
A mandioca no oeste da Bahia ocupou 4.359 hectares na safra de 2025, segundo a Produção Agrícola Municipal (PAM) do IBGE — uma área bem menor que a do sorgo no oeste da Bahia e do milho no oeste da Bahia, os dois grãos que a região cultiva em escala menor que a soja. A colheita chegou a 26.313 toneladas, queda de 1,2% sobre as 26.631 toneladas de 2024, mesmo com a área plantada praticamente estável. O Extremo Oeste Baiano responde por apenas 3,96% de toda a mandioca plantada na Bahia e por 2,77% da produção, uma fatia pequena diante do papel de destaque que a região tem nos grãos.
O contraste chama atenção porque, ao contrário dos grãos que dominam a economia regional, a mandioca no oeste da Bahia está presente em quase todos os municípios. Dos 24 municípios do Extremo Oeste Baiano, 23 registraram produção da cultura em 2025 — só Catolândia ficou de fora da estatística do IBGE. Ainda assim, nenhum município da região colheu mais de cinco mil toneladas no ano, um volume típico de lavoura de subsistência e de pequena propriedade, bem diferente do padrão da soja e do algodão no oeste da Bahia, concentrados em poucos municípios de agricultura empresarial.
Mandioca no oeste da Bahia: presente em quase toda a região, mas pouco relevante
Angical lidera o ranking regional da mandioca no oeste da Bahia, com 524 hectares plantados e 4.586 toneladas colhidas em 2025. Depois vêm Correntina, com 3.630 toneladas, Santana, com 2.509 toneladas, São Desidério, com 2.441 toneladas, e Barreiras, com 1.953 toneladas. Formosa do Rio Preto, epicentro da produção de soja e algodão da região, aparece só em sexto lugar na mandioca, com 1.781 toneladas — prova de que as duas lavouras seguem lógicas territoriais diferentes. Luís Eduardo Magalhães, o segundo maior polo de grãos da região, sequer aparece entre os dez maiores produtores da cultura.
Produtividade fica abaixo da média baiana e nacional
Além de ocupar pouca área, a mandioca no oeste da Bahia rende menos por hectare do que a média do estado. A região colheu, em média, 6,04 toneladas por hectare em 2025, contra 8,64 toneladas por hectare na Bahia inteira — uma diferença de quase 30%. A base do IBGE não detalha a causa dessa diferença, e o Portal do Cerrado não tem elementos para apontar um motivo único; pode estar relacionada ao clima mais seco do Cerrado, ao tipo de manejo ou ao tamanho menor das lavouras, mas nenhuma dessas hipóteses está confirmada pelos dados oficiais.
A produtividade brasileira da mandioca também supera a do oeste baiano: o país colheu, em média, 15,4 toneladas por hectare em 2025, mais que o dobro do rendimento da mesorregião. Estados tradicionais na cultura concentram parte da produção em sistemas voltados à indústria de farinha e fécula, em escala maior — um perfil diferente do que se vê no oeste da Bahia, onde a mandioca aparece sobretudo em pequenas áreas espalhadas pelos municípios.
Uma lavoura de subsistência, não de exportação
Diferente da soja, do algodão e do sorgo, cultivados para exportação e para a indústria, a mandioca costuma abastecer o consumo direto das famílias e o comércio local — farinha, beiju, tapioca e a própria raiz in natura. Por isso, ainda que o volume total seja pequeno diante da economia agrícola regional, a presença da cultura em 23 dos 24 municípios do Extremo Oeste Baiano aponta para um papel na segurança alimentar do campo que os números de exportação não capturam. É a lavoura que aparece onde a soja não chega, e que o PIB do oeste da Bahia, concentrado no agronegócio de grãos, também não reflete.
Mandioca no oeste da Bahia, cidade por cidade
Veja o ranking dos oito maiores produtores da região em 2025:
- Angical — 4.586 toneladas;
- Correntina — 3.630 toneladas;
- Santana — 2.509 toneladas;
- São Desidério — 2.441 toneladas;
- Barreiras — 1.953 toneladas;
- Formosa do Rio Preto — 1.781 toneladas;
- Baianópolis — 1.038 toneladas;
- Serra Dourada — 891 toneladas.
O levantamento completo, com a variação sobre 2024, está na tabela abaixo:
| Município | 2024 (t) | 2025 (t) | Variação |
|---|---|---|---|
| Angical | 4.590 | 4.586 | −0,1% |
| Correntina | 3.984 | 3.630 | −8,9% |
| Santana | 2.388 | 2.509 | +5,1% |
| São Desidério | 2.370 | 2.441 | +3,0% |
| Barreiras | 1.824 | 1.953 | +7,1% |
| Formosa do Rio Preto | 1.803 | 1.781 | −1,2% |
| Baianópolis | 980 | 1.038 | +5,9% |
| Serra Dourada | 799 | 891 | +11,5% |
Como o Portal do Cerrado apurou
Os números deste levantamento vêm da Produção Agrícola Municipal (PAM), tabela 1612 do Sidra/IBGE, para a categoria mandioca, nos 24 municípios da mesorregião Extremo Oeste Baiano definida pelo próprio instituto. A comparação usa sempre o mesmo par de anos, 2024 e 2025, o mais recente disponível na base — os dados de 2025 ainda podem ser revistos pelo IBGE em levantamentos futuros. A participação na produção baiana e na brasileira foi calculada com os totais do estado e do país na mesma tabela e no mesmo ano. Município sem registro de produção aparece na base do IBGE com valor omitido, tratado aqui como zero, o mesmo critério usado nos levantamentos anteriores do Portal do Cerrado sobre agricultura na região.
