonte: IBGE, Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), tabela 3939 do Sidra. Consulta feita pelo Portal do Cerrado em 21/09/2026.

O rebanho suíno no oeste da Bahia cresce, portanto, mas devagar demais para acompanhar o resto do estado — e o mapa de quem ganhou e quem perdeu cabeças em 2024 pouco tem a ver com o tamanho de cada rebanho.

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