
O rebanho suíno no oeste da Bahia chegou a 129.685 cabeças em 2024, alta de 3,8% sobre o ano anterior — um ritmo bem mais lento que o do resto do estado. Levantamento do Portal do Cerrado na Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) do IBGE mostra que, enquanto a criação cresceu no Extremo Oeste Baiano, ela avançou muito mais rápido no restante da Bahia, e a região perdeu participação no rebanho estadual.
Os números da PPM 2024
A PPM é a pesquisa oficial do IBGE que mede, todo ano, o efetivo de cada rebanho por município, a partir de estimativas declaradas por produtores e órgãos estaduais de defesa agropecuária. Segundo ela, o rebanho suíno da Bahia inteira passou de 1.017.823 para 1.134.931 cabeças entre 2023 e 2024, alta de 11,5% — quase três vezes o ritmo do rebanho suíno no oeste da Bahia. No Brasil, o crescimento foi de apenas 1,8%, o que mostra que a aceleração baiana é um fenômeno estadual, não nacional.
Essa diferença de ritmo tem um efeito direto na participação da região: em 2023, os 24 municípios respondiam por 12,3% do rebanho suíno baiano; em 2024, essa fatia caiu para 11,4%, uma perda de quase um ponto percentual em apenas um ano. O rebanho bovino da região e o rebanho de aves, levantados em rodadas anteriores pelo Portal do Cerrado, têm participação bem maior no total estadual de suas respectivas criações — o suíno é, das três, a criação em que o oeste baiano menos pesa e a que mais perde espaço.
Cocos dispara, mas os grandes produtores empacam
O crescimento mais expressivo do rebanho suíno no oeste da Bahia não vem de quem já cria mais suínos. Cocos quase dobrou o rebanho, de 2.279 para 4.465 cabeças, alta de 95,9% — o maior salto percentual entre os 24 municípios, embora o efetivo ainda seja pequeno perto dos líderes regionais. Riachão das Neves também se destacou, com 4.102 cabeças em 2024 ante 3.088 no ano anterior, avanço de 32,8%, e Angical cresceu 16,6%.
Já os quatro maiores criadores da região praticamente empacaram: Serra Dourada, o líder regional com 15.270 cabeças, cresceu apenas 0,05%; São Desidério, segundo colocado com 12.950, avançou 0,3%; Santana e Santa Maria da Vitória, empatados na faixa das 10 mil cabeças, tiveram variação semelhante. O crescimento da região em 2024 veio, portanto, de municípios menores partindo de um rebanho pequeno, não dos polos tradicionais da criação.
- Serra Dourada — 15.270 cabeças (+0,05%)
- São Desidério — 12.950 cabeças (+0,3%)
- Santana — 10.785 cabeças (+0,06%)
- Santa Maria da Vitória — 10.100 cabeças (+0,3%)
- Brejolândia — 7.175 cabeças (+19,6%)
Formosa do Rio Preto e Barreiras recuam
Nem todo município cresceu. Formosa do Rio Preto encerrou 2024 com 6.251 cabeças, queda de 5,2% sobre as 6.596 registradas em 2023, e Barreiras recuou 6,2%, de 4.753 para 4.460. Mansidão também perdeu rebanho, com retração de 3%. A PPM mede o resultado da contagem, não a causa da queda, então essa comparação não permite apontar se o recuo veio de abate, de migração da atividade ou de outro fator.
A queda em Formosa do Rio Preto chama atenção porque o município lidera outras frentes do agronegócio regional: é o segundo maior produtor de algodão do oeste da Bahia e um dos destaques do crescimento populacional da região — mas, na pecuária suína, perde espaço.
Como o Portal do Cerrado apurou o rebanho suíno no oeste da Bahia
Os dados vêm da tabela 3939 do Sidra, na categoria “suíno, total” da Pesquisa da Pecuária Municipal, com a série de 2023 e 2024 para os 24 municípios do Extremo Oeste Baiano, comparada aos totais da Bahia e do Brasil. A pesquisa é anual e a edição de 2024 foi a mais recente disponível na consulta desta rodada; a PPM 2025 ainda não havia sido divulgada. O levantamento é o quarto da série de pecuária que o Portal do Cerrado publica na região em 2026, depois do rebanho bovino, do rebanho de aves e da comparação com o PIB regional, que também recuou em 2023.
| Município | 2023 (cabeças) | 2024 (cabeças) | Variação |
|---|---|---|---|
| Serra Dourada | 15.263 | 15.270 | +0,05% |
| São Desidério | 12.917 | 12.950 | +0,3% |
| Santana | 10.779 | 10.785 | +0,06% |
| Santa Maria da Vitória | 10.071 | 10.100 | +0,3% |
| Brejolândia | 6.000 | 7.175 | +19,6% |
| Formosa do Rio Preto | 6.596 | 6.251 | −5,2% |
| Correntina | 5.658 | 5.670 | +0,2% |
| Wanderley | 5.239 | 5.245 | +0,1% |
| Canápolis | 5.164 | 5.160 | −0,1% |
| Santa Rita de Cássia | 4.939 | 5.137 | +4,0% |
| Barreiras | 4.753 | 4.460 | −6,2% |
| Cocos | 2.279 | 4.465 | +95,9% |
| Riachão das Neves | 3.088 | 4.102 | +32,8% |
| Cotegipe | 4.002 | 4.025 | +0,6% |
| Baianópolis | 3.541 | 3.825 | +8,0% |
| Luís Eduardo Magalhães | 3.564 | 3.685 | +3,4% |
| Jaborandi | 3.558 | 3.570 | +0,3% |
| Coribe | 3.323 | 3.315 | −0,2% |
| Cristópolis | 3.193 | 3.195 | +0,1% |
| Mansidão | 3.124 | 3.030 | −3,0% |
| Angical | 2.444 | 2.850 | +16,6% |
| São Félix do Coribe | 2.577 | 2.580 | +0,1% |
| Tabocas do Brejo Velho | 2.005 | 2.010 | +0,2% |
| Catolândia | 825 | 830 | +0,6% |
| Total dos 24 municípios | 124.902 | 129.685 | +3,8% |
| Bahia | 1.017.823 | 1.134.931 | +11,5% |
O rebanho suíno no oeste da Bahia cresce, portanto, mas devagar demais para acompanhar o resto do estado — e o mapa de quem ganhou e quem perdeu cabeças em 2024 pouco tem a ver com o tamanho de cada rebanho.
